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Chuva causa estragos em 151 cidades do RS

Temporais provocaram quatro mortes, deixaram milhares de pessoas fora de casa e causaram danos em residências, escolas e unidades de saúde. Defesa Civil mantém atenção para elevação de rios e risco de novas inundações.

O Rio Grande do Sul enfrenta uma das mais graves sequências de temporais dos últimos dias. Até as 11h desta terça-feira (22), 151 municípios haviam registrado danos relacionados às chuvas, ventos fortes, granizo, enxurradas e deslizamentos, segundo levantamento da Defesa Civil estadual.

Ao todo, 577.230 pessoas foram afetadas pelos eventos meteorológicos registrados no estado. O balanço também contabiliza 657 pessoas desabrigadas e outras 3.178 desalojadas, além de centenas de imóveis atingidos.

A situação ainda exige atenção porque os efeitos das chuvas não terminaram com a passagem das tempestades. A elevação de rios e arroios mantém risco de alagamentos, enxurradas e inundações em diferentes regiões, principalmente nas bacias hidrográficas que recebem o grande volume de água registrado nos últimos dias.

Quatro mortes foram confirmadas

O balanço da Defesa Civil contabiliza quatro mortes relacionadas ao desastre climático.

Três ocorreram em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. Entre as vítimas estão uma adolescente de 13 anos e uma criança de quatro anos, que estavam em um carro arrastado pela força da enxurrada na localidade de Parada Cristal.

O veículo transportava uma família quando foi levado pela água. Um homem que estava no automóvel conseguiu escapar, mas as duas crianças morreram. A mãe, de 43 anos, permanecia desaparecida até a atualização do balanço.

Também em Caxias do Sul, um homem morreu após ser arrastado pela água enquanto realizava a limpeza de uma galeria no bairro De Lazzer. O corpo foi localizado na manhã desta terça-feira.

A quarta morte ocorreu em Pelotas, onde um motociclista morreu após colidir com um fio que estava atravessado na via durante os efeitos do temporal. Segundo informações da Polícia Civil, o acidente ocorreu em meio aos danos provocados pelo vendaval.

Além das mortes, foram registrados três feridos nos municípios de Aceguá, Santa Maria e Caxias do Sul.

Mais de 1,9 mil casas foram destelhadas

Os números mostram que os danos não ficaram concentrados apenas em áreas de alagamento.

O levantamento estadual contabilizou:

  • 23 casas destruídas;
  • 466 casas danificadas;
  • 1.978 residências destelhadas;
  • 1.401 imóveis alagados;
  • 47 escolas atingidas;
  • 19 estabelecimentos de saúde com danos.

A quantidade de residências destelhadas mostra a intensidade dos ventos registrados em diversas regiões do Estado.

Em muitas cidades, moradores precisaram deixar suas casas temporariamente. Enquanto os desabrigados necessitam de acolhimento em locais disponibilizados pelo poder público, os desalojados deixam suas residências e buscam abrigo na casa de familiares ou conhecidos.

Pelotas concentra grande número de pessoas afetadas

Entre os municípios atingidos, Pelotas apresenta o maior número de pessoas afetadas, com 336.151 moradores impactados pelos efeitos do temporal.

A cidade registrou forte vendaval, danos em imóveis e estruturas públicas, além da morte de um motociclista.

O número elevado de pessoas afetadas em Pelotas tem forte influência da população atingida pelos impactos do vento e pelos danos provocados na infraestrutura urbana.

Chuva passou de 190 milímetros em 12 horas

A Serra Gaúcha registrou alguns dos maiores acumulados de chuva durante o período mais crítico.

Em Jaquirana, foram registrados 194,6 milímetros de chuva em apenas 12 horas. Em Caxias do Sul, o acumulado chegou a 178,4 milímetros no mesmo período.

Outros 28 municípios registraram mais de 100 milímetros de chuva em 12 horas na segunda-feira (21).

Volumes dessa magnitude em um período curto aumentam significativamente o risco de enxurradas, alagamentos, deslizamentos e elevação rápida de rios e arroios.

Ventos ultrapassaram 120 km/h

Os ventos também provocaram estragos importantes.

O maior registro citado no balanço da Defesa Civil ocorreu em Hulha Negra, onde as rajadas chegaram a 126,7 km/h, conforme dados do Simagro.

Também foram registrados ventos superiores a 100 km/h em:

  • Rio Grande: 113,7 km/h;
  • Cerrito: 104,1 km/h;
  • Dilermando de Aguiar: 103 km/h.

Outros 27 municípios registraram rajadas superiores a 80 km/h.

A combinação de ventos fortes com chuva intensa provocou queda de árvores, danos em telhados, interrupções e outros transtornos em diferentes regiões do Estado.

Defesa Civil emitiu 75 alertas

Durante o fim de semana e a segunda-feira, a Defesa Civil estadual emitiu 75 alertas meteorológicos, sendo 65 por SMS e 10 por Cell Broadcast.

Os avisos incluíram riscos de:

  • tempestades severas;
  • vendavais;
  • enxurradas;
  • granizo;
  • alagamentos;
  • inundações;
  • movimentos de massa.

Na madrugada de segunda-feira, um alerta severo de Cell Broadcast foi encaminhado para municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, com indicação de risco de tempestade, rajadas superiores a 90 km/h e granizo.

O alerta alcançou Alvorada, Arroio dos Ratos, Barra do Ribeiro, Cachoeirinha, Canoas, Charqueadas, Eldorado do Sul, Gravataí, Guaíba, Mariana Pimentel, Porto Alegre, São Jerônimo e Viamão.

Risco continua nas bacias hidrográficas

Mesmo com a diminuição das tempestades em algumas áreas, a situação hidrológica continua sendo acompanhada pelas autoridades.

A chuva registrada no Norte, nos Vales e na Serra provocou resposta nos rios e arroios das bacias do Caí, Taquari, Jacuí, Paranhana e Sinos.

A Defesa Civil informou que ocorreram elevações significativas de cursos d’água na região hidrográfica do Guaíba, mantendo níveis de atenção e alerta para alagamentos, enxurradas e cheias de arroios e rios.

Rios Caí e Taquari exigem atenção

Entre os pontos monitorados estão os rios Caí e Taquari.

No Rio Caí, foram observados limiares de inundação a partir de São Sebastião do Caí, com elevação também na região de Montenegro.

No Rio Taquari, os limiares de inundação são observados a partir de Encantado, com elevação a partir de Lajeado.

Também foram observados níveis de alerta no Rio Jacuí, em Dona Francisca, e no Rio dos Sinos, a partir de Taquara.

A preocupação das autoridades é que a água acumulada nas regiões de cabeceira continue descendo pelos rios e provoque elevações em áreas localizadas mais abaixo.

Vale do Taquari recebe mobilização especial

Diante da possibilidade de elevação dos rios, municípios do Vale do Taquari foram mobilizados para colocar em prática medidas previstas nos seus planos de contingência.

A Defesa Civil estadual instalou um Gabinete Regional Integrado de Gerenciamento de Desastres na região.

A estrutura tem como objetivo coordenar as ações de preparação, monitoramento e resposta diante da possibilidade de cheia dos rios.

Também foram mobilizados recursos humanos e materiais da Defesa Civil estadual para apoiar os municípios que possam ser atingidos.

Situação permanece sob monitoramento

O cenário registrado nesta semana mostra que os impactos dos temporais vão muito além dos alagamentos momentâneos.

São 577 mil pessoas afetadas, milhares de moradores fora de suas casas, quase duas mil residências destelhadas, centenas de imóveis danificados e dezenas de escolas e unidades de saúde atingidas.

Ao mesmo tempo, equipes de emergência continuam trabalhando em ocorrências graves, incluindo buscas por desaparecidos e atendimento a áreas atingidas pelas enxurradas.

A Defesa Civil mantém o monitoramento das condições meteorológicas e hidrológicas e orienta a população a acompanhar os alertas oficiais, principalmente quem vive próximo a rios, arroios, encostas e áreas historicamente sujeitas a alagamentos.

O cenário pode mudar rapidamente conforme o volume de água avance pelas bacias hidrográficas.

📊 Números do temporal no RS

151 municípios registraram ocorrências
156 ocorrências contabilizadas pela Defesa Civil
577.230 pessoas afetadas
657 pessoas desabrigadas
3.178 pessoas desalojadas
4 mortes confirmadas
3 feridos
23 casas destruídas
466 casas danificadas
1.978 casas destelhadas
1.401 imóveis alagados
47 escolas atingidas
19 estabelecimentos de saúde danificados
194,6 mm — maior acumulado de chuva em 12 horas, em Jaquirana
126,7 km/h — maior rajada de vento, em Hulha Negra
75 alertas emitidos pela Defesa Civil

Dados referentes ao balanço divulgado pela Defesa Civil estadual até as 11h de terça-feira (22).

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