Concerto reuniu música clássica e tradição gaúcha em apresentação realizada nesta quarta-feira, em Porto Alegre.
O Palácio da Justiça, em Porto Alegre, foi palco nesta quarta-feira (7) de uma apresentação que uniu a música de concerto à identidade cultural do Rio Grande do Sul. O gaiteiro e compositor Renato Borghetti se apresentou ao lado da Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul (OJRS), em um espetáculo realizado no auditório do prédio, no Centro Histórico da Capital.
A apresentação ocorreu às 19h e integrou a temporada 2026 do projeto “Acordes da Querência”, iniciativa que busca aproximar a linguagem sinfônica de elementos da cultura e da música gaúcha. O concerto teve entrada gratuita, mediante distribuição de senhas.
A participação de Borghetti foi um dos destaques da noite. Reconhecido pela trajetória na música regional e pela projeção da gaita-ponto, o músico levou ao palco um repertório ligado às tradições musicais do Rio Grande do Sul e também à cultura platina.
Concerto teve dois momentos
A apresentação foi estruturada em duas partes. Na primeira, a Orquestra Jovem do RS apresentou obras do repertório clássico.
Entre os destaques esteve a participação do pianista Levi Paviani, integrante da própria orquestra, que interpretou o primeiro movimento do Concerto para Piano em Fá Menor – BWV 1056, de Johann Sebastian Bach.
O programa também contou com a valsa “Vozes da Primavera”, de Johann Strauss, e a abertura da opereta “Orfeu nos Infernos”, de Jacques Offenbach.
A regência ficou sob responsabilidade dos maestros Davi Coelho e Telmo Jaconi, enquanto o músico Rafael Netto participou como solista de trompete.

Renato Borghetti levou a música gaúcha ao palco
Na segunda parte do concerto, a gaita-ponto de Renato Borghetti ganhou protagonismo.
O repertório passou a destacar obras relacionadas à música gaúcha e à tradição musical do Sul do Brasil e da região do Prata.
Entre as músicas apresentadas esteve “Barra do Ribeiro”, composição de Borghetti. O programa também incluiu “Milonga para as Missões”, de Gilberto Monteiro, e “Missioneiro”, de Tio Bilia.
A programação ainda estabeleceu uma conexão com a música argentina por meio das obras “Mercedita”, de Ramón Sixto Ríos, e “Km 11”, de Tránsito Cocomarola.
Orquestra também tem papel de formação
Além da atuação artística, a Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul desenvolve um trabalho de formação musical voltado principalmente a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
A iniciativa oferece aos estudantes aulas gratuitas, instrumentos musicais, transporte, alimentação e uniformes para apresentações.
Com sede junto ao Colégio Pão dos Pobres, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, o projeto utiliza a música como ferramenta de formação cultural e desenvolvimento de jovens.

Temporada segue no Palácio da Justiça
O concerto com Renato Borghetti faz parte de uma temporada que segue sendo realizada no Palácio da Justiça de Porto Alegre até novembro.
A proposta é utilizar o espaço para receber apresentações que valorizem diferentes artistas, gêneros e momentos da história musical do Rio Grande do Sul.
O auditório do Palácio da Justiça está localizado em frente à Praça da Matriz, em uma região que reúne alguns dos principais equipamentos culturais e históricos da Capital, como o próprio Theatro São Pedro.
A apresentação desta quarta-feira reforçou a possibilidade de aproximar a música de concerto da cultura regional, colocando lado a lado uma orquestra formada por jovens músicos e um dos nomes mais conhecidos da música instrumental gaúcha.
Cultura e formação
A presença de Renato Borghetti ao lado da Orquestra Jovem do RS também simboliza o encontro entre diferentes gerações da música.
De um lado, a experiência de um artista com carreira consolidada e reconhecimento dentro e fora do Brasil. De outro, jovens músicos em processo de formação e aperfeiçoamento artístico.
O resultado é uma proposta que vai além de um concerto tradicional: aproxima a música clássica de elementos da cultura gaúcha e cria oportunidades para que novos instrumentistas tenham contato com grandes artistas e com o público.
A temporada do projeto “Acordes da Querência” continua até novembro, mantendo o Palácio da Justiça como um dos espaços de circulação cultural no Centro Histórico de Porto Alegre.









