Taxa de desocupação permaneceu estável em relação ao trimestre encerrado em julho e ficou abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Rendimento médio chegou a R$ 3.777.
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados nesta terça-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa estabilidade em relação ao trimestre encerrado em julho, quando o indicador também estava em 5,3%. Na comparação com o mesmo período de 2025, porém, houve redução: naquele período, a taxa era de 5,6%.
A PNAD Contínua é o principal levantamento do IBGE para acompanhar as condições do mercado de trabalho brasileiro. O indicador mensal é calculado a partir de um trimestre móvel, e não representa exclusivamente o comportamento de um único mês.
Número de desempregados
Apesar da taxa de 5,3%, o mercado de trabalho ainda tinha cerca de 5,8 milhões de pessoas procurando emprego sem conseguir uma colocação no período analisado.
Na comparação com o trimestre anterior, o contingente de pessoas desocupadas apresentou redução de 4,6%, o equivalente a aproximadamente 281 mil pessoas. Em relação ao mesmo trimestre de 2025, a queda foi de 4,9%, ou cerca de 300 mil pessoas.
Os dados mostram, portanto, uma redução do contingente de pessoas em busca de trabalho ao longo de um ano, embora milhões de brasileiros ainda permaneçam fora do mercado de trabalho.

Número de ocupados bate novo recorde
O levantamento também mostra que o número de pessoas ocupadas chegou a 103,5 milhões no trimestre encerrado em agosto.
O resultado representa crescimento de aproximadamente 774 mil pessoas em relação ao trimestre encerrado em maio, uma alta de 0,8%. Na comparação anual, o avanço foi de cerca de 1,1 milhão de pessoas, ou 1%.
O aumento da ocupação foi influenciado principalmente pelo desempenho de setores como indústria e construção, que registraram expansão no período.
Emprego com carteira assinada
O número de empregados do setor privado com carteira assinada, excluindo os trabalhadores domésticos, chegou a 39,5 milhões.
Segundo os dados divulgados, esse é o maior contingente registrado pela série histórica da PNAD Contínua para essa categoria.
Na comparação com o trimestre anterior, houve crescimento de 2% na indústria geral, com aproximadamente 265 mil pessoas a mais, e de 4,1% na construção, que incorporou cerca de 306 mil trabalhadores.
No confronto anual, o setor de transporte, armazenagem e correio apresentou crescimento de 6,1%, com aproximadamente 358 mil pessoas a mais.

Informalidade permanece elevada
Apesar do avanço do emprego formal, uma parcela significativa dos trabalhadores brasileiros continua na informalidade.
A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, equivalente a aproximadamente 38,8 milhões de trabalhadores informais.
O percentual ficou acima dos 37,3% registrados no trimestre encerrado em maio, mas abaixo dos 38% observados no mesmo período de 2025.
Entre os trabalhadores ocupados, havia ainda 13,7 milhões de empregados sem carteira assinada no setor privado, 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria e 5,5 milhões de trabalhadores domésticos. Esses contingentes foram considerados estáveis nas comparações apresentadas pelo levantamento.
Rendimento médio chega a R$ 3.777
Outro destaque da pesquisa foi o comportamento da renda.
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores ficou em R$ 3.777 no trimestre encerrado em agosto. O valor representa aumento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025.
A massa de rendimento real habitual, que corresponde ao total recebido pelos trabalhadores ocupados, alcançou R$ 385,6 bilhões.
Na comparação anual, houve crescimento de 4,8% na massa de renda.

O que os números mostram
Os dados divulgados pelo IBGE apresentam um cenário de taxa de desemprego estável no curto prazo e menor na comparação anual, acompanhado por crescimento do número de pessoas ocupadas e avanço do rendimento médio.
Ao mesmo tempo, a informalidade permanece representativa, alcançando mais de um terço dos trabalhadores ocupados.
A próxima divulgação mensal da PNAD Contínua, referente ao trimestre móvel encerrado em setembro de 2026, está prevista no calendário do IBGE para 30 de outubro.










