Vendas externas do Rio Grande do Sul foram impulsionadas pelo setor de alimentos, enquanto tarifas dos Estados Unidos provocaram forte queda nas exportações para o mercado norte-americano.
As exportações da indústria do Rio Grande do Sul cresceram 2% em julho de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado, e alcançaram US$ 1,5 bilhão. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (18) em levantamento do Sistema FIERGS.
O principal destaque positivo foi o segmento de alimentos, cujas vendas externas cresceram 33,4%, chegando a US$ 545 milhões. O desempenho ajudou a compensar quedas importantes registradas em outros setores da indústria gaúcha.
Apesar do crescimento geral, os números mostram um cenário desigual para a indústria. Enquanto alguns mercados e segmentos avançaram, as vendas para os Estados Unidos sofreram uma retração expressiva após a adoção de tarifas sobre produtos brasileiros.
Alimentos puxam resultado positivo
O setor de alimentos foi o principal responsável pelo crescimento das exportações industriais gaúchas em julho.
As vendas externas do segmento chegaram a US$ 545 milhões, crescimento de 33,4% em relação a julho de 2025.
O desempenho demonstra a importância do setor de alimentos para a pauta exportadora do Rio Grande do Sul.
Entre os produtos que contribuíram para o resultado positivo também aparecem carnes e miudezas de aves e farelos de soja, especialmente nas vendas destinadas ao mercado europeu.
Nos últimos três meses, as exportações industriais gaúchas para a União Europeia alcançaram US$ 815 milhões, valor 3,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Tabaco registra queda de 35,2%
Nem todos os setores apresentaram crescimento.
As exportações de tabaco somaram US$ 212 milhões em julho, uma redução de US$ 115 milhões, equivalente a 35,2%, na comparação com o mesmo mês de 2025.
Outro segmento que apresentou retração foi o de máquinas e materiais elétricos.
As vendas externas desse setor ficaram em US$ 24,5 milhões, queda de US$ 25,6 milhões, ou 51%, em relação a julho do ano passado.
Essas quedas mostram que o crescimento de 2% registrado pela indústria não foi distribuído de maneira uniforme entre os setores.
O resultado geral foi sustentado principalmente pelo avanço de segmentos específicos, especialmente alimentos.
Argentina aumenta compras de produtos gaúchos
Entre os principais parceiros comerciais do Estado, a Argentina apresentou crescimento nas compras de produtos industriais do Rio Grande do Sul.
Em julho, as exportações para o país chegaram a US$ 130 milhões, alta de US$ 8,3 milhões, ou 6,8%, na comparação com julho de 2025.
O mercado argentino mantém, portanto, trajetória positiva para os produtos industriais gaúchos.
A proximidade geográfica e a integração comercial dentro do Mercosul ajudam a manter o país entre os mercados relevantes para as empresas do Estado.
China reduz compras de produtos industriais
Na China, o cenário foi diferente.
As exportações industriais gaúchas para o mercado chinês somaram US$ 60,2 milhões em julho, queda de US$ 20,9 milhões, ou 25,8%, na comparação anual.
A retração chinesa ocorre em contraste com o desempenho positivo observado em outros mercados.
O resultado reforça a necessidade de diversificação dos destinos das exportações gaúchas, especialmente diante das oscilações do comércio internacional.
União Europeia apresenta resultado positivo
A União Europeia também apresentou crescimento nas compras de produtos industriais do Rio Grande do Sul.
Em julho, as exportações para o bloco totalizaram US$ 323 milhões, alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Quando comparado com a média registrada para julho entre 2021 e 2025, o resultado foi ainda mais expressivo.
O valor ficou US$ 63,4 milhões acima da média, crescimento de 24,4%.
No acumulado dos três últimos meses, as vendas para a União Europeia chegaram a US$ 815 milhões.
Carnes e farelo de soja impulsionam vendas para a Europa
O desempenho positivo da indústria gaúcha no mercado europeu foi impulsionado principalmente por dois grupos de produtos.
As exportações de carnes e miudezas de aves somaram US$ 57,4 milhões no trimestre, aumento de US$ 45,3 milhões.
Já as vendas de farelos de soja chegaram a US$ 132,7 milhões, crescimento de US$ 28,4 milhões.
Os números mostram a importância da produção agroindustrial para a inserção internacional do Estado.
Mesmo em uma pauta classificada como industrial, produtos relacionados à cadeia de alimentos e ao processamento agroindustrial possuem participação relevante.
Estados Unidos registram forte queda
O principal ponto negativo do levantamento está nas exportações para os Estados Unidos.
Em julho, as exportações da indústria de transformação gaúcha para o mercado norte-americano somaram US$ 129,4 milhões.
O valor representa queda de 33,4% em relação a julho de 2025.
A redução está relacionada ao impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, afirmou que o desempenho de julho mostra simultaneamente a capacidade de reação da indústria gaúcha e os efeitos das barreiras comerciais sobre as vendas externas.
Segundo ele, a indústria precisa de previsibilidade e condições de competitividade para ampliar sua presença no mercado internacional.
Um ano de impacto das tarifas
O levantamento da FIERGS também permite observar o impacto das tarifas norte-americanas ao longo de um período de 12 meses.
Considerando os meses de agosto a dezembro de 2025 e janeiro a julho de 2026, o Rio Grande do Sul exportou US$ 1,4 bilhão para os Estados Unidos.
Esse valor representa uma redução de aproximadamente US$ 561,4 milhões, ou 29,1%, em relação aos 12 meses anteriores à adoção das tarifas.
O dado evidencia que o problema não se limita a uma queda pontual registrada em julho.
Existe uma redução acumulada nas vendas para um dos principais mercados consumidores da indústria gaúcha.
Importações também cresceram
Enquanto as exportações industriais avançaram 2%, as importações gaúchas tiveram crescimento maior em julho.
As compras externas do Estado chegaram a US$ 1,3 bilhão, alta de US$ 105 milhões, ou 8,8%, em relação a julho de 2025.
A diferença entre exportações e importações mostra que o comércio exterior gaúcho teve movimentação relevante nos dois sentidos.
O Estado exportou US$ 1,5 bilhão e importou US$ 1,3 bilhão no mês.
Isso representa um saldo positivo de aproximadamente US$ 200 milhões no período, considerando os valores divulgados no levantamento.
Resultado mostra força, mas também riscos
O crescimento de 2% das exportações industriais é positivo, mas não significa que o setor esteja operando sem dificuldades.
Os números mostram uma indústria enfrentando simultaneamente oportunidades e pressões externas.
De um lado, alimentos, Argentina e União Europeia apresentaram resultados positivos.
De outro, tabaco, máquinas e materiais elétricos registraram quedas expressivas, enquanto as vendas para os Estados Unidos recuaram mais de 30% em julho.
O cenário exige que as empresas acompanhem não apenas a demanda internacional, mas também as mudanças nas políticas comerciais dos principais parceiros.
Diversificação dos mercados ganha importância
O comportamento dos principais destinos mostra por que a diversificação das exportações é estratégica.
A queda nas vendas para os Estados Unidos representa um impacto significativo, mas parte desse efeito pode ser compensada quando outros mercados apresentam crescimento.
A União Europeia, por exemplo, registrou resultado superior à média histórica para julho.
A Argentina também aumentou suas compras.
Ao mesmo tempo, a queda na China demonstra que nem todos os mercados estão respondendo da mesma forma.
Para a indústria gaúcha, ampliar mercados pode significar reduzir a dependência de decisões comerciais tomadas por um único parceiro.
FIERGS aponta necessidade de previsibilidade
O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, destacou que o resultado positivo de julho demonstra a competitividade da indústria gaúcha, mas também evidencia os efeitos das barreiras comerciais.
A avaliação da entidade é que as empresas precisam de maior previsibilidade para planejar investimentos, produção e estratégias de internacionalização.
O cenário internacional, entretanto, permanece marcado por mudanças nas tarifas, disputas comerciais e alterações nas condições de acesso aos mercados.
Para uma indústria exportadora, essas mudanças podem afetar diretamente preços, contratos, volumes vendidos e decisões de investimento.










