Doença é transmitida principalmente pela picada de mosquitos infectados e pode provocar quadros neurológicos graves; quatro casos humanos foram confirmados no país em 2026.
A Febre do Nilo Ocidental voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde no Brasil após a confirmação de casos humanos em 2026 e a morte de uma paciente em Santa Catarina. Segundo o Ministério da Saúde, até o momento foram confirmados quatro casos humanos no país neste ano, sendo dois em Santa Catarina e dois em São Paulo. Um dos casos catarinenses evoluiu para óbito.
Apesar da preocupação provocada pelos registros, especialistas ressaltam que a doença continua sendo considerada rara no Brasil. A maior parte das pessoas infectadas não apresenta sintomas e, entre aquelas que desenvolvem manifestações clínicas, a maioria apresenta quadros leves.
O Ministério da Saúde publicou uma nova nota técnica em 28 de agosto de 2026 com atualização do cenário epidemiológico e orientações para reforçar a vigilância da doença no país.
O que é a Febre do Nilo Ocidental
A Febre do Nilo Ocidental (FNO) é uma infecção causada pelo vírus do Nilo Ocidental, um arbovírus transmitido principalmente por mosquitos.
A doença faz parte do grupo de infecções transmitidas por artrópodes, assim como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
O ciclo natural do vírus envolve principalmente aves silvestres e mosquitos. O mosquito se infecta ao picar uma ave que carrega o vírus e posteriormente pode transmitir o agente infeccioso ao picar uma pessoa ou outro animal.
Os mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos, estão entre os principais vetores envolvidos na transmissão.

Como o vírus chega ao ser humano
A principal forma de transmissão é a picada de um mosquito infectado.
O ciclo funciona, de maneira simplificada, da seguinte forma:
Ave infectada → mosquito → pessoa ou animal.
Os seres humanos e os equídeos, como cavalos, não são considerados importantes para manter o ciclo de transmissão porque não apresentam, em geral, quantidade suficiente de vírus no sangue para infectar novos mosquitos.
Existem, entretanto, formas excepcionais de transmissão entre seres humanos, relacionadas a transfusão de sangue, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão durante a gestação. Essas situações são consideradas incomuns.
Quatro casos foram confirmados no Brasil em 2026
O cenário epidemiológico brasileiro mudou em 2026 com a confirmação de novos casos humanos.
Em Santa Catarina, dois casos foram confirmados. Um deles envolveu uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, que morreu após desenvolver manifestações neurológicas. O segundo paciente, um homem de 56 anos de Caçador, apresentou sintomas neurológicos, mas recebeu alta.
Em São Paulo, outros dois casos foram confirmados.
Uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, relatou viagem recente à região amazônica e se recuperou da doença. O segundo caso é de uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permaneceu internada sob cuidados médicos.
As equipes de saúde ainda investigam os locais prováveis de infecção e a possibilidade de circulação do vírus nas áreas relacionadas aos casos.
Além dos quatro casos confirmados, o Ministério da Saúde acompanha um caso provável no Piauí.

Maioria dos infectados não apresenta sintomas
Uma das características da Febre do Nilo Ocidental é que a infecção frequentemente passa despercebida.
Segundo informações do Ministério da Saúde, aproximadamente 80% das pessoas infectadas não desenvolvem sintomas.
Entre os pacientes que apresentam manifestações clínicas, a maioria desenvolve um quadro semelhante a uma síndrome febril.
Os sintomas podem incluir:
- febre de início abrupto;
- mal-estar;
- dor de cabeça;
- dor muscular;
- dor nos olhos;
- náuseas e vômitos;
- perda de apetite;
- manchas na pele;
- aumento dos gânglios linfáticos.
Por serem sintomas pouco específicos, a doença pode ser confundida inicialmente com outras infecções virais.
Casos graves podem atingir o sistema nervoso
Embora sejam menos frequentes, os quadros graves são a principal preocupação relacionada à doença.
Em uma parcela muito pequena dos infectados, o vírus pode provocar complicações neurológicas, incluindo encefalite, meningite e paralisia flácida aguda.
Nessas situações, podem aparecer sinais como:
- confusão mental;
- alteração do nível de consciência;
- tremores;
- convulsões;
- fraqueza muscular;
- alterações neurológicas;
- paralisia.
A evolução para formas neurológicas graves ocorre em menos de 1% dos infectados, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde e por especialistas ouvidos pela imprensa. O risco aumenta entre pessoas mais velhas e indivíduos com imunidade comprometida.

Quem está mais exposto
A exposição ao vírus está relacionada principalmente à presença dos mosquitos transmissores e das aves que participam do ciclo da doença.
Por isso, áreas rurais e silvestres podem apresentar maior risco de exposição.
Pessoas que trabalham ou permanecem durante longos períodos ao ar livre também devem redobrar os cuidados, principalmente em regiões onde exista circulação comprovada ou suspeita do vírus.
Entre os profissionais potencialmente mais expostos estão agricultores, veterinários, biólogos, agrônomos, trabalhadores rurais e outras pessoas que atuam em ambientes com presença de mosquitos e aves silvestres.
Não existe vacina para humanos
Atualmente, não existe vacina disponível para prevenir a Febre do Nilo Ocidental em seres humanos.
Também não há um medicamento antiviral específico para eliminar o vírus.
O tratamento é baseado no controle dos sintomas e no acompanhamento clínico.
Nos casos leves, pode ser necessário repouso, hidratação e medidas para controlar febre e dores.
Quando surgem complicações neurológicas, pode ser necessária internação hospitalar, inclusive em unidades de terapia intensiva, dependendo da gravidade.

Como prevenir a doença
Como não existe vacina para humanos, a principal forma de prevenção é reduzir o contato com mosquitos.
Entre as medidas recomendadas estão:
Usar repelente, especialmente em áreas com grande presença de mosquitos.
Utilizar roupas que cubram braços e pernas quando houver exposição prolongada em áreas de risco.
Instalar telas em portas e janelas.
Usar mosquiteiros quando necessário.
Eliminar recipientes com água parada, reduzindo os locais que podem favorecer a proliferação de mosquitos.
Também é importante evitar o acúmulo de lixo e materiais que possam formar pontos de água parada.
Atenção a aves mortas
Como as aves silvestres participam do ciclo natural do vírus, a ocorrência de mortalidade anormal de aves pode ser um sinal importante para a vigilância epidemiológica.
A população não deve manipular animais mortos ou doentes sem orientação das autoridades.
A identificação de aves mortas em quantidade incomum deve ser comunicada aos serviços responsáveis pela vigilância sanitária, ambiental ou de saúde animal da região.
Esse tipo de informação pode auxiliar as autoridades a identificar áreas onde o vírus eventualmente esteja circulando.
Transmissão entre pessoas não é a regra
A Febre do Nilo Ocidental não funciona como uma doença respiratória, em que uma pessoa infectada transmite facilmente o vírus para quem está próximo.
A principal via de transmissão é a picada do mosquito infectado.
Por isso, a confirmação de casos não significa automaticamente que exista uma cadeia de transmissão direta entre pessoas.
As autoridades, porém, precisam investigar cada caso para identificar onde ocorreu a infecção e verificar se há circulação local do vírus.

Brasil mantém vigilância epidemiológica
O Ministério da Saúde informou que mantém a vigilância epidemiológica e laboratorial em conjunto com estados e municípios.
A prioridade é identificar novos casos, investigar os locais prováveis de infecção e verificar possíveis áreas de circulação do vírus.
A atualização publicada em 28 de agosto também reforça as orientações para vigilância da doença no território nacional.
A situação exige monitoramento, mas os especialistas destacam que os dados disponíveis até o momento não indicam uma transmissão ampla da doença no Brasil.
O que fazer diante de sintomas
Pessoas que apresentarem febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas, vômitos ou outros sintomas compatíveis, principalmente após exposição em áreas onde exista suspeita ou confirmação da circulação do vírus, devem procurar atendimento médico.
A situação exige atenção maior quando surgirem sinais neurológicos, como confusão mental, tremores, convulsões, fraqueza ou alteração da consciência.
Nesses casos, a avaliação médica deve ser imediata.
O diagnóstico depende de avaliação clínica e exames laboratoriais, especialmente quando existe histórico de exposição compatível com a doença.
Resumo: o que se sabe sobre a Febre do Nilo Ocidental
Causa: vírus do Nilo Ocidental.
Principal transmissão: picada de mosquito infectado.
Principal vetor: mosquitos, especialmente do gênero Culex.
Reservatório natural: principalmente aves silvestres.
Sintomas: febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas, vômitos e manchas na pele.
Casos graves: podem provocar meningite, encefalite e outras alterações neurológicas.
Vacina humana: não existe disponível.
Tratamento específico: não existe antiviral específico; o tratamento é de suporte.
Brasil em 2026: quatro casos humanos confirmados e um óbito, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Há ainda um caso provável em investigação no Piauí.
A Febre do Nilo Ocidental permanece uma doença rara no Brasil, mas os casos registrados em 2026 reforçam a necessidade de vigilância epidemiológica, controle de mosquitos e atenção aos sinais de gravidade. A principal medida individual continua sendo evitar a exposição às picadas dos insetos transmissores.










