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Furto de fios paralisa indústria em Porto Alegre

Empresa localizada no bairro São Geraldo teve cabos de energia levados durante a madrugada; prejuízo com reposição chega a R$ 7 mil, além das perdas provocadas pela paralisação das atividades.

Uma indústria localizada no bairro São Geraldo, em Porto Alegre, teve as atividades interrompidas após ser novamente alvo de furto de fios de energia. O caso ocorreu na madrugada de sexta-feira (11) e representa a sétima vez que a empresa é atingida pelo mesmo tipo de crime.

A vítima é a Investte, indústria que produz uniformes e equipamentos de proteção individual (EPIs). Segundo informações divulgadas pela coluna de Giane Guerra, de GZH, os criminosos quebraram o cadeado do local e retiraram uma tampa de concreto para acessar os cabos de energia.

O crime provocou a interrupção das atividades da fábrica, que possui 45 funcionários. Além do custo para recuperar a estrutura elétrica, a empresa enfrenta perdas financeiras relacionadas à paralisação da produção.

A reposição dos fios e a mão de obra necessária para a instalação estão estimadas em aproximadamente R$ 7 mil. O impacto financeiro, entretanto, é considerado muito maior pela empresa, já que a indústria registra um faturamento aproximado de R$ 70 mil por dia.

Empresa descobriu o furto após acionamento do alarme

O sócio-proprietário da Investte, Adriano Marçal, tomou conhecimento da ocorrência depois de receber um alerta da central de alarmes da empresa.

A situação voltou a gerar críticas relacionadas à segurança no bairro. Segundo o empresário, a presença de policiamento seria mais frequente nas vias principais, enquanto ruas paralelas continuariam vulneráveis.

A empresa fica, inclusive, nas proximidades de uma delegacia, o que aumenta a preocupação do proprietário diante da repetição dos furtos.

O caso mostra como o furto de cabos deixou de representar apenas um problema relacionado à infraestrutura urbana e passou a atingir diretamente a atividade econômica de empresas, o funcionamento de estabelecimentos e a rotina de trabalhadores.

Outra empresa da região acumula prejuízo de R$ 150 mil

O problema também afeta outras empresas instaladas no São Geraldo.

A empresa de telecomunicações Infosul, localizada na Avenida Amazonas, já foi alvo de furto de fios em três ocasiões.

De acordo com as informações divulgadas, o prejuízo acumulado pela empresa chega a aproximadamente R$ 150 mil.

Em uma das ocorrências, a empresa permaneceu durante 48 horas sem energia elétrica.

Em agosto, câmeras de segurança registraram uma nova tentativa de furto. Os criminosos chegaram a tentar retirar cabos que estavam enterrados, mas abandonaram a ação.

A sequência de ocorrências evidencia que os criminosos passaram a buscar diferentes formas de acesso aos cabos, inclusive estruturas que não estão expostas diretamente na superfície.

Furto de fios virou problema recorrente em Porto Alegre

O caso da Investte ocorre em meio a um cenário mais amplo de furtos de fios e cabos em Porto Alegre.

Levantamento do Sindilojas Porto Alegre apontou que oito em cada dez lojistas da Capital tiveram seus negócios impactados por roubos ou furtos de fios e cabos nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Entre os comerciantes atingidos, 48,5% relataram ter sofrido ocorrências entre duas e três vezes no período analisado.

O impacto não se limita ao custo de reposição dos materiais. Os comerciantes também relatam problemas com internet, telefone, fornecimento de energia, segurança e interrupção das atividades.

Segundo o levantamento, seis em cada dez lojistas chegaram a paralisar as atividades em razão das ocorrências. Para quase 30% dos entrevistados, a interrupção dos negócios ultrapassou 24 horas.

São Geraldo está entre as áreas mais atingidas

O problema apresenta distribuição por diferentes regiões da Capital.

Dados divulgados pelo Sindilojas-POA em agosto apontaram registros de furtos de fios e cabos em 29 dos 94 bairros de Porto Alegre.

O São Geraldo aparece entre as áreas com maior concentração de relatos, com 9% dos casos registrados no levantamento. A região ficou atrás da Azenha, que concentrou 12%, e à frente de outras áreas como Centro Histórico e Moinhos de Vento.

A estimativa apresentada pela entidade é de que mais de 9 mil estabelecimentos comerciais possam ter sido impactados pelo problema nas áreas analisadas.

Mais de 47 mil clientes foram prejudicados no primeiro semestre

O furto de cabos também provoca consequências para consumidores e para o sistema de distribuição de energia.

Segundo dados da CEEE Equatorial citados na reportagem original, o crime prejudicou mais de 47 mil clientes em Porto Alegre somente no primeiro semestre de 2026.

Quando os cabos são retirados, a consequência pode atingir uma área muito maior do que o ponto diretamente invadido pelos criminosos. Empresas, residências e serviços instalados na região podem sofrer interrupções até que a rede seja reparada.

Além do custo material, existe o impacto sobre atividades que dependem de energia elétrica para funcionar.

Prefeitura intensifica fiscalização contra receptação

As autoridades municipais vêm realizando operações voltadas ao combate ao furto e à receptação de fios e cabos.

Em 8 de setembro, uma operação integrada realizada na Vila São Pedro, conhecida como Cachorro Sentado, no bairro Partenon, resultou na apreensão de 83 quilos de fios e cabos furtados da CEEE Equatorial.

A ação envolveu órgãos da Prefeitura e forças de segurança estaduais. Sete estabelecimentos que funcionavam como ferros-velhos foram vistoriados e oito autos de infração foram emitidos por irregularidades relacionadas a alvarás e licenciamento ambiental. Uma pessoa foi conduzida à delegacia por suspeita de receptação.

A fiscalização faz parte das ações de enfrentamento ao comércio irregular de materiais que podem ter origem criminosa.

Furto de cabos também atinge iluminação pública

O problema não está restrito às redes que abastecem empresas e residências.

Dados da Prefeitura mostram que os furtos também atingem diretamente a iluminação pública de Porto Alegre.

Em maio, foram furtados 1.468 metros de cabos utilizados na iluminação pública da Capital, mais que o dobro dos 703 metros registrados em abril.

Desde o início de 2026, até aquele levantamento, já haviam sido contabilizados 3.375 metros de fios furtados, com prejuízo estimado em R$ 9,6 mil para a concessionária responsável pelo serviço.

O impacto pode aparecer na forma de trechos de ruas, praças e avenidas sem iluminação, aumentando a sensação de insegurança e exigindo novas intervenções para recomposição da rede.

Um problema que afeta segurança e economia

O caso da Investte evidencia uma consequência direta do furto de fios: a criminalidade pode interromper a produção de uma empresa e gerar prejuízo muito superior ao valor do material levado.

No caso da indústria do São Geraldo, o custo estimado de R$ 7 mil para reposição dos cabos representa apenas uma parcela do prejuízo. Com 45 trabalhadores e faturamento diário informado de aproximadamente R$ 70 mil, cada período de paralisação pode representar perdas significativas para a empresa.

A repetição do crime também gera custos adicionais com sistemas de alarme, câmeras, reforço de estruturas e medidas de proteção.

Para comerciantes e empresários, o problema deixa de ser apenas patrimonial e passa a representar uma ameaça à continuidade das operações.

O cenário também coloca em discussão a necessidade de combater toda a cadeia envolvida no crime, desde o furto até a receptação e comercialização dos materiais.

Segurança e denúncias

Em Porto Alegre, denúncias relacionadas a furto ou vandalismo de fios e cabos podem ser encaminhadas à Guarda Civil Metropolitana pelo telefone 153. A Central do Cidadão também recebe informações pelo 156, WhatsApp e aplicativo 156+POA.

Em situações de emergência, a orientação é acionar os canais oficiais de segurança.

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