Kimberli Neves Gomes, de 32 anos, havia procurado a polícia após relatar contatos do ex-companheiro, que estava preso, e uma movimentação suspeita nas proximidades de sua residência. Dois dias depois, ela foi assassinada a tiros. O caso é investigado como feminicídio.
A morte de Kimberli Neves Gomes, de 32 anos, em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, chama atenção para a sequência de acontecimentos registrada nos dias anteriores ao crime.
A vítima foi assassinada a tiros na madrugada de domingo, 18 de outubro, em frente à própria residência, no bairro Duque de Caxias. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e apura as circunstâncias do assassinato, incluindo a possível participação do ex-companheiro como mandante.
Dois dias antes de morrer, na sexta-feira (16), Kimberli havia procurado a Polícia Civil e solicitado medidas protetivas de urgência contra o ex-companheiro, Adrian Rian Dornelles Farias, de 25 anos, que estava recolhido ao sistema prisional.
O pedido de proibição de contato e aproximação não foi concedido naquele momento. A decisão judicial considerou o fato de o homem já estar preso. Ao mesmo tempo, foi determinada a apuração sobre possíveis contatos telefônicos realizados pelo detento.
Kimberli procurou a polícia dois dias antes de morrer
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Kimberli relatou à polícia que havia mantido uma união estável com Adrian durante aproximadamente quatro anos. O relacionamento havia terminado cerca de quatro meses antes.
Mesmo preso, o ex-companheiro continuaria realizando contatos telefônicos com ela.
No registro policial, Kimberli informou que o homem dizia aceitar o término do relacionamento, mas queria recuperar um veículo que estava registrado no nome dela.
Outro episódio ocorrido naquele mesmo dia aumentou a preocupação da vítima.
Conforme o relato, Kimberli estava almoçando quando um vizinho informou ter observado um casal em uma motocicleta fotografando sua residência.
Diante da situação, ela decidiu procurar as autoridades e solicitou medidas protetivas de urgência.
O registro foi relacionado a uma situação de violência psicológica contra a mulher.

Pedido de medida protetiva foi negado
O pedido chegou ao Poder Judiciário e foi analisado ainda na sexta-feira (16).
A decisão não concedeu, naquele momento, as medidas de proibição de aproximação e contato solicitadas pela vítima, levando em consideração que o ex-companheiro já estava recolhido ao sistema prisional.
Entretanto, a Justiça determinou que fosse apurada a informação de que o preso estaria mantendo contatos telefônicos com Kimberli.
Também foi determinada a consulta à administração penitenciária sobre eventual autorização para uso de telefone e a adoção de providências para verificar a situação.
A ordem incluía a realização de buscas para tentar identificar a existência de aparelho celular utilizado irregularmente dentro da unidade prisional.
Polícia Penal recebeu determinação após o assassinato
Conforme as informações divulgadas sobre o caso, a determinação judicial para a realização das buscas chegou à unidade prisional na terça-feira (20), depois do assassinato de Kimberli.
A Polícia Penal informou ainda que, na segunda-feira (19), policiais já haviam realizado uma busca na galeria onde o investigado estava preso para tentar localizar aparelhos celulares.
Após o crime, Adrian foi transferido para outra unidade prisional.
A investigação deverá esclarecer de que forma os contatos relatados por Kimberli eram realizados e se havia utilização irregular de aparelhos telefônicos dentro do sistema prisional.
Também será necessário determinar se outras pessoas atuaram na possível vigilância da vítima ou no planejamento e execução do assassinato.

Crime aconteceu na madrugada de domingo
Kimberli foi atacada por volta das 3h da madrugada de domingo (18), no bairro Duque de Caxias, em Sapucaia do Sul.
Segundo as informações da investigação, um veículo parou em frente à residência da vítima.
Kimberli teria reconhecido o automóvel como um carro que já havia sido dela e que estaria relacionado à disputa mencionada anteriormente no registro policial.
A mulher teria se aproximado do veículo para falar com os ocupantes. Durante a situação, ocorreu uma discussão e diversos disparos foram efetuados.
A Brigada Militar foi acionada e encontrou Kimberli ferida.
Ela ainda estava viva e foi encaminhada ao Hospital Getúlio Vargas, em Sapucaia do Sul, mas não resistiu aos ferimentos.
Arma foi encontrada com a vítima
Durante o atendimento da ocorrência, os policiais localizaram uma pistola na cintura de Kimberli.
Conforme as informações divulgadas, a arma estava municiada e travada. O armamento estaria registrado em nome de outra pessoa.
A Polícia Civil deverá analisar esse elemento dentro do conjunto da investigação para compreender completamente as circunstâncias que antecederam o ataque.
A presença da arma não altera, por si só, a linha investigativa adotada pelas autoridades sobre o possível feminicídio.

Ex-companheiro é investigado como possível mandante
A Polícia Civil investiga a possibilidade de que o ex-companheiro tenha participado do planejamento do assassinato, mesmo estando preso.
O delegado regional Cristiano Reschke informou que Adrian é investigado como possível mandante.
Além dessa linha de investigação, os policiais trabalham para identificar quem estava no veículo e quem efetuou os disparos contra Kimberli.
A investigação deverá analisar registros telefônicos, possíveis comunicações realizadas dentro e fora do sistema prisional, imagens de câmeras de segurança, depoimentos e outros elementos que possam ajudar a reconstruir os acontecimentos.
Até a conclusão do inquérito e eventual julgamento, a responsabilidade dos investigados ainda deverá ser determinada pelas autoridades competentes.
Polícia analisa informações apresentadas antes e depois do crime
Outro ponto importante da investigação envolve as informações registradas quando Kimberli procurou a polícia e os relatos apresentados posteriormente por familiares.
Segundo o delegado responsável, no registro policial inicial não teria sido relatada uma ameaça explícita de morte.
O documento mencionava os contatos realizados pelo ex-companheiro, a situação envolvendo o veículo e a suspeita relacionada às pessoas que teriam fotografado a residência.
Após o assassinato, familiares teriam relatado que Kimberli estava com medo e que teria recebido recados ameaçadores atribuídos ao ex-companheiro.
Essas informações serão analisadas pela Polícia Civil durante a investigação.
A apuração deverá esclarecer quais sinais de risco existiam antes do assassinato e quais informações estavam disponíveis para as autoridades no momento em que o pedido de proteção foi apresentado.

Caso reacende discussão sobre proteção às mulheres
O assassinato de Kimberli também amplia o debate sobre a avaliação de risco em situações envolvendo violência contra a mulher.
As medidas protetivas previstas na legislação brasileira podem estabelecer restrições de aproximação e contato, afastamento do agressor e outras providências destinadas a proteger mulheres em situação de violência doméstica ou familiar.
Cada pedido é analisado conforme as circunstâncias apresentadas às autoridades.
Situações envolvendo perseguição, contatos insistentes, intimidação, controle, ameaças ou monitoramento podem representar sinais importantes na avaliação do risco enfrentado por uma vítima.
No caso de Kimberli, a investigação deverá esclarecer toda a sequência de acontecimentos entre o pedido de proteção apresentado na sexta-feira e o assassinato ocorrido na madrugada de domingo.
Investigação continua em Sapucaia do Sul
A Polícia Civil trabalha agora para identificar todos os envolvidos no crime e determinar a participação de cada suspeito.
Entre os principais pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão a identidade dos autores dos disparos, a origem do veículo utilizado, os contatos realizados pelo ex-companheiro enquanto estava preso e a possível existência de outras pessoas envolvidas no planejamento do assassinato.
O caso é tratado como feminicídio e permanece sob investigação.
A morte de Kimberli ocorreu apenas dois dias depois de ela procurar as autoridades e pedir proteção, circunstância que deverá fazer parte da análise sobre os acontecimentos anteriores ao crime e das providências adotadas naquele período.









