Presidente percorreu a Avenida Borges de Medeiros até o Mercado Público na segunda-feira (19), acompanhado de lideranças políticas e apoiadores. Ato teve discursos sobre democracia, soberania, escala 6×1 e acusações na campanha eleitoral.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, esteve em Porto Alegre na segunda-feira (19) para uma caminhada de campanha que reuniu milhares de apoiadores, militantes e lideranças políticas no Centro Histórico da Capital. A mobilização ocorreu a seis dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro de 2026.
A concentração começou no Largo dos Açorianos, entre o Centro Histórico e a Cidade Baixa. De lá, o grupo seguiu pela Avenida Borges de Medeiros em direção ao Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público. Ao longo do percurso, bandeiras, músicas, palavras de ordem e manifestações de apoio marcaram a passagem do presidente.
A mobilização ocupou um trecho importante da região central e chamou a atenção de quem circulava pelas ruas, trabalhava no comércio ou acompanhava o ato de prédios próximos. Lula percorreu o trajeto em meio à multidão e participou de um comício no encerramento da caminhada.
Até a publicação dos relatos consultados, não havia uma estimativa oficial consolidada do número de participantes. O próprio presidente avaliou que a manifestação poderia estar entre as maiores já realizadas em Porto Alegre, mas essa declaração não representa uma contagem independente de público.
A atividade integrou a reta final da campanha eleitoral e buscou reforçar a mobilização de apoiadores no Rio Grande do Sul, em um momento decisivo da disputa nacional.
Como foi o percurso de Lula em Porto Alegre?
O ato começou no Largo dos Açorianos, ponto de concentração dos participantes. A caminhada seguiu pela Avenida Borges de Medeiros, passando por áreas tradicionais de circulação e manifestações políticas, até chegar ao Largo Glênio Peres, diante do Mercado Público.
A Esquina Democrática e as ruas do Centro Histórico também ficaram no entorno da movimentação. O trajeto transformou parte da região central em espaço de manifestação política, com participantes acompanhando os discursos e as palavras de ordem.
Durante o percurso, a presença de bandeiras do Brasil e símbolos partidários chamou a atenção. A mobilização também contou com música e cantoria, enquanto lideranças se revezavam nas falas realizadas em carro de som.
A organização havia previsto concentração a partir das 16h, com início da caminhada por volta das 17h. A agenda foi planejada para uma passagem rápida pela Capital, concentrada no ato público.

Quem acompanhou o presidente?
Lula esteve acompanhado da primeira-dama Janja Lula da Silva e de lideranças políticas nacionais e gaúchas.
Entre os nomes presentes estavam os ex-governadores do Rio Grande do Sul Tarso Genro e Olívio Dutra, o senador Paulo Paim (PT), o ex-governador da Bahia Rui Costa, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e o ministro Paulo Pimenta (PT).
Também participaram da mobilização Juliana Brizola (PDT), Edegar Pretto (PT) e Manuela d’Ávila (PSOL), além de parlamentares, representantes partidários, militantes e apoiadores.
A presença dessas lideranças reforçou a articulação política da campanha no Estado. O ato também serviu para destacar a relação histórica de Lula com o movimento sindical e com figuras da política gaúcha.
O que Lula disse durante o ato?
Um dos temas centrais dos discursos foi a soberania nacional. Lula afirmou que o Brasil deve manter autonomia nas decisões políticas e econômicas e não pode ficar subordinado aos interesses de outros países.
O presidente também relembrou sua relação com o Rio Grande do Sul, mencionando sua primeira visita ao Estado, em 1975, quando atuava no movimento sindical. Durante a fala, fez referências ao ex-governador Leonel Brizola e à Campanha da Legalidade, movimento de 1961 que defendeu a posse de João Goulart na Presidência da República.
Ao se dirigir ao público, Lula associou a história política gaúcha à resistência democrática e criticou o avanço de setores conservadores no Estado.
O presidente declarou que a manifestação demonstrava força de mobilização e afirmou sair de Porto Alegre confiante na vitória eleitoral. Trata-se de uma avaliação política do candidato, e não de uma previsão comprovada do resultado das urnas.

Olívio Dutra, Tarso Genro e outras lideranças discursaram
Os discursos das lideranças presentes destacaram democracia, participação popular, direitos sociais e mobilização eleitoral.
O ex-governador Olívio Dutra, de 85 anos, convocou eleitores de diferentes gerações a participar da votação do segundo turno. Em sua fala, associou a campanha à defesa da democracia e à participação popular.
O senador Paulo Paim relembrou sua relação de décadas com Lula e destacou pautas trabalhistas, incluindo a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
Tarso Genro mencionou o Orçamento Participativo, experiência historicamente ligada à administração pública de Porto Alegre, e relacionou a participação popular à discussão sobre o futuro político do país.
Rui Costa também discursou e fez referências à história política do Rio Grande do Sul, citando Getúlio Vargas, Leonel Brizola e a resistência à ditadura militar.
Já Rafael Fonteles pediu apoio à candidatura de Lula e dirigiu parte de sua fala aos descendentes de nordestinos que vivem no Rio Grande do Sul.
As manifestações reforçaram o discurso da campanha sobre continuidade de políticas públicas, soberania e direitos sociais.
Abertura de sigilos bancário e telefônico entrou no debate
Um dos assuntos de maior repercussão durante a passagem do presidente pela Capital foi o anúncio de que autorizaria a abertura de seus sigilos bancário e telefônico, assim como os da primeira-dama e dos cinco filhos.
Lula afirmou que pretendia entregar a autorização ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira (20) e desafiou o adversário Flávio Bolsonaro (PL) a adotar medida semelhante.
Durante o discurso, o presidente questionou a origem de recursos relacionados a alegações sobre um possível pedido de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também questionou a compra de um imóvel por Flávio Bolsonaro.
Essas declarações integram a disputa política entre os candidatos. As alegações devem ser tratadas como declarações atribuídas a Lula, sem serem apresentadas como irregularidades comprovadas apenas com base no discurso.
O tema ganhou destaque na reta final da campanha, marcada por acusações mútuas e debates sobre transparência, patrimônio e investigações.

Lula também falou sobre escala 6×1 e transporte gratuito
Além das críticas ao adversário, o presidente abordou propostas relacionadas ao trabalho, ao endividamento e ao transporte público.
Fim da escala 6×1
Lula defendeu o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso e afirmou que a mudança permitiria dois dias de folga por semana.
A discussão sobre a jornada de trabalho ganhou espaço no debate eleitoral de 2026, envolvendo questões como qualidade de vida, produtividade, custos para empresas e impactos sobre trabalhadores de diferentes setores.
A implementação de uma mudança dessa natureza depende das regras legais aplicáveis e dos procedimentos institucionais necessários.
Proposta relacionada a dívidas
O presidente também falou sobre medidas para pessoas endividadas. Segundo ele, uma proposta do governo permitiria negociar débitos com descontos elevados, mencionando uma redução de aproximadamente 95% em determinadas situações.
Lula citou ainda a possibilidade de um pagamento de R$ 5 mil para pessoas que regularizassem suas dívidas, afirmando que a medida não seria um empréstimo.
Os detalhes apresentados no palanque devem ser compreendidos como declarações sobre propostas de governo. A efetiva aplicação de qualquer benefício depende das regras, dos critérios de elegibilidade e da confirmação oficial de sua implementação.

Transporte público gratuito
Outra proposta mencionada foi a apresentação de uma iniciativa para garantir transporte público gratuito em cidades que contam com esse serviço.
Lula afirmou que pretendia encaminhar uma proposta ao Congresso Nacional e mencionou o uso de emendas parlamentares como possível fonte de financiamento.
A proposta foi apresentada durante o ato, mas sua viabilidade depende da definição do modelo de financiamento, das regras de funcionamento e da tramitação institucional.
Participantes relataram motivos para comparecer
Além dos discursos das lideranças, relatos de participantes mostraram diferentes razões para a presença na caminhada.
Entre os temas mencionados estavam a defesa da democracia, a continuidade de políticas públicas, o acesso à educação, os direitos sociais e a preocupação com os rumos do país.
Uma participante de Porto Alegre, que atualmente mora em Ivoti, relatou ter superado dificuldades pessoais e associado sua trajetória ao acesso a políticas públicas. Outros participantes destacaram a importância da mobilização nas ruas e nas redes sociais na reta final da disputa.
A estudante de Relações Públicas Zandria Sanchez, de 27 anos, falou sobre a importância das políticas de cotas para o acesso às universidades públicas. Sua mãe, Silvia Lourenço, técnica de enfermagem de Alvorada, também participou da caminhada e destacou a defesa de direitos conquistados.
Os depoimentos demonstram que a mobilização reuniu pessoas com diferentes trajetórias, embora os relatos individuais não representem necessariamente a opinião de todos os participantes.

Como a caminhada afetou o trânsito de Porto Alegre?
A concentração de pessoas e a circulação do ato provocaram alterações na rotina de trânsito do Centro Histórico. A movimentação exigiu atenção de motoristas, passageiros do transporte coletivo e pedestres que precisavam circular nas proximidades do percurso.
A Avenida Borges de Medeiros concentrou parte importante da caminhada. Vias próximas também registraram movimentação relacionada à passagem do público e à organização do evento.
A Avenida Salgado Filho, que teve o trânsito afetado durante a mobilização, foi liberada posteriormente para ônibus e veículos, conforme informações divulgadas durante o acompanhamento do ato.
A liberação permitiu a retomada da circulação no trecho, embora eventos de grande porte possam provocar mudanças temporárias em linhas de transporte coletivo e no deslocamento de quem trabalha ou utiliza serviços na região central.
Qual é o peso eleitoral da visita de Lula ao RS?
A passagem por Porto Alegre ocorreu a seis dias do segundo turno presidencial, em uma etapa na qual as campanhas intensificam a mobilização de eleitores e a divulgação de propostas.
No primeiro turno, Lula foi o candidato mais votado em Porto Alegre, com 377.252 votos, equivalentes a 48,57% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 325.139 votos, correspondentes a 41,86%, segundo os números eleitorais divulgados para a Capital.
No Rio Grande do Sul como um todo, o desempenho foi diferente: Lula recebeu 2.294.759 votos, equivalentes a 35,73%, e ficou atrás de Flávio Bolsonaro no Estado.
Esses números ajudam a contextualizar a estratégia eleitoral, mas não determinam o resultado do segundo turno. A votação seguinte depende das escolhas dos eleitores e da participação nas urnas.
A caminhada buscou demonstrar capacidade de mobilização e fortalecer a campanha de Lula na Capital. O tamanho do público, por si só, não permite prever o resultado eleitoral.

O que aconteceu depois da caminhada?
Após o ato em Porto Alegre, Lula seguiu com a agenda de campanha. Para a terça-feira (20), estavam previstas atividades no Maranhão, em Pernambuco e na Bahia.
A passagem pela Capital marcou uma das últimas grandes mobilizações presenciais do candidato no Rio Grande do Sul antes do segundo turno.
Para Porto Alegre, o evento deixou como principais registros a concentração de apoiadores no Centro Histórico, os discursos de lideranças políticas, o debate sobre propostas nacionais e os reflexos temporários no trânsito.
O resultado da disputa presidencial será definido pelos votos registrados nas urnas no domingo (25).










