Mayanna Angelina Rodgers recebeu liberdade provisória mediante medidas cautelares, incluindo tornozeleira eletrônica e proibição de contato com os filhos. A defesa pretende buscar autorização judicial para uma possível reaproximação com as crianças, que permanecem acolhidas em um abrigo.
A saída de Mayanna Angelina Rodgers, de 29 anos, da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, nesta sexta-feira (9), marca uma nova etapa no caso da morte de Oliver Grayson, de três anos, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A mulher estava presa preventivamente desde julho e responde a acusações relacionadas à suposta omissão diante de agressões sofridas pelos filhos.
A liberdade provisória foi concedida pela Justiça após pedido da defesa, que argumentou pela substituição da prisão preventiva por medidas cautelares. A decisão, no entanto, não encerra o processo criminal nem autoriza automaticamente a retomada do contato entre Mayanna e os filhos.
Segundo reportagem do Correio do Povo, a mãe deixou a unidade prisional por volta das 11h45, acompanhada de seus advogados. A equipe jurídica informou que pretende apresentar ao Judiciário alternativas para viabilizar um eventual encontro com as crianças, respeitando as restrições impostas pela decisão.
Defesa pretende buscar reaproximação com as crianças
Após a soltura, um dos principais objetivos dos advogados é tentar restabelecer, de forma gradual e mediante autorização judicial, o contato de Mayanna com os filhos sobreviventes.
De acordo com as informações divulgadas pelo Correio do Povo, o advogado André von Berg afirmou que a defesa pretende formalizar o pedido e sugerir que um eventual encontro ocorra no Fórum de Porto Alegre ou em outro local considerado adequado pelas autoridades.
A defesa também informou que o filho mais velho, de nove anos, teria manifestado interesse em ver a mãe. Conforme o relato do advogado à publicação, essa manifestação teria sido comunicada ao Judiciário por uma assistente social do abrigo. Até a divulgação da reportagem, o encontro ainda não havia acontecido.
A situação exige uma distinção importante: a manifestação de vontade de uma criança não significa autorização automática para o encontro. A decisão deverá considerar as medidas judiciais vigentes e, principalmente, a segurança e o bem-estar dos menores.
Atualmente, Mayanna continua proibida de se aproximar ou manter contato com os filhos. Qualquer mudança nessa condição depende de decisão judicial. A soltura, portanto, não representa a recuperação da guarda nem o restabelecimento imediato da convivência familiar.

Quais medidas Mayanna deverá cumprir após a soltura?
A liberdade provisória foi concedida com condições determinadas pela Justiça. As medidas têm o objetivo de assegurar que a investigada permaneça à disposição do Judiciário enquanto o processo criminal continua.
Entre as principais determinações estão:
- Tornozeleira eletrônica: monitoramento por meio eletrônico.
- Recolhimento domiciliar: permanência em casa das 20h às 6h e nos dias de folga, conforme as condições estabelecidas na decisão.
- Restrição de deslocamento: proibição de deixar a região da comarca de Porto Alegre.
- Proibição de contato: Mayanna não pode se aproximar dos filhos nem manter contato com eles.
- Entrega do passaporte: a documentação deverá ser entregue à Justiça.
- Comparecimento judicial: obrigação de comparecer aos atos processuais para os quais for convocada.
As condições foram divulgadas pelo Correio do Povo. O descumprimento das medidas pode levar o Judiciário a reavaliar a liberdade concedida.
Por que a Justiça autorizou a saída da prisão?
A decisão foi tomada pela 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal da Comarca de Viamão, após solicitação dos advogados de Mayanna.
Segundo a defesa, houve uma mudança relevante no enquadramento da situação penal da mulher: ela não responde por homicídio no caso de Oliver, mas por supostos crimes de tortura por omissão. Os advogados sustentaram que a prisão preventiva não seria mais necessária diante das circunstâncias atuais do processo.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), conforme relatado pelo Correio do Povo, não concordou com o pedido de soltura. Mesmo assim, o magistrado decidiu substituir a prisão preventiva por medidas cautelares.
É necessário distinguir a decisão sobre a prisão do julgamento das acusações. A concessão da liberdade provisória não equivale a uma absolvição. Mayanna continuará respondendo ao processo, e as acusações ainda deverão ser examinadas durante a tramitação judicial.

Qual é a acusação contra a mãe de Oliver?
A investigação sobre a morte de Oliver e as agressões sofridas pelas crianças levou à responsabilização penal dos pais por condutas distintas.
Conforme as informações divulgadas pelo Correio do Povo, Mayanna responde por quatro crimes de tortura por omissão. A acusação sustenta que ela teria conhecimento das agressões contra os filhos e deixado de impedir os episódios de violência ou de comunicá-los às autoridades, apesar do dever legal de proteção das crianças.
A investigação que relacionava a mãe ao homicídio de Oliver foi arquivada em relação a ela. Isso significa que ela não foi denunciada por esse crime, embora permaneça acusada de outras condutas relacionadas à violência contra as crianças.
A defesa, por sua vez, sustenta que Mayanna também era vítima de violência doméstica e que sofria controle por parte do companheiro. Segundo os advogados, ela teria sido submetida a uma situação de violência e dificuldade para buscar ajuda.
Essas alegações integram a versão apresentada pela defesa e devem ser consideradas dentro do processo, sem antecipar conclusões sobre a responsabilidade criminal da mulher.
O que se sabe sobre a morte do menino Oliver?
Oliver Grayson tinha três anos e morreu em julho de 2026, após sofrer graves agressões em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o pai da criança, D’Andre Jermaine Grayson, teria agredido o menino após se irritar porque ele não respondeu a um cumprimento. A acusação aponta que o homem desferiu socos contra a criança e bateu sua cabeça contra o chão.
Oliver foi hospitalizado com ferimentos graves, incluindo traumatismo craniano e fratura no fêmur. A criança morreu após permanecer internada.
O pai foi denunciado por homicídio qualificado e por quatro crimes de tortura relacionados às crianças da família. A denúncia aponta que os episódios de violência teriam ocorrido entre o início de 2024 e julho de 2026, em diferentes estados brasileiros, incluindo São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
As acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda devem ser submetidas ao devido processo legal, com análise das provas e direito de defesa.

Defesa do pai também se manifesta sobre a soltura
Os advogados de D’Andre Grayson também se manifestaram após a decisão que concedeu liberdade provisória a Mayanna.
Segundo o Correio do Povo, a defesa do pai afirmou lamentar que a mãe continue impedida de conviver com os filhos, apesar de estar fora da prisão. Os advogados também declararam que pretendem apresentar provas e argumentos durante a instrução criminal para buscar um julgamento justo.
D’Andre permanece preso preventivamente, enquanto o processo segue seu curso.
As manifestações das duas defesas demonstram que, além da discussão sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos, a situação dos filhos sobreviventes e a possibilidade de convivência familiar também estão entre os pontos que poderão exigir novas decisões judiciais.
O que pode acontecer a partir de agora?
Os próximos passos envolvem a continuidade do processo criminal, a análise das provas e a realização dos atos judiciais previstos. A defesa de Mayanna informou que aguarda a designação da audiência de instrução e a oitiva das testemunhas.
Paralelamente, os advogados pretendem apresentar ao Judiciário uma proposta para eventual contato entre a mãe e os filhos. Até que haja autorização compatível com as medidas em vigor, permanece a proibição de aproximação e comunicação.
O caso também envolve decisões sobre a proteção das crianças que sobreviveram às agressões denunciadas. A eventual retomada do convívio familiar precisará considerar a situação individual dos menores e as determinações das autoridades responsáveis pelo acolhimento e pela proteção.
A liberdade de Mayanna altera sua situação prisional, mas não encerra as questões criminais nem as decisões relacionadas à guarda e à convivência com os filhos.







