Polícia Civil concluiu investigação sobre ataque ocorrido dentro de oficina em Sobradinho; vítima foi atingida por três disparos e segue em recuperação.
A Polícia Civil concluiu a investigação sobre o caso que terminou com um mecânico baleado dentro da própria oficina, em Sobradinho, no Vale do Rio Pardo, e indiciou o policial militar Djavan Roger Fritsch, de 44 anos, por tentativa de homicídio qualificado.
O caso ocorreu em 1º de agosto, quando o policial deixou o local onde estava trabalhando, em Passa Sete, e se deslocou até Sobradinho. Na oficina, houve uma discussão com o proprietário do estabelecimento, Wilian Wink, de 32 anos, conhecido como “Alemão Performance”.
Durante o episódio, o policial efetuou quatro disparos com a arma funcional. Três atingiram o mecânico.
Wilian sofreu ferimentos graves e precisou passar por procedimentos cirúrgicos. Segundo informações encaminhadas à investigação, os disparos provocaram lesões no fígado, intestino e braço.
A vítima permanece sob cuidados médicos e aguarda transferência para Porto Alegre para dar continuidade ao tratamento.
Conflito já existia antes dos disparos
A investigação mostrou que o episódio não começou naquele dia.
Havia um histórico de conflitos entre o policial, familiares e a oficina. Parte das reclamações estava relacionada ao barulho provocado pelas motocicletas preparadas no estabelecimento.
A oficina era especializada na preparação de motos para competições, e o funcionamento do local gerava reclamações de moradores próximos.
De acordo com relatos reunidos durante a apuração, o policial já havia registrado ocorrências relacionadas à perturbação do sossego. A família do mecânico também havia feito registros envolvendo supostas ameaças.
A esposa do policial afirmou, após o episódio, que a família buscava uma solução para o problema havia aproximadamente dois anos e que teria procurado diferentes órgãos públicos.
Esse histórico foi considerado pela investigação para compreender a motivação do conflito, mas não altera a conclusão sobre a gravidade do uso da arma de fogo.
Quatro disparos foram efetuados dentro da oficina
As imagens de câmeras de segurança e os depoimentos colhidos pela Polícia Civil foram utilizados para reconstruir o episódio.
Segundo a investigação, o policial entrou em confronto verbal com o mecânico e acabou efetuando os disparos.
Wilian foi atingido por três tiros.
O quarto disparo não atingiu diretamente a vítima. A investigação também analisou o relato de uma pessoa que estava na oficina e teria tentado intervir durante a discussão.
O uso da arma funcional passou a ser um dos elementos centrais da investigação.
Para a Polícia Civil, a dinâmica registrada no local apresenta elementos suficientes para caracterizar tentativa de homicídio, e não apenas uma ocorrência de lesão corporal.
PM estava armado com equipamento funcional
Outro aspecto considerado pelas autoridades foi o fato de o policial ter deixado o serviço e se deslocado até a oficina portando a arma funcional.
No dia do episódio, ele estava escalado para trabalhar em Passa Sete, mas deixou o posto e foi até Sobradinho.
Após os disparos, o policial retornou a uma unidade da Brigada Militar, entregou a arma utilizada e foi preso em flagrante.
Além do inquérito conduzido pela Polícia Civil, a Brigada Militar abriu investigação própria para apurar a conduta funcional do agente.
A apuração militar envolve, entre outros pontos, o possível abandono de posto e as circunstâncias relacionadas ao uso da arma da corporação.
Justiça já havia decretado prisão preventiva
O policial permanece preso no Presídio Policial Militar, em Porto Alegre.
A Justiça Militar já havia decretado a prisão preventiva em razão das questões relacionadas à esfera militar. Posteriormente, a Justiça comum também decretou a prisão preventiva no processo relacionado à tentativa de homicídio.
Com o indiciamento concluído pela Polícia Civil, o caso avança para a análise do Ministério Público.
Caberá ao órgão avaliar as conclusões do inquérito e decidir se apresentará denúncia contra o policial.
Se houver denúncia e ela for aceita pela Justiça, o processo poderá avançar para julgamento pelo Tribunal do Júri, já que a acusação envolve crime doloso contra a vida.
Vítima ainda enfrenta consequências dos ferimentos
Enquanto o processo avança no campo criminal, Wilian continua enfrentando as consequências físicas dos disparos.
Os ferimentos atingiram órgãos internos e exigiram procedimentos cirúrgicos. A família acompanha a recuperação e aguarda a possibilidade de transferência para Porto Alegre.
O caso também provocou mobilização em Sobradinho. Familiares, amigos e moradores participaram de manifestação pedindo justiça para o mecânico.
A situação expõe ainda um problema anterior ao crime: durante meses, havia uma disputa envolvendo perturbação do sossego, funcionamento da oficina e conflitos entre moradores.
A existência dessas reclamações, porém, não transforma o conflito em autorização para uma reação armada. A partir do momento em que uma arma é utilizada contra uma pessoa, a discussão passa para outro patamar e passa a ser analisada pelas autoridades criminais.
Investigação encerra uma etapa, mas caso ainda terá novos capítulos
O indiciamento da Polícia Civil encerra a fase investigativa conduzida pela autoridade policial, mas não representa uma condenação.
Agora, o Ministério Público deverá analisar as provas reunidas e decidir sobre eventual denúncia.
A Justiça também terá de avaliar as circunstâncias do episódio, as imagens, os depoimentos, os laudos periciais e demais elementos produzidos durante a investigação.
O caso, portanto, ainda está longe de uma decisão definitiva.
O que já está estabelecido pela investigação é que um conflito antigo terminou com quatro disparos dentro de uma oficina, três deles atingindo o mecânico, e que o policial responsável pelos tiros responderá à apuração criminal por tentativa de homicídio.










