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Prefeitura estuda mudança histórica no Trensurb

Prefeitura e Trensurb firmaram acordo para avaliar mudanças em 2,7 quilômetros da linha férrea, entre a Rua Caiçara e a Avenida Rio Grande do Sul. Projeto busca melhorar a ligação entre o Centro e a Zona Oeste, mas ainda depende de estudos técnicos e definição de recursos.

A Prefeitura de Canoas e a Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb) iniciaram uma nova etapa de discussão sobre o futuro da linha férrea que atravessa a região central do município. As instituições firmaram um termo de cooperação técnica para estudar alternativas de alteração do traçado do trem em um trecho de aproximadamente 2,7 quilômetros.

A proposta prevê retirar os trilhos do nível do solo entre a Rua Caiçara, na região central, e a Avenida Rio Grande do Sul, no bairro Mathias Velho. Duas possibilidades serão analisadas: elevar a linha férrea, deixando o trem em uma estrutura suspensa, ou construir um trecho subterrâneo.

A iniciativa tem como principal objetivo melhorar a integração entre as regiões Leste e Oeste de Canoas, atualmente separadas por importantes barreiras físicas, como a linha do trem e a BR-116.

Apesar da expectativa de transformação urbana, o projeto ainda está em fase de estudos. O acordo firmado entre a prefeitura e a Trensurb não representa autorização para início de obras, não estabelece investimento imediato e não garante que uma das alternativas será executada.

Trecho de 2,7 quilômetros será avaliado

O trecho em análise passa pela região central de Canoas e envolve a área da estação Canoas, além da ligação ferroviária em direção à estação Mathias Velho.

A retirada dos trilhos do nível do solo poderia modificar significativamente a organização urbana da região. Atualmente, a passagem da linha férrea cria uma divisão física entre diferentes áreas da cidade e limita as possibilidades de deslocamento entre os dois lados.

Segundo o prefeito de Canoas, Airton Souza, existem atualmente apenas sete pontos de travessia entre as regiões. A administração municipal considera que essa limitação prejudica a circulação de moradores, trabalhadores, motoristas, ciclistas e pedestres.

A proposta busca ampliar a conexão entre os bairros e facilitar o acesso ao Centro, além de estimular o desenvolvimento econômico de áreas que enfrentam dificuldades de integração urbana.

Duas alternativas estão na mesa: trem elevado ou subterrâneo

O estudo conjunto deverá comparar duas soluções de engenharia para o trecho ferroviário.

1. Elevação da linha férrea

A primeira alternativa prevê construir uma estrutura elevada para que os trens circulem acima do nível das ruas.

Nesse modelo, os trilhos seriam sustentados por uma estrutura própria, permitindo liberar áreas no nível do solo e reduzir os conflitos entre a circulação ferroviária e os deslocamentos urbanos.

A elevação poderá facilitar a criação de novas conexões entre bairros, além de abrir possibilidades para reorganizar espaços públicos e melhorar a circulação de veículos e pedestres.

2. Rebaixamento da linha para um trecho subterrâneo

A segunda possibilidade prevê construir uma estrutura subterrânea para a passagem dos trens.

Essa alternativa também permitiria retirar os trilhos da superfície, reduzindo a divisão urbana provocada pela ferrovia. Entretanto, exigiria obras de escavação, intervenções de engenharia e avaliações específicas sobre o impacto na infraestrutura existente e na operação do sistema ferroviário.

A escolha dependerá de estudos técnicos, financeiros e operacionais. Não existe, neste momento, uma decisão definitiva sobre qual modelo será adotado.

Estação Canoas precisará ser reconstruída

Independentemente da alternativa escolhida, a estação Canoas precisaria passar por uma reconstrução.

Se a linha for elevada, a estrutura da estação deverá ser adaptada para funcionar em um nível superior. Caso o modelo subterrâneo seja considerado mais adequado, será necessário desenvolver uma estação compatível com a nova configuração da ferrovia.

Essa intervenção representa um dos pontos importantes da análise, já que a mudança não envolve apenas deslocar os trilhos. Será necessário avaliar acessos, circulação de passageiros, integração com outros meios de transporte, segurança e funcionamento da estrutura ferroviária.

A adaptação também deverá considerar a continuidade da operação do Trensurb durante eventuais obras, caso o projeto avance para uma fase de execução.

Prefeitura quer aproximar o Centro da Zona Oeste

A integração entre as regiões Leste e Oeste é uma das principais justificativas apresentadas pela administração municipal.

Canoas possui uma configuração urbana marcada pela presença da BR-116 e da linha férrea, que funcionam como obstáculos para a circulação entre diferentes áreas do município.

Na avaliação da prefeitura, a quantidade limitada de pontos de travessia aumenta os deslocamentos e dificulta o acesso a serviços, comércio, equipamentos públicos e oportunidades de trabalho.

O prefeito Airton Souza defende que a mudança poderá contribuir para desenvolver regiões que ficaram especialmente prejudicadas após a enchente de 2024.

A intenção é construir uma solução que vá além da infraestrutura ferroviária, promovendo uma reorganização urbana e criando condições para melhorar a qualidade de vida da população.

Projeto faz parte de uma estratégia maior de mobilidade

A discussão sobre a linha do trem está relacionada a outras intervenções planejadas para melhorar a integração urbana de Canoas.

Uma delas é o túnel da Rua Domingos Martins, que deverá passar por baixo da BR-116 para facilitar a ligação entre o Centro e a Zona Leste.

A obra já está em andamento, mas sofreu adiamentos no cronograma. A previsão atual divulgada pela prefeitura é de conclusão em março de 2027.

A administração municipal considera as duas iniciativas complementares: enquanto o túnel deverá melhorar a transposição da rodovia, a eventual alteração da linha férrea poderá reduzir outra barreira importante entre os bairros.

A combinação dessas intervenções poderá modificar a dinâmica de deslocamento no município, especialmente para quem precisa atravessar diariamente a região central.

Projeto de mudança da linha férrea é discutido há mais de uma década

A possibilidade de alterar o traçado do trem em Canoas não é recente.

Desde 2011, o município discute alternativas para reduzir os impactos da ferrovia sobre a circulação urbana. Naquele período, ganhou força uma proposta de rebaixamento da linha, com a construção de um trecho subterrâneo.

O projeto avançou em etapas de planejamento e chegou a receber recursos federais para a elaboração de estudos e projetos de engenharia. Entretanto, a obra não saiu do papel.

Em 2023, a proposta voltou a ser apresentada para avaliação no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com orçamento estimado pela prefeitura em aproximadamente R$ 953 milhões. A iniciativa não foi selecionada naquela etapa.

A atual discussão retoma o objetivo de integrar a cidade, mas considera também a possibilidade de elevar os trilhos, alternativa que poderá apresentar características diferentes em relação à proposta subterrânea anterior.

A mudança de estratégia demonstra que o município busca uma solução tecnicamente viável e financeiramente possível para um problema urbano que se arrasta há anos.

Quanto poderá custar a mudança?

Ainda não existe um orçamento definitivo para a execução da obra física.

Uma das etapas necessárias será desenvolver os estudos de viabilidade e elaborar os projetos de engenharia que permitam calcular os custos da intervenção.

Conforme informações divulgadas sobre a iniciativa, a elaboração dos projetos executivos poderá exigir aproximadamente R$ 10 milhões. A prefeitura busca alternativas de financiamento para viabilizar essa etapa, incluindo a possibilidade de recursos federais por meio do Novo PAC.

É importante diferenciar os valores: o custo estimado para desenvolver os projetos não corresponde ao valor total de uma eventual obra de elevação ou subterraneização da linha férrea.

O investimento necessário para executar a intervenção dependerá da alternativa escolhida, da extensão definitiva, das soluções de engenharia e das condições de financiamento.

O que acontece agora?

Um grupo técnico formado por representantes da prefeitura e da Trensurb deverá avaliar a viabilidade das duas alternativas.

A previsão informada na reportagem de GZH é de que os primeiros resultados sejam apresentados em um prazo de 60 a 90 dias.

A partir das análises, será possível identificar qual solução apresenta melhores condições técnicas e financeiras. Caso a elevação dos trilhos seja considerada a alternativa mais adequada, será necessário desenvolver um novo projeto e buscar recursos para viabilizar a execução.

A captação de financiamento ficará sob responsabilidade da prefeitura.

Portanto, ainda não existe data para início das obras, definição de orçamento final ou confirmação de qual modelo será adotado.

Mudança poderá transformar a mobilidade de Canoas

A eventual alteração do traçado do Trensurb representa uma discussão importante para o planejamento urbano de Canoas. A retirada dos trilhos do nível do solo poderá reduzir uma barreira histórica entre regiões do município e criar novas possibilidades de circulação.

A proposta também abre espaço para discutir a ocupação das áreas liberadas, a valorização do Centro, a integração dos bairros e a recuperação econômica de regiões afetadas pela enchente de 2024.

Entretanto, o principal desafio será transformar o planejamento em um projeto viável, com recursos garantidos e capacidade de execução sem comprometer o funcionamento do transporte público.

Depois de mais de uma década de discussões sobre o tema, Canoas volta a avaliar uma mudança estrutural na linha férrea. O resultado dos estudos será decisivo para determinar se a cidade poderá avançar em direção a uma nova configuração de mobilidade urbana.

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