Moradores e comerciantes do Bom Fim, em Porto Alegre, participaram de uma reunião sobre segurança pública e apresentaram uma série de relatos de furtos, roubos, arrombamentos e problemas recorrentes durante a madrugada. Representantes da Brigada Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Prefeitura e Ministério Público e Secretaria de Servicos Urbanos participaram do encontro e responderam às principais demandas da comunidade.

Entre os relatos apresentados, moradores citaram arrombamentos em estabelecimentos comerciais, furtos em prédios e situações envolvendo pessoas com facas ou facões. Um comerciante relatou prejuízos de milhares de reais após ocorrências repetidas em seu estabelecimento. Segundo os relatos apresentados na reunião, parte dos casos ocorre durante a madrugada, principalmente entre 2h e 5h.
A comunidade também cobrou maior integração entre as forças de segurança e questionou por que determinadas operações que apresentaram resultados acabaram sendo encerradas. Outro pedido foi por uma atuação mais concentrada em pontos considerados críticos, incluindo áreas próximas ao HPS, Redenção, Planetário, Santa Terezinha, Osvaldo Aranha e entorno do Centro Comercial Bom Fim.
Polícia Civil reforça importância do registro de ocorrência
O delegado responsável por uma das delegacias a 10a DP que atendem a região afirmou que o registro de ocorrência é fundamental para orientar as investigações e o planejamento das forças de segurança.
Segundo ele, informações compartilhadas em grupos de WhatsApp são úteis, principalmente quando acompanhadas de fotos e vídeos, mas não substituem o registro policial.
O chefe de investigação da 10ª Delegacia, Ronaldo, também orientou os moradores sobre a possibilidade de realizar determinados registros pela internet e anexar fotos, vídeos, áudios e prints. Segundo ele, esse material pode auxiliar diretamente na identificação dos autores.
Durante a reunião, o delegado também informou que a Polícia Civil possui uma unidade especializada na investigação de furtos de fios e cabos e relatou dificuldades relacionadas à reincidência de suspeitos.
Brigada Militar explica funcionamento do 190
O Tenente-Coronel Fabrício, representante da Brigada Militar, explicou que o 190 é o canal oficial para acionamento da corporação.
Segundo ele, as ligações são registradas e gravadas, permitindo o acompanhamento do atendimento e do despacho das guarnições. Grupos de WhatsApp podem auxiliar com imagens e informações sobre suspeitos, mas não substituem o acionamento oficial.
O oficial também apresentou números de atuação da corporação e afirmou que houve redução nos indicadores de roubos a pedestres na área atendida pelo batalhão. Segundo os dados apresentados na reunião, foram registradas 116 ocorrências em julho e 64 em agosto, além de uma redução de 45% na comparação de determinados períodos.
Fabrício também citou 1.066 prisões em flagrante, 120 foragidos recapturados, 29 armas de fogo e 103 armas brancas apreendidas em 2026, além de mais de 24 mil ocorrências atendidas na área mencionada.
Guarda Municipal promete intensificar ações
O subcomandante da Guarda Municipal de Porto Alegre, Marcos, reconheceu limitações de efetivo e anunciou medidas para ampliar a capacidade de atendimento.
Entre elas está a melhoria do sistema 153, atualmente baseado em atendimento eletrônico. Segundo Marcos, a Guarda trabalha para permitir que o cidadão tenha contato direto com um operador, com expectativa de melhoria do serviço nos próximos meses.
O subcomandante também afirmou que pretende discutir novas ações nos pontos considerados críticos do Bom Fim, inclusive com integração entre Guarda Municipal, Brigada Militar e Polícia Civil.
A proposta é intensificar o patrulhamento e desenvolver ações mais direcionadas para os locais apontados pelos moradores.
Prefeitura apresenta projeto com mais de 1.200 câmeras
O secretário Fleck afirmou que a Prefeitura trabalha em estudos para ampliar o sistema de videomonitoramento de Porto Alegre.
Segundo ele, está em estudo um projeto com mais de 1.200 câmeras, incluindo novas regiões da cidade. Também foi discutida a possibilidade de integração entre câmeras de condomínios e sistemas públicos.
A proposta, segundo o secretário, depende de uma estrutura tecnológica capaz de integrar os equipamentos e utilizar sistemas de análise das imagens.
Além da segurança, Fleck destacou ações relacionadas à iluminação pública, poda, conservação de praças e zeladoria.

Ministério Público destaca problema da reincidência
A representante do Ministério Público que participou da reunião destacou a importância da integração entre os órgãos públicos e falou sobre as dificuldades relacionadas à reincidência criminal e ao sistema prisional.
Segundo ela, a falta de vagas no sistema penitenciário contribui para que pessoas com múltiplas prisões em flagrante retornem às ruas em determinadas situações.
A representante também citou a existência de um comitê interinstitucional para o enfrentamento aos furtos de fios e cabos e ressaltou a importância de investigar não apenas quem pratica o furto, mas também a cadeia de receptação do material.
Comunidade pede atenção especial à madrugada
Ao final da reunião, moradores reforçaram que a preocupação não está restrita ao Bom Fim. A associação também apontou demandas em bairros do entorno e pediu uma atenção especial aos horários de maior incidência relatados pela comunidade.
Um levantamento informal realizado a partir de relatos publicados em grupos de moradores e empresários apontou, segundo o representante da comunidade, concentração de ocorrências entre 2h e 5h. A informação foi apresentada às forças de segurança como possível subsídio para o planejamento das rondas.
As autoridades, por sua vez, sinalizaram a intenção de avaliar ações mais direcionadas e integradas para os pontos indicados pelos moradores.
MPV vai acompanhar os encaminhamentos
O Jornal MPV acompanhou a reunião e ouviu moradores, comerciantes e representantes da Polícia Civil, Brigada Militar, Guarda Municipal, Prefeitura e Ministério Público e Secretaria de Obras de Porto Alegre.
Os relatos mostram que a preocupação da comunidade envolve não apenas crimes nas ruas, mas também prejuízos ao comércio, furtos de cabos, iluminação, arrombamentos e segurança durante a madrugada.
As autoridades apresentaram dados, limitações e medidas em andamento ou em estudo. Agora, o ponto central é acompanhar se os encaminhamentos anunciados serão efetivamente colocados em prática.
O Jornal MPV permanece à disposição dos moradores e comerciantes do Bom Fim e bairros do entorno para receber relatos, imagens e informações que possam contribuir para novas apurações.










