Número considera casos registrados com a tipificação de feminicídio até esta quarta-feira (19); parte das ocorrências ainda pode ter a classificação alterada após as investigações.
O Rio Grande do Sul chegou a 52 feminicídios registrados em 2026, segundo dados da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher da Polícia Civil. O número foi atualizado nesta quarta-feira (19) e considera casos que, até o momento, receberam a tipificação penal de feminicídio.
A própria Polícia Civil ressalta que nem todos os 52 casos estão definitivamente classificados como feminicídio. Algumas mortes ainda estão sob investigação e podem receber outro enquadramento caso as provas indiquem que o crime não ocorreu por razões relacionadas à condição de mulher da vítima.
O dado mais recente chama atenção porque ocorre em um ano no qual o Estado já contabilizava 46 feminicídios consumados até o início de agosto, conforme os números consolidados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). A diferença entre as duas estatísticas está relacionada à atualização mais recente dos casos pela Polícia Civil.
Polícia Civil registra 52 casos
Segundo a Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher, os 52 casos representam as ocorrências que receberam, até o momento, a classificação de feminicídio.
O número, porém, não deve ser interpretado automaticamente como uma estatística definitiva do ano.
Isso ocorre porque a tipificação pode mudar durante a investigação. Um caso inicialmente tratado como feminicídio pode deixar de receber esse enquadramento se as evidências demonstrarem que a morte não ocorreu por razões relacionadas à condição de mulher da vítima.
Essa diferença entre registro policial inicial e estatística consolidada é importante para interpretar corretamente os números.
Dois casos recentes em Porto Alegre ainda são investigados
Entre os casos mencionados pela Polícia Civil está a morte de Zenaide Lazzari Antunes, de 80 anos, em Porto Alegre.
A idosa morreu após cair do segundo andar do prédio onde morava, no bairro Floresta, na madrugada de terça-feira (18). O filho dela, de 49 anos, foi preso e é apontado como principal suspeito.
A Polícia Civil investiga a ocorrência como possível feminicídio, mas a classificação poderá ser modificada caso a investigação conclua que a morte não ocorreu em razão da condição de mulher da vítima.
Outro caso ainda em apuração é o de Cleusa Maria Soares, de 57 anos. O corpo da mulher foi localizado no bairro Morro Santana, em Porto Alegre, na segunda-feira (17), com sinais de violência.
Até a publicação dos dados, a autoria desse crime ainda não havia sido identificada.
Os dois casos demonstram por que o número de 52 registros ainda pode sofrer alterações.
Caso de adolescente em Encantado já é tratado como feminicídio
Entre os casos recentes que já receberam o enquadramento de feminicídio está a morte de Alice Nitz, de 14 anos, em Encantado, no Vale do Taquari.
A adolescente foi morta na segunda-feira (17). O ex-padrasto da vítima foi preso e, posteriormente, confessou o assassinato à Polícia Civil.
A investigação trata oficialmente o caso como feminicídio.
O episódio integra a sequência recente de ocorrências que elevou o número registrado pela Polícia Civil para 52.
Número oficial da SSP ainda era de 46 casos
Os dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul apresentam uma fotografia diferente porque são consolidados mensalmente.
Até o início de agosto, a SSP havia registrado 46 feminicídios consumados e 139 tentativas de feminicídio no Estado em 2026.
A SSP também contabilizava, até julho:
- 1.164 estupros;
- 9.638 ocorrências de lesão corporal no Estado.
Os números mostram que a violência contra as mulheres permanece presente em diferentes formas, desde agressões físicas até tentativas e assassinatos.
Número de feminicídios igualava 2025 no início de agosto
Outro dado relevante é a comparação com o ano passado.
Segundo os dados da SSP citados na reportagem, até o início de agosto de 2026 o Rio Grande do Sul tinha registrado o mesmo número de feminicídios do mesmo período de 2025.
No entanto, ao considerar todo o ano de 2025, foram contabilizados 80 feminicídios consumados e 263 tentativas no Estado.
Assim, os 52 casos registrados pela Polícia Civil até 19 de agosto não significam, isoladamente, que o Estado esteja acima ou abaixo do resultado anual anterior. A comparação correta depende do período analisado e da consolidação dos dados.
Por que um caso pode deixar de ser feminicídio?
A classificação de feminicídio depende das circunstâncias que envolvem a morte da mulher.
Por isso, uma ocorrência inicialmente registrada nessa categoria pode ser revista durante a investigação.
É exatamente o que pode ocorrer nos casos de Zenaide Lazzari Antunes e Cleusa Maria Soares, citados pela Polícia Civil.
No primeiro, a investigação ainda precisa esclarecer as circunstâncias da queda do prédio e a eventual relação com a condição de mulher da vítima. No segundo, além da dinâmica da morte, a autoria ainda não havia sido identificada.
Essa revisão é parte normal do processo de investigação criminal e evita que uma classificação preliminar seja tratada como conclusão definitiva.
O que os números mostram
Os dados divulgados nesta quarta-feira indicam que:
52 feminicídios foram registrados pela Polícia Civil em 2026 até 19 de agosto.
46 feminicídios consumados constavam nos dados consolidados da SSP até o início de agosto.
139 tentativas de feminicídio haviam sido registradas pela SSP até o início de agosto.
80 feminicídios consumados foram contabilizados durante todo o ano de 2025.
263 tentativas de feminicídio foram registradas em 2025.
A diferença entre os números da Polícia Civil e da SSP está principalmente no momento de atualização e consolidação dos dados.
Investigação pode alterar número
O total de 52 casos divulgado pela Polícia Civil deve ser entendido como um número atualizado de ocorrências com tipificação de feminicídio até o momento, e não necessariamente como o resultado definitivo de 2026.
À medida que os inquéritos avançam, alguns casos podem ser confirmados como feminicídio, enquanto outros podem receber uma classificação diferente.
O número consolidado do ano será conhecido somente após a conclusão das investigações e o fechamento das estatísticas oficiais.










