Serviço gratuito está disponível em todo o Brasil pelo Meu SUS Digital e pode realizar até 100 mil atendimentos por mês.
Mulheres em situação de violência passaram a contar com uma nova opção de atendimento psicológico gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde ampliou para todo o Brasil o serviço Acolhe Mais, que oferece teleatendimento em saúde mental por meio do aplicativo Meu SUS Digital.
A iniciativa disponibiliza capacidade para realizar até 100 mil teleatendimentos por mês e também contempla mulheres que exercem atividades de cuidado não remunerado de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
O serviço começou em março de 2026 como projeto-piloto nas cidades de Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ), inicialmente voltado exclusivamente para mulheres em situação de violência. Com a expansão, o atendimento passou a estar disponível para usuárias de todos os estados brasileiros.
Atendimento é feito por psicólogas
As consultas são realizadas de forma remota por psicólogas capacitadas pelo Ministério da Saúde para atuar no atendimento virtual de mulheres em situação de vulnerabilidade.
A proposta é oferecer um espaço de escuta qualificada, identificar possíveis situações de risco e iniciar um plano de cuidado individualizado.
No caso das mulheres que enfrentam violência, o primeiro contato inclui a avaliação da situação vivenciada, da existência de uma rede de apoio e das principais necessidades apresentadas pela paciente.
O acompanhamento pode ter até 10 sessões, com possibilidade de início de um novo ciclo quando houver necessidade.
Após essa etapa, a paciente poderá ser encaminhada para continuidade do atendimento em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em outro serviço disponível na rede pública de saúde.

Quem pode utilizar o serviço
O Acolhe Mais atende mulheres com 18 anos ou mais que estejam enfrentando ou tenham enfrentado situações de violência.
O serviço contempla diferentes formas de violência, incluindo:
- violência física;
- violência psicológica;
- violência sexual;
- violência patrimonial;
- violência moral.
Também podem utilizar o serviço mulheres que realizam cuidado não remunerado de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
Nesse segundo grupo estão incluídas mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que exercem atividades de cuidado.
Não é necessário encaminhamento
Uma das características do serviço é o acesso direto pela própria usuária.
Não é necessário encaminhamento prévio de uma unidade de saúde para solicitar o teleatendimento. Também não é exigida documentação específica que comprove a situação de violência ou a condição de cuidadora.
O primeiro passo é acessar o Meu SUS Digital utilizando a conta Gov.br.
Dentro do aplicativo, a usuária deve acessar a área de Miniapps e procurar a opção “Acolhe Mais + Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.
Depois do cadastro, a equipe responsável entra em contato em até 24 horas para que a usuária escolha a data e o horário da consulta. O link para a videochamada é disponibilizado antes do atendimento.

Horários do teleatendimento
Os atendimentos são realizados de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h, considerando o horário de Brasília.
As consultas têm duração mínima de 50 minutos e são estruturadas para permitir acompanhamento contínuo, buscando manter a mesma profissional ao longo do ciclo de atendimento sempre que possível.
O serviço é gratuito e possui mecanismos de proteção das informações fornecidas pelas usuárias, com observância do sigilo profissional e da legislação de proteção de dados.
Atendimento também funciona como porta de entrada para a rede pública
O Ministério da Saúde explica que o objetivo não é substituir o atendimento presencial oferecido pela rede pública.
A proposta é que o teleatendimento funcione como uma porta de entrada para o cuidado em saúde mental, permitindo identificar as necessidades da mulher e, quando necessário, encaminhá-la para os serviços disponíveis em seu município ou Estado.
Entre os possíveis encaminhamentos estão os CAPS e outros pontos da Rede de Atenção Psicossocial.
Quando houver necessidade de atendimento presencial ou acompanhamento especializado, a equipe poderá articular a continuidade do cuidado na rede local.

Serviço não substitui atendimento de emergência
O teleatendimento psicológico não deve ser utilizado como substituto dos serviços de emergência em situações de risco imediato.
Quando houver ameaça à integridade física ou à vida, a orientação é procurar atendimento emergencial.
Em casos de emergência, podem ser acionados:
- Polícia Militar: 190
- Samu: 192
- Central de Atendimento à Mulher: 180
O Ligue 180 funciona gratuitamente 24 horas por dia e oferece orientação, informações sobre direitos e encaminhamento para serviços da rede de atendimento às mulheres.
Expansão ocorre em todo o país
A ampliação do Acolhe Mais ocorre dentro da estratégia Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres, desenvolvida pelo Ministério da Saúde em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
O governo federal afirma que a expansão busca reduzir barreiras de acesso ao atendimento psicológico, principalmente para mulheres que podem enfrentar dificuldades para procurar presencialmente um serviço de saúde.
A oferta de atendimento remoto também permite que mulheres residentes em municípios com menor disponibilidade de profissionais tenham acesso a acompanhamento psicológico sem precisar se deslocar inicialmente até uma unidade especializada.
Como acessar
Para solicitar o atendimento, a mulher deve:
- Acessar o aplicativo Meu SUS Digital;
- Entrar utilizando a conta Gov.br;
- Acessar a área Miniapps;
- Selecionar Acolhe Mais + Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres;
- Fazer o cadastro;
- Informar se vive ou viveu situação de violência ou se exerce atividade de cuidado de familiar;
- Aguardar o contato da equipe em até 24 horas;
- Escolher a data e o horário da consulta;
- Acessar a videochamada pelo link enviado.
O cadastro também pode ser iniciado pela plataforma online do serviço Acolhe Mais.
A expansão do atendimento representa uma nova porta de acesso à assistência psicológica pelo SUS para mulheres em situação de violência e para cuidadoras familiares, com oferta nacional e possibilidade de continuidade do acompanhamento pela rede pública.










