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Tio confessa agressões contra menina de 4 anos

Homem de 22 anos foi preso preventivamente nesta quarta-feira (20); Polícia Civil investiga as circunstâncias que levaram à morte de Samylle Valentina Borba Ramiro

A investigação sobre a morte de Samylle Valentina Borba Ramiro, de quatro anos, ganhou um novo elemento nesta quarta-feira (20), em Porto Alegre. O tio da criança, Nicolas Gabriel Almeida Staubuss, de 22 anos, confessou à Polícia Civil que agrediu a menina antes de ela apresentar os sinais que levaram à busca por atendimento médico.

O suspeito foi preso preventivamente e encaminhado à 3ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, onde prestou depoimento. Segundo a delegada Alice Fernandes, responsável pela investigação, Nicolas admitiu ter dado palmadas na criança após ela ter feito cocô nas calças.

A versão apresentada pelo homem é de que as agressões teriam ocorrido com a intenção de “corrigir” o comportamento da menina. Ele afirmou aos investigadores que utilizou apenas as mãos e negou ter empregado qualquer objeto durante as agressões.

A Polícia Civil, entretanto, investiga o episódio dentro de um contexto mais amplo, considerando os ferimentos apresentados pela criança e as circunstâncias que antecederam sua morte.

Menina apresentou sinais de agravamento

Conforme o depoimento do suspeito, Samylle teria chorado depois das agressões. Posteriormente, segundo o relato apresentado à polícia, a criança passou a demonstrar sonolência e sede.

A procura por atendimento médico ocorreu quando o quadro teria evoluído. A menina começou a apresentar espuma pela boca, fraqueza no corpo e dificuldade para respirar.

A criança acabou morrendo, e a perícia apontou politraumatismo como causa da morte. Os exames realizados até o momento também não indicaram violência sexual.

Apesar da confissão das agressões, a Polícia Civil ainda trabalha para estabelecer exatamente como os ferimentos foram provocados e qual foi a participação de cada pessoa envolvida nos acontecimentos.

Versão apresentada inicialmente à unidade de saúde

Antes do avanço da investigação, uma versão diferente teria sido apresentada durante o atendimento médico.

Segundo a Polícia Civil, o casal informou na unidade de saúde que havia procurado atendimento porque a menina teria sofrido uma convulsão. Os hematomas encontrados no corpo da criança teriam sido atribuídos a uma queda durante uma brincadeira.

A versão passou a ser confrontada com outros elementos obtidos durante a investigação, entre eles depoimentos e resultados preliminares dos exames periciais.

Uma testemunha ouvida pela polícia também relatou que o tio teria agredido Samylle depois que ela havia feito cocô nas calças. A testemunha é a tia da menina, que afirmou ter chegado à residência e encontrado a criança ferida.

Guarda da menina também está sendo investigada

Outro ponto analisado pela Polícia Civil é a situação familiar da criança.

A guarda judicial de Samylle pertencia à mãe, mas a menina estava vivendo com os tios. A tia possuía um termo de responsabilidade emitido pelo Conselho Tutelar em julho.

Em depoimento aos investigadores, a mãe afirmou que não via a filha havia aproximadamente dois meses.

A situação da guarda e das pessoas que estavam responsáveis pelos cuidados da criança deverá ser considerada na apuração das circunstâncias que antecederam a morte.

Polícia aguarda novos laudos

A prisão do tio não encerra a investigação. A Polícia Civil ainda aguarda a conclusão dos laudos periciais oficiais, que deverão ajudar a esclarecer a dinâmica das lesões e a relação entre as agressões confessadas e a morte da menina.

Os investigadores também trabalham na extração de dados de aparelhos celulares apreendidos durante a apuração.

Neste momento, a investigação busca esclarecer não apenas a conduta confessada pelo tio, mas também como ocorreram as agressões, quando os ferimentos foram provocados e se outras pessoas poderão ser responsabilizadas pelo que aconteceu com a criança.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil em Porto Alegre.

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