Crimes ocorreram em Alegrete, Barra do Guarita, Porto Alegre e Caxias do Sul entre domingo (4) e segunda-feira (5); sequência acende alerta para a violência contra as mulheres no Estado.
O Rio Grande do Sul chegou a 60 feminicídios registrados em 2026 após uma sequência de quatro mortes de mulheres em um intervalo inferior a 48 horas. Os crimes ocorreram entre o domingo (4) e a segunda-feira (5), em Alegrete, Barra do Guarita, Porto Alegre e Caxias do Sul.
A sequência começou no domingo, quando duas mulheres foram vítimas de crimes investigados como feminicídio em diferentes regiões do Estado. Na segunda-feira, outros dois casos foram registrados, incluindo a morte de Thamires de Araújo Rodrigues, de 24 anos, na Restinga, em Porto Alegre, e o caso de Susiele Santos de Brito, de 32 anos, em Caxias do Sul.
A sucessão de ocorrências fez o número de feminicídios chegar a 60 casos no ano, colocando novamente a violência contra a mulher no centro do debate sobre segurança pública no Estado.
Quatro mortes em diferentes regiões do Estado
Os quatro casos aconteceram em municípios com características bastante diferentes e envolveram circunstâncias distintas. Em comum, estão as investigações relacionadas à violência de gênero e, em três dos casos, suspeitos que mantinham ou haviam mantido algum tipo de relacionamento com as vítimas.
A primeira ocorrência da sequência foi registrada em Alegrete, na Fronteira Oeste, durante a madrugada de domingo.
Pouco depois, outro caso ocorreu em Barra do Guarita, no Noroeste gaúcho.
Já na segunda-feira, a violência chegou à Restinga, em Porto Alegre, e posteriormente a Caxias do Sul, na Serra.
A concentração temporal dos crimes chamou atenção justamente pela proximidade entre as ocorrências. Em menos de dois dias, quatro mulheres foram mortas em diferentes pontos do Rio Grande do Sul.

Jovem é morta a tiros em Alegrete
Em Alegrete, a vítima foi Ana Cristina Pinheiro Milano do Canto, de 21 anos, segundo as informações mais recentes divulgadas pelas autoridades e veículos locais.
O crime ocorreu no bairro Assumpção, durante a madrugada de domingo (4). A vítima estava em uma residência quando foi atingida por disparos de arma de fogo. A irmã dela, de 29 anos, também foi baleada e recebeu atendimento médico.
O principal suspeito é um soldado do Exército, de 23 anos, identificado como Ellinton Moura Silva, que foi preso em flagrante pela Brigada Militar poucas horas depois.
Segundo a investigação divulgada pela Polícia Civil, o suspeito seria ex-companheiro da vítima. A polícia trabalha com a hipótese de que o homem não teria aceitado o fim do relacionamento.
O suspeito teria saído de uma festa, ido até a unidade militar onde trabalhava e, segundo a investigação, retirado uma arma antes de seguir até a residência da vítima. A dinâmica e a origem do armamento continuam sendo apuradas.
O Comando Militar do Sul informou que o Exército instaurou um Inquérito Policial Militar para investigar eventuais responsabilidades administrativas e penais relacionadas à conduta do soldado.
A Polícia Civil também investiga a possibilidade de outros crimes relacionados ao episódio, já que a irmã da vítima foi atingida e um vizinho teria tentado impedir a fuga do suspeito.
Mulher venezuelana é perseguida e morta em Barra do Guarita
Ainda no domingo, outro feminicídio foi registrado em Barra do Guarita, na região Noroeste do Estado.
A vítima foi identificada como Noraysis El Carmen Planche, mulher venezuelana de 36 anos.
Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu por volta das 7h50, na região central do município. A mulher estaria em casa quando começou uma discussão com o companheiro.
Durante o conflito, ela teria saído do imóvel e tentado fugir. Conforme o relato policial, o homem a perseguiu por aproximadamente duas quadras e a atacou com um canivete em via pública.
Um morador que presenciou a perseguição acionou a Brigada Militar.
O suspeito, também venezuelano e de 32 anos, teria provocado ferimentos no próprio pescoço após o ataque. Ele foi contido e preso em flagrante, sendo encaminhado ao Hospital Santo Antônio, em Tenente Portela.
De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil, não havia registro anterior de medida protetiva ou histórico conhecido de violência doméstica envolvendo o casal. A motivação do crime continua sendo investigada.

Porto Alegre registra feminicídio na Restinga
Na segunda-feira (5), o terceiro caso da sequência ocorreu em Porto Alegre.
Thamires de Araújo Rodrigues, de 24 anos, foi encontrada morta dentro de uma residência no bairro Restinga. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, ela foi morta a facadas.
O companheiro da vítima, de 29 anos, foi preso em flagrante e passou a ser investigado pela Polícia Civil pelo crime.
Segundo informações preliminares da investigação, vizinhos teriam ouvido uma discussão durante a madrugada. A Polícia Civil passou a apurar o que aconteceu dentro da residência e quais circunstâncias antecederam o assassinato.
Thamires era mãe de dois filhos e trabalhava como profissional da área de beleza. A investigação ainda busca esclarecer a dinâmica completa do crime e a motivação.
O caso reforçou a preocupação com a violência doméstica e familiar na Capital, especialmente diante do fato de que o suspeito e a vítima mantinham relacionamento.
Caxias do Sul registra o 60º caso
Horas depois, o Rio Grande do Sul chegou ao número de 60 feminicídios em 2026 com o caso registrado em Caxias do Sul.
A vítima foi Susiele Santos de Brito, de 32 anos. O corpo foi encontrado na tarde de segunda-feira (5) em uma área de vegetação localizada entre os bairros Diamantino e Jardim das Hortênsias.
Dois homens, de 32 e 35 anos, foram presos durante as diligências.
A investigação começou após informações sobre um veículo que teria sido utilizado para transportar a vítima. Imagens de câmeras de segurança ajudaram os policiais a localizar um Chevrolet Astra, encontrado posteriormente na região da ERS-122.
Um dos homens foi preso durante a abordagem do veículo. O segundo suspeito também foi localizado e detido.
A Polícia Civil investiga a participação de cada um deles e tenta esclarecer exatamente onde ocorreram as agressões e qual foi a sequência dos acontecimentos.
O caso também envolve elementos que ainda estão sendo analisados pela perícia, incluindo objetos encontrados durante as diligências. A investigação trabalha com diferentes hipóteses, que ainda não podem ser tratadas como conclusões definitivas.

Quatro feminicídios em menos de 48 horas
A sequência de mortes chama atenção principalmente pela concentração temporal.
Entre domingo e segunda-feira, quatro mulheres foram mortas em quatro municípios gaúchos:
- Alegrete: Ana Cristina Pinheiro Milano do Canto, 21 anos;
- Barra do Guarita: Noraysis El Carmen Planche, 36 anos;
- Porto Alegre: Thamires de Araújo Rodrigues, 24 anos;
- Caxias do Sul: Susiele Santos de Brito, 32 anos.
Os casos ocorreram em diferentes regiões do Estado e apresentaram dinâmicas distintas.
Em Alegrete, a investigação envolve disparos de arma de fogo e um ex-companheiro da vítima.
Em Barra do Guarita, a vítima teria sido perseguida pelo companheiro antes de ser atacada.
Na Restinga, em Porto Alegre, o companheiro da vítima foi preso após o assassinato.
Em Caxias do Sul, dois homens foram presos e a Polícia Civil ainda investiga a participação de cada suspeito.
Essa diferença entre os casos mostra que a violência contra a mulher pode ocorrer em diferentes contextos e circunstâncias, não se limitando a um único padrão de comportamento ou região.
RS chega a 60 feminicídios em 2026
Com a morte de Susiele, o Estado chegou a 60 feminicídios registrados em 2026.
O número representa uma parcela significativa das mortes violentas de mulheres registradas no Rio Grande do Sul e mantém o feminicídio entre os principais desafios da segurança pública e das políticas de proteção às mulheres.
Dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) são atualizados periodicamente e permitem acompanhar os registros de violência contra a mulher no Estado. O levantamento oficial inclui feminicídios consumados, tentativas, ameaças, lesões corporais e outros crimes relacionados à violência doméstica e familiar.
Em agosto, por exemplo, o Estado registrou nove feminicídios durante o mês, segundo os indicadores criminais divulgados pela SSP-RS.
Em todo o ano de 2025, foram registrados 80 feminicídios no Rio Grande do Sul, além de 263 tentativas, de acordo com os dados utilizados nos levantamentos sobre violência contra a mulher.

Número pode sofrer alterações
É importante destacar que os números de feminicídio podem sofrer alterações durante o andamento das investigações.
Isso acontece porque a classificação inicial de uma morte pode ser modificada conforme a Polícia Civil reúne novas provas e esclarece a motivação do crime.
Em determinadas situações, uma ocorrência inicialmente registrada como homicídio pode posteriormente ser caracterizada como feminicídio caso sejam identificados elementos relacionados à violência doméstica, familiar ou ao menosprezo e discriminação contra a condição de mulher.
Da mesma forma, uma classificação inicialmente atribuída pode ser revista ao longo do inquérito.
Por isso, os dados estatísticos devem ser analisados considerando a data de atualização e a situação das investigações.
IGP cria núcleo especializado em feminicídios
A sequência de crimes ocorre justamente no momento em que o Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS) anunciou uma nova estrutura especializada para esse tipo de investigação.
O órgão criou o Núcleo de Perícias em Feminicídio (Nupefem), destinado a qualificar a atuação pericial nos casos de feminicídio.
A estrutura deverá desenvolver protocolos específicos e padronizar procedimentos relacionados à busca, documentação, interpretação, coleta e acondicionamento de vestígios encontrados em locais de crimes contra mulheres.
A iniciativa busca melhorar a produção de provas e a interpretação dos elementos encontrados durante as perícias, contribuindo para investigações mais qualificadas.

Violência contra a mulher exige prevenção
Os quatro casos registrados em menos de 48 horas também chamam atenção para a importância da prevenção.
Especialistas e autoridades reforçam que situações de ameaça, perseguição, agressões físicas, violência psicológica, controle excessivo e ameaças dentro de relacionamentos podem representar sinais de risco.
A existência ou ausência de registros anteriores, entretanto, não permite prever isoladamente a ocorrência de um feminicídio. Nos casos recentes de Barra do Guarita e Alegrete, por exemplo, informações divulgadas pelas autoridades indicam que não havia registros anteriores de medidas protetivas envolvendo os casais.
Por isso, o enfrentamento à violência contra a mulher depende de uma rede que envolva segurança pública, Justiça, assistência social, saúde e mecanismos de proteção.
Onde buscar ajuda
Mulheres que estejam sofrendo violência ou estejam em situação de ameaça podem procurar ajuda por meio dos canais oficiais.
O Ligue 180 é o canal nacional de atendimento à mulher e recebe denúncias e pedidos de orientação relacionados à violência contra a mulher.
Em situações de emergência ou quando há risco imediato à vida, a orientação é acionar a Brigada Militar pelo telefone 190.
Também é possível procurar uma Delegacia da Mulher ou uma unidade policial para registrar a ocorrência e buscar orientação sobre medidas de proteção.

Quatro histórias, um alerta para o Estado
A morte de quatro mulheres em menos de 48 horas não representa apenas uma sequência estatística.
São quatro famílias atingidas, filhos que perderam mães, parentes que perderam filhas, irmãs e companheiras, além de comunidades que passaram a conviver com a repercussão de crimes violentos.
Com 60 feminicídios registrados em 2026, o Rio Grande do Sul volta a enfrentar um alerta sobre a necessidade de prevenção, investigação e proteção.
Os quatro casos mais recentes ainda terão desdobramentos policiais e judiciais. Em todos eles, as investigações precisam avançar para esclarecer as circunstâncias, identificar responsabilidades e garantir que os fatos sejam analisados dentro do devido processo legal.
A sequência registrada entre domingo e segunda-feira, porém, já deixa um dado impossível de ignorar: quatro mulheres foram vítimas de feminicídio em menos de 48 horas no Rio Grande do Sul.










