Medida provisória destina recursos principalmente ao diesel rodoviário. Pacote também prevê redução de tributos sobre gasolina e medidas de apoio ao etanol, em meio à alta internacional do petróleo.
O governo federal anunciou nesta sexta-feira (9) um conjunto de medidas para tentar conter a alta dos combustíveis no Brasil. Entre as iniciativas está a liberação de R$ 7,52 bilhões em crédito extraordinário para financiar subsídios à produção e à importação de combustíveis derivados de petróleo.
A autorização foi formalizada pela Medida Provisória nº 1.395, de 8 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira. Os recursos serão destinados ao Ministério de Minas e Energia, por meio de ações executadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Do total autorizado, R$ 6,17 bilhões serão destinados à subvenção da produção e da importação de óleo diesel de uso rodoviário. Outros R$ 1,35 bilhão serão aplicados em programas de apoio à produção e à importação de outros combustíveis derivados de petróleo.
A medida busca reduzir a pressão provocada pelo encarecimento do petróleo no mercado internacional e contribuir para a manutenção do abastecimento nacional.
Além da liberação dos recursos, o governo anunciou alterações tributárias envolvendo gasolina e etanol, além de uma nova subvenção à importação de diesel. As iniciativas têm caráter temporário e procuram amenizar os efeitos da alta dos combustíveis sobre consumidores, transportadores e empresas.
Como serão distribuídos os R$ 7,52 bilhões?
A maior parte dos recursos será direcionada ao diesel rodoviário, combustível utilizado principalmente no transporte de cargas e em diversas atividades econômicas.
A divisão prevista na Medida Provisória nº 1.395 é a seguinte:
- R$ 6,17 bilhões: subsídios à produção e à importação de óleo diesel de uso rodoviário.
- R$ 1,35 bilhão: subsídios à produção e à importação de outros combustíveis derivados de petróleo.
- Total: R$ 7,52 bilhões: crédito extraordinário destinado ao Ministério de Minas e Energia.
O dinheiro financiará programas de subvenção econômica previstos em medidas provisórias anteriores, que estabelecem mecanismos de apoio financeiro aos agentes do mercado de combustíveis.
Na prática, a subvenção é um instrumento utilizado pelo governo para reduzir parte dos custos de determinadas operações. O objetivo é tornar a produção ou a importação economicamente viável em um cenário de preços internacionais elevados.
É importante destacar que os R$ 7,52 bilhões não serão distribuídos diretamente aos motoristas. Os recursos destinam-se ao financiamento dos programas de subsídio e não representam um desconto automático nas bombas dos postos.
A efetiva redução dos preços dependerá da aplicação das regras dos programas e de como os benefícios serão transmitidos ao longo da cadeia de produção, importação, distribuição e revenda.

Por que o governo quer conter a alta dos combustíveis?
A elevação das cotações internacionais do petróleo tem pressionado os custos dos combustíveis em diferentes mercados.
A instabilidade geopolítica no Oriente Médio, região estratégica para a produção e a exportação mundial de petróleo, aumentou as preocupações sobre a oferta internacional e provocou oscilações nos preços da commodity.
Quando o petróleo e seus derivados ficam mais caros no mercado externo, o custo de aquisição dos combustíveis pode aumentar para produtores e importadores brasileiros.
Esse cenário afeta especialmente o diesel, que possui papel central no transporte rodoviário de cargas no país. Caminhões são responsáveis por uma parcela significativa do transporte de alimentos, medicamentos, matérias-primas, combustíveis e produtos industrializados.
Se o diesel fica mais caro, transportadoras e empresas podem enfrentar aumento nas despesas operacionais. Dependendo das condições do mercado, parte desses custos pode ser repassada aos preços dos produtos e serviços.
A gasolina também tem impacto direto no orçamento das famílias, sobretudo para quem utiliza veículos particulares ou trabalha com transporte de passageiros e entregas.
Diante desse cenário, o governo anunciou medidas financeiras e tributárias para tentar reduzir a pressão sobre os preços e preservar as condições de abastecimento.
Subsídio adicional de R$ 1,40 por litro de diesel importado
Uma das medidas anunciadas prevê uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro de diesel rodoviário importado, pelo período de 30 dias.
Esse benefício será somado à subvenção de R$ 2,12 por litro que já estava em vigor para as operações contempladas pelo programa.
Com isso, os dois incentivos podem alcançar, nominalmente, R$ 3,52 por litro de diesel importado elegível às regras da política de subsídios.
A iniciativa procura reduzir o custo das importações e estimular a entrada do combustível no mercado brasileiro, ajudando a preservar a oferta nacional.
O mecanismo é relevante porque o Brasil depende de importações para complementar o abastecimento de diesel. Quando o preço internacional aumenta, trazer o produto de outros países pode se tornar mais caro, pressionando os custos internos.
Entretanto, o valor combinado dos subsídios não deve ser interpretado como um desconto garantido de R$ 3,52 por litro para o consumidor.
O benefício está condicionado às regras do programa e é direcionado aos agentes econômicos habilitados. O preço final depende também dos custos logísticos, da distribuição, da tributação e das margens comerciais.

Governo reduz tributos federais sobre a gasolina
O pacote anunciado nesta sexta-feira também inclui a redução dos tributos federais incidentes sobre a gasolina.
A desoneração de PIS/Cofins foi ampliada de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, conforme as informações divulgadas pelo governo. A medida tem prazo de 30 dias e busca reduzir a carga tributária sobre o combustível.
A iniciativa procura aliviar parte dos custos que chegam ao consumidor em um período de pressão sobre as cotações internacionais do petróleo.
A redução tributária, porém, não significa que todos os postos terão obrigatoriamente uma queda de R$ 0,89 no preço final. O efeito depende da transmissão do benefício pela cadeia comercial e das condições de mercado.
Para verificar o resultado efetivo, será necessário acompanhar os preços praticados nos postos e os levantamentos realizados pela ANP.
Etanol também terá benefício tributário
O governo anunciou ainda a prorrogação da desoneração do etanol hidratado, com benefício tributário de R$ 0,19 por litro, conforme as condições estabelecidas para a medida.
O etanol hidratado é utilizado diretamente nos veículos flex e concorre comercialmente com a gasolina. Alterações nos custos e na tributação podem influenciar a relação de preços entre os dois combustíveis.
A manutenção do benefício busca evitar que o encerramento das medidas anteriores provoque pressão adicional sobre os preços.
Assim como ocorre com a gasolina, a desoneração não garante uma redução idêntica em todos os postos. Os valores finais dependem dos custos de produção, transporte, distribuição e revenda, além das condições de oferta e demanda em cada região.

Fiscalização busca coibir aumentos abusivos
Além dos subsídios e das medidas tributárias, o governo anunciou o reforço da fiscalização no mercado de combustíveis.
A ANP e os órgãos de defesa do consumidor atuam no monitoramento dos preços e no cumprimento das regras aplicáveis a produtores, distribuidoras e postos de revenda.
A fiscalização procura identificar práticas abusivas e aumentos sem justificativa econômica, conforme os critérios legais aplicáveis.
A existência de um aumento de preço, isoladamente, não comprova uma irregularidade. Para caracterizar uma infração, é necessário analisar as circunstâncias, os custos envolvidos e as evidências reunidas pelos órgãos competentes.
As medidas de fiscalização buscam garantir que as regras sejam respeitadas e que eventuais benefícios concedidos pelo poder público tenham o efeito esperado sobre o mercado.
A medida provisória já está em vigor?
A Medida Provisória nº 1.395 foi publicada no Diário Oficial da União em 9 de outubro de 2026 e entrou em vigor na data de sua publicação.
A norma abre o crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões e tem força de lei desde a publicação, mas ainda precisa passar pela análise do Congresso Nacional, conforme o procedimento constitucional aplicável às medidas provisórias.
O crédito extraordinário é um instrumento orçamentário utilizado para atender despesas urgentes e imprevisíveis, observadas as condições previstas na Constituição Federal.
A autorização dos recursos, contudo, não significa que todo o dinheiro será necessariamente gasto de forma imediata. A execução depende da operacionalização dos programas, das regras de concessão dos subsídios e das despesas efetivamente realizadas.

Como as medidas podem afetar o Rio Grande do Sul?
No Rio Grande do Sul, os preços dos combustíveis influenciam os custos de transporte, a distribuição de mercadorias e as despesas de empresas que dependem de veículos para funcionar.
Em Porto Alegre e na Região Metropolitana, transportadoras, prestadores de serviços, empresas de logística e trabalhadores que utilizam veículos podem sentir os efeitos das oscilações nos preços do diesel e da gasolina.
O diesel tem importância especial para o transporte de cargas, que abastece supermercados, comércios, indústrias e outros setores da economia.
Quando os custos de transporte aumentam, existe a possibilidade de repasse parcial aos preços de produtos e serviços. Esse efeito, entretanto, não é automático nem ocorre na mesma proporção em todos os setores.
A redução de custos proporcionada pelos subsídios e pelas medidas tributárias poderá ajudar a amenizar a pressão econômica, mas o resultado dependerá da evolução do mercado e da aplicação efetiva dos benefícios.
Também podem existir diferenças entre municípios e regiões devido a fatores como logística, concorrência, distância dos centros de distribuição e condições locais de oferta e demanda.
Os combustíveis vão ficar mais baratos nos postos?
Ainda não é possível garantir uma redução uniforme dos preços em todo o Brasil.
As medidas anunciadas pelo governo procuram diminuir parte dos custos da cadeia de combustíveis, mas o preço final depende de diversos fatores, entre eles:
- Cotação internacional do petróleo e de seus derivados.
- Taxa de câmbio e custo das importações.
- Tributos federais e estaduais.
- Custos de transporte, armazenamento e distribuição.
- Margens comerciais de distribuidoras e postos.
- Condições regionais de oferta e demanda.
A desoneração tributária pode reduzir parte da carga de impostos, enquanto os subsídios buscam aliviar custos de produção e importação. O resultado efetivo para o consumidor dependerá da combinação desses fatores.
A recomendação é acompanhar os preços divulgados pela ANP e comparar os valores praticados pelos postos da região antes de abastecer.

O que acontece agora?
O governo federal pretende utilizar os subsídios, a redução tributária e a fiscalização para conter os efeitos da alta internacional do petróleo sobre o mercado brasileiro.
A liberação de R$ 7,52 bilhões representa uma autorização orçamentária voltada principalmente ao diesel rodoviário, enquanto as medidas relacionadas à gasolina e ao etanol atuam sobre a tributação e os custos de comercialização.
Nos próximos dias, a aplicação dos programas e a evolução dos preços serão importantes para avaliar a efetividade das ações.
Para o consumidor, o principal indicador será o comportamento dos valores cobrados nos postos. Para as empresas, o impacto dependerá da redução efetiva dos custos de aquisição e transporte dos combustíveis.
Em resumo: o governo autorizou R$ 7,52 bilhões para financiar subsídios à produção e à importação de combustíveis. O pacote inclui medidas adicionais para diesel, gasolina e etanol, mas não garante, por si só, uma redução imediata e uniforme dos preços nas bombas.







