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Sarampo avança e acende alerta no RS

Brasil registra 52 casos importados da doença em 2026. Rio Grande do Sul não tem confirmações neste ano, mas autoridades reforçam a vigilância e recomendam manter a vacinação em dia.

O avanço do sarampo em diferentes países das Américas e o aumento de casos registrados no Brasil acenderam um alerta para as autoridades de saúde. Embora o Rio Grande do Sul não tenha casos confirmados da doença em 2026, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) monitora o cenário e reforça a necessidade de identificar rapidamente possíveis infecções.

Até 5 de outubro, o Brasil havia registrado 52 casos importados de sarampo, segundo o Ministério da Saúde. São Paulo concentra a maior parte das confirmações, com 41 casos, seguido pelo Amazonas, com dez, e pelo Rio de Janeiro, com um.

Os registros estão relacionados à entrada do vírus no país, especialmente em um contexto de circulação internacional da doença. Apesar dos casos, o Brasil permanece sem transmissão endêmica sustentada do sarampo, condição que exige vigilância contínua para ser mantida.

O principal risco para o Rio Grande do Sul é a chegada de uma pessoa infectada e a transmissão posterior para indivíduos sem proteção vacinal. Por ser altamente contagioso, o sarampo pode se espalhar rapidamente quando encontra pessoas suscetíveis.

Surto nas Américas preocupa autoridades

O cenário internacional é um dos fatores que explicam a preocupação das autoridades sanitárias. Países das Américas enfrentam surtos expressivos, com milhares de casos e mortes registrados ao longo de 2026.

Em avaliação divulgada em 9 de outubro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informou que a região havia registrado 55.792 casos confirmados e 77 mortes entre 4 de janeiro e 3 de outubro de 2026, distribuídos por 17 países e territórios.

O total representa um aumento de 4,8 vezes em relação ao mesmo período de 2025. Guatemala, México, Estados Unidos, Peru e Canadá concentram a maior parte das confirmações.

A OPAS aponta que a baixa cobertura vacinal em determinadas comunidades, somada ao aumento das viagens nacionais e internacionais, amplia as oportunidades de disseminação do vírus. Eventos com grandes concentrações de pessoas também podem favorecer a transmissão quando há indivíduos infectados e pessoas não imunizadas no mesmo ambiente.

Por que o sarampo voltou a preocupar?

O sarampo é uma doença infecciosa causada por um vírus e transmitida pelo ar, principalmente por meio de partículas respiratórias liberadas quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou respira.

A doença apresenta uma capacidade elevada de transmissão. Segundo especialistas citados pelo Correio do Povo, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas suscetíveis que tenham contato próximo e não estejam imunizadas.

Outro fator importante é que a transmissão pode ocorrer antes do aparecimento das manchas vermelhas na pele, dificultando a identificação precoce dos casos e favorecendo a disseminação.

A queda da cobertura vacinal em algumas regiões também contribui para o retorno da doença. Quando muitas pessoas deixam de se vacinar, o vírus encontra mais indivíduos suscetíveis e pode formar cadeias de transmissão.

Nos Estados Unidos, mais de 90% dos casos registrados em 2026 envolvem pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida, segundo o Ministério da Saúde brasileiro.

Quais são os sintomas do sarampo?

Os primeiros sinais podem ser confundidos com os de outras infecções respiratórias. Por isso, é importante observar a evolução dos sintomas, especialmente quando há histórico de viagem ou contato com alguém que possa estar infectado.

Os principais sintomas são:

  • Febre alta, geralmente acima de 38,5 °C.
  • Tosse seca.
  • Coriza, com nariz escorrendo.
  • Conjuntivite, provocando vermelhidão e irritação nos olhos.
  • Manchas brancas na parte interna da boca, conhecidas como manchas de Koplik.
  • Manchas vermelhas na pele, que costumam começar no rosto e na cabeça e depois se espalhar pelo corpo.

A presença desses sintomas não confirma, por si só, o diagnóstico. A avaliação deve ser realizada por profissionais de saúde, que poderão indicar os exames e as medidas necessárias.

Quem apresentar sintomas suspeitos, especialmente após viagem internacional ou contato com um caso confirmado, deve procurar orientação médica e avisar previamente o serviço de saúde sobre a suspeita, para reduzir o risco de exposição de outras pessoas.

Quem corre maior risco de desenvolver complicações?

Embora o sarampo possa atingir pessoas de diferentes idades, alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver quadros graves.

Entre eles estão:

  • Crianças menores de cinco anos, principalmente bebês e crianças sem vacinação completa.
  • Gestantes, devido ao risco de complicações durante a gravidez.
  • Pessoas com imunidade comprometida, como pacientes submetidos a determinados tratamentos oncológicos ou que utilizam medicamentos imunossupressores.
  • Adultos não vacinados, que também podem desenvolver formas graves da doença.

Entre as possíveis complicações estão pneumonia, infecções de ouvido e encefalite, uma inflamação do cérebro. Em situações graves, o sarampo pode provocar a morte.

Por isso, a prevenção e a identificação rápida de casos suspeitos são fundamentais para evitar a disseminação e reduzir o risco de complicações.

Qual é o risco para o Rio Grande do Sul?

O Rio Grande do Sul não registrou casos confirmados de sarampo em 2026 até a publicação da reportagem do Correio do Povo, em 10 de outubro. Mesmo assim, a Secretaria Estadual da Saúde mantém o monitoramento diante da circulação do vírus em outros estados e países.

O território gaúcho já registrou casos importados em anos anteriores. Em 2024, uma criança que havia viajado para um país asiático teve diagnóstico confirmado. Em 2025, um homem de 50 anos, com viagem recente aos Estados Unidos, também foi diagnosticado em Porto Alegre.

Segundo as informações divulgadas, os dois episódios não resultaram em cadeias de transmissão no Estado.

A principal preocupação é a possibilidade de uma pessoa infectada chegar ao Rio Grande do Sul e transmitir o vírus antes de receber o diagnóstico. Por esse motivo, a vigilância epidemiológica precisa identificar suspeitas rapidamente, investigar os contatos e adotar medidas de controle quando necessário.

O Centro Estadual de Vigilância em Saúde reforça que a notificação imediata de casos suspeitos e a vacinação são essenciais para evitar que o vírus volte a circular no Estado.

Vacinação é a principal forma de prevenção

A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O esquema de rotina prevê a primeira dose aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses, conforme o Calendário Nacional de Vacinação. Para crianças de seis a 11 meses e 29 dias, pode haver indicação de uma dose adicional, chamada de dose zero, em situações epidemiológicas específicas. Essa aplicação não substitui as doses previstas no calendário de rotina.

Para pessoas que não têm o esquema completo, as recomendações dependem da idade e do histórico vacinal:

  • De 12 meses a 29 anos: em regra, duas doses para quem não tem comprovação de vacinação completa.
  • De 30 a 59 anos: em regra, uma dose para quem não tem comprovação de vacinação.
  • Crianças menores de um ano: devem seguir as orientações específicas do calendário e da vigilância epidemiológica.

Quem não sabe se recebeu as doses necessárias deve procurar uma unidade de saúde para conferir a caderneta e verificar se precisa atualizar a vacinação.

A vacina é contraindicada para gestantes e crianças menores de seis meses. Pessoas com imunossupressão grave ou histórico de reação alérgica grave a componentes da vacina precisam de avaliação profissional antes de qualquer decisão.

A proteção individual também ajuda a reduzir a circulação do vírus na comunidade, diminuindo as oportunidades de transmissão para pessoas que não podem receber determinadas vacinas.

O que as autoridades estão fazendo para conter a doença?

O Ministério da Saúde informou que intensificou as ações de vacinação e vigilância epidemiológica em áreas com casos confirmados ou maior risco de transmissão.

Entre as medidas estão a busca ativa de pessoas com sintomas suspeitos, a investigação dos casos, o monitoramento de quem teve contato com infectados e o bloqueio vacinal, quando indicado pelas equipes de saúde.

Em 2026, foram realizadas quatro grandes mobilizações de vacinação. Mais de 3,8 milhões de doses foram aplicadas em São Paulo e aproximadamente 192 mil no Amazonas, segundo os dados divulgados pelo governo federal.

A estratégia busca interromper possíveis cadeias de transmissão e impedir que casos importados provoquem surtos prolongados no país.

A manutenção de altas coberturas vacinais, associada à identificação rápida dos casos, é considerada essencial para evitar o restabelecimento da transmissão sustentada do sarampo no Brasil.

Atenção à vacinação e aos sintomas

O aumento de casos nas Américas não significa que exista um surto de sarampo no Rio Grande do Sul. Até a publicação da reportagem original, o Estado não tinha confirmações da doença em 2026.

No entanto, a circulação internacional do vírus exige atenção. Manter a vacinação em dia, reconhecer os sintomas e procurar orientação de saúde diante de uma suspeita são medidas importantes para proteger a população.

A recomendação é conferir a caderneta de vacinação, principalmente antes de viagens, e procurar uma unidade do SUS caso existam doses pendentes. A prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar que casos importados provoquem novas cadeias de transmissão.

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