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Veja quanto os deputados gastaram por voto

Levantamento com dados do DivulgaCandContas revela diferença nos gastos de campanha de deputados federais e estaduais eleitos no Rio Grande do Sul. Serviços gráficos, carros de som e impulsionamento nas redes sociais estão entre as principais despesas.

As eleições de 2026 no Rio Grande do Sul deixaram diferenças expressivas nos valores investidos pelas campanhas dos candidatos eleitos. Um levantamento baseado nos dados declarados à Justiça Eleitoral mostra que o custo médio por voto dos deputados eleitos variou de R$ 0,95 a R$ 45,15, considerando os gastos de campanha informados e o número de votos recebidos.

No pleito realizado em 4 de outubro, foram eleitos 31 deputados federais e 55 deputados estaduais no Estado. Para conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa, os candidatos utilizaram diferentes estratégias de divulgação, incluindo materiais gráficos, carros de som, assessoria de comunicação, publicidade e impulsionamento de publicações nas redes sociais.

Os números mostram que candidatos com votações expressivas podem apresentar custos médios por voto bastante diferentes. A comparação, entretanto, precisa considerar o volume de recursos declarado, o número de eleitores alcançados e as particularidades de cada campanha.

Os dados utilizados no levantamento estão disponíveis no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que reúne informações sobre candidaturas, arrecadação e despesas eleitorais.

Deputados federais: Maurício Marcon teve o menor custo por voto

Entre os deputados federais eleitos pelo Rio Grande do Sul, Maurício Marcon (PL) apresentou o menor custo médio por voto: R$ 0,95.

O parlamentar recebeu 379.834 votos, a maior votação entre os candidatos eleitos citados no levantamento. Segundo os dados divulgados, os serviços gráficos estiveram entre as principais despesas de sua campanha.

Na outra ponta, Luiz Carlos Busato (União Brasil) registrou o maior custo médio por voto entre os deputados federais eleitos, com R$ 31,13. Ele recebeu 60.127 votos, e os serviços de carros de som foram sua principal despesa.

A diferença entre os dois casos evidencia como o volume de votos e o total de gastos declarados influenciam o indicador utilizado na comparação.

Os cinco deputados federais eleitos com maior custo por voto

De acordo com o levantamento publicado pelo Correio do Povo, os cinco deputados federais eleitos com os maiores custos médios por voto foram:

  • Luiz Carlos Busato (União Brasil): R$ 31,13 por voto, com 60.127 votos.
  • Bibo Nunes (PL): R$ 25,57 por voto, com 74.207 votos.
  • Osmar Terra (PL): R$ 21,38 por voto, com 116.647 votos.
  • Denise Pessôa (PT): R$ 16,12 por voto, com 100.893 votos.
  • Lucas Redecker (PSD): R$ 16,06 por voto, com 99.817 votos.

Os dados também identificam diferenças nas estratégias de divulgação. Enquanto os serviços de carros de som se destacaram na campanha de Busato, Bibo Nunes, Denise Pessôa e Lucas Redecker tiveram os serviços gráficos entre suas principais despesas. No caso de Osmar Terra, a assessoria de comunicação foi apontada como o maior gasto.

O levantamento não demonstra que uma estratégia seja necessariamente mais eficiente do que outra. Ele permite comparar o custo médio declarado por voto, mas não mede isoladamente o alcance de cada ação de campanha ou sua influência sobre a decisão dos eleitores.

Deputados federais com menor custo médio por voto

Além de Maurício Marcon, outros deputados federais eleitos registraram custos médios relativamente baixos em relação ao número de votos recebidos.

Os cinco menores custos por voto identificados no levantamento foram:

  • Maurício Marcon (PL): R$ 0,95 por voto, com 379.834 votos.
  • Diogo Siqueira (PL): R$ 2,22 por voto, com 93.067 votos.
  • Rony Gabriel (Podemos): R$ 4,88 por voto, com 223.643 votos.
  • Valdeci Oliveira (PT): R$ 6,28 por voto, com 93.419 votos.
  • Marcelo Moraes (PL): R$ 6,50 por voto, com 103.292 votos.

As principais despesas também variaram entre as campanhas. Diogo Siqueira teve os serviços de correios como maior gasto, enquanto Rony Gabriel investiu principalmente no impulsionamento de publicações nas redes sociais.

Já Valdeci Oliveira e Marcelo Moraes tiveram os serviços gráficos entre suas principais despesas.

A presença de diferentes partidos nessa relação mostra que o custo médio por voto não depende exclusivamente da sigla partidária. O volume de recursos utilizado, a votação recebida e a distribuição das despesas também interferem no resultado.

Quanto custou o voto por partido na disputa federal?

O levantamento também comparou o custo médio por voto dos partidos com deputados federais eleitos no Rio Grande do Sul.

Entre as siglas citadas, o Novo apresentou o maior custo médio, de R$ 15,67 por voto. Na sequência aparecem MDB, Podemos, PP e PSOL.

Confira os valores:

  • Novo: R$ 15,67 por voto.
  • MDB: R$ 15,47 por voto.
  • Podemos: R$ 14,96 por voto.
  • PP: R$ 13,26 por voto.
  • PSOL: R$ 11,16 por voto.

No grupo com os menores custos médios por voto, o União Brasil aparece com R$ 8,19, seguido pelo Republicanos, com R$ 8,24; PCdoB, com R$ 9,68; PL, com R$ 9,97; e PT, com R$ 10,18.

Esses valores representam médias calculadas a partir dos gastos e votos considerados no levantamento. Não significam que todos os candidatos de um mesmo partido tenham apresentado custos semelhantes.

Deputados estaduais: Adriana Lara teve o maior custo por voto

Na disputa para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Adriana Lara (PL) apresentou o maior custo médio por voto entre os deputados estaduais eleitos.

A parlamentar recebeu 26.129 votos, com custo médio declarado de R$ 45,15 por voto. Os serviços gráficos foram apontados como sua principal despesa de campanha.

Na segunda posição aparece Sofia Cavedon (PT), que recebeu 37.167 votos, com custo médio de R$ 21,17 por voto.

O terceiro maior custo foi registrado por Gilmar Sossella (PDT), com R$ 20 por voto e 29.432 votos recebidos.

Os cinco deputados estaduais eleitos com maior custo por voto

A lista divulgada apresenta os seguintes nomes:

  • Adriana Lara (PL): R$ 45,15 por voto, com 26.129 votos.
  • Sofia Cavedon (PT): R$ 21,17 por voto, com 37.167 votos.
  • Gilmar Sossella (PDT): R$ 20,00 por voto, com 29.432 votos.
  • Eduardo Loureiro (PDT): R$ 15,87 por voto, com 39.890 votos.
  • Diego Picucha (PDT): R$ 14,62 por voto, com 32.004 votos.

Os serviços gráficos apareceram como a principal despesa nas campanhas de Adriana Lara, Sofia Cavedon, Gilmar Sossella, Eduardo Loureiro e Diego Picucha.

A comparação demonstra que o maior custo médio por voto não corresponde necessariamente ao maior número de votos recebidos. O indicador relaciona o total de despesas considerado no cálculo à votação de cada candidato.

Deputados estaduais com menor custo por voto

Entre os deputados estaduais eleitos, Daiane Mello (PL) apresentou o menor custo médio por voto, com R$ 1,07.

A parlamentar recebeu 32.158 votos, e o impulsionamento de publicações nas redes sociais foi apontado como sua principal despesa.

Roberto Lucchese (MDB) aparece em seguida, com custo médio de R$ 1,69 por voto e 71.720 votos recebidos.

A lista dos cinco deputados estaduais eleitos com menores custos médios é composta por:

  • Daiane Mello (PL): R$ 1,07 por voto, com 32.158 votos.
  • Roberto Lucchese (MDB): R$ 1,69 por voto, com 71.720 votos.
  • Leonel Radde (PT): R$ 2,22 por voto, com 38.772 votos.
  • Kelly Moraes (PT): R$ 2,46 por voto, com 56.436 votos.
  • Bruna Molz (Podemos): R$ 2,63 por voto, com 38.772 votos.

No caso de Roberto Lucchese, a publicidade em jornal foi identificada como a principal despesa. Leonel Radde teve os serviços gráficos entre os maiores gastos, enquanto o impulsionamento de publicações nas redes sociais se destacou nas campanhas de Kelly Moraes e Bruna Molz.

Custo médio por voto dos partidos na disputa estadual

A comparação entre os partidos na eleição para deputado estadual também apresentou diferenças.

Entre as siglas com os maiores custos médios por voto, o PCdoB aparece na primeira posição, com R$ 11,48. Na sequência estão PL, PSOL, Republicanos e PP.

Os valores são:

  • PCdoB: R$ 11,48 por voto.
  • PL: R$ 9,04 por voto.
  • PSOL: R$ 8,76 por voto.
  • Republicanos: R$ 8,54 por voto.
  • PP: R$ 8,48 por voto.

Já entre os partidos com os menores custos médios por voto, o Podemos aparece com R$ 3,62, seguido pelo MDB, com R$ 4,34; Novo, com R$ 5,09; União Brasil, com R$ 6,90; e PSD, com R$ 7,10.

Assim como na disputa federal, os valores são médias e não devem ser interpretados como o custo individual de todos os candidatos de cada partido.

Como é calculado o custo por voto?

O custo médio por voto é obtido pela divisão das despesas de campanha consideradas no levantamento pelo número de votos recebidos pelo candidato.

Por exemplo, se uma campanha declara R$ 100 mil em despesas e recebe 50 mil votos, o custo médio será de R$ 2 por voto.

Esse cálculo é um indicador financeiro, não uma medida direta do valor de cada voto ou de uma eventual compra de votos. A expressão se refere à relação matemática entre gastos declarados e votação.

Também é importante considerar que as campanhas podem receber recursos de diferentes fontes, incluindo fundos públicos, doações e recursos próprios, conforme as regras eleitorais. O custo médio não revela, isoladamente, a origem de todo o dinheiro ou o efeito de cada despesa sobre o resultado eleitoral.

Para verificar os valores individuais, o eleitor pode consultar o DivulgaCandContas, plataforma oficial do Tribunal Superior Eleitoral que reúne informações sobre receitas e despesas declaradas por candidatos e partidos.

Transparência eleitoral permite acompanhar os gastos

A divulgação das despesas de campanha faz parte das regras de transparência do processo eleitoral. Os dados permitem que cidadãos, jornalistas e pesquisadores acompanhem como os recursos foram arrecadados e utilizados durante a disputa.

O Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza sistemas para consulta das prestações de contas, incluindo informações sobre receitas, despesas contratadas, fornecedores e recursos destinados às campanhas.

Os dados também podem ser atualizados durante o processo de análise das contas. Por isso, os valores devem ser interpretados de acordo com a data da consulta e a situação da prestação de contas.

A comparação entre o custo médio por voto dos deputados eleitos no Rio Grande do Sul oferece um retrato dos gastos declarados nas eleições de 2026. Os números mostram diferenças expressivas entre candidaturas e partidos, mas não permitem concluir, por si só, que uma campanha foi mais eficiente ou que houve irregularidade.

O acompanhamento das prestações de contas e a consulta às informações oficiais são ferramentas importantes para a fiscalização cidadã e para a transparência do financiamento eleitoral.

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