Agência proibiu a venda, a distribuição, a manipulação e o uso do lote HXTZ251015 após descumprimento de ordem de destruição. Resolução também determina medidas contra outros produtos e empresas.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e o recolhimento de um lote de tirzepatida vinculado à empresa FarmaUSA Pharmaceutical Ltda. A decisão foi publicada nesta terça-feira (13) no Diário Oficial da União (DOU) e estabelece a proibição da comercialização, distribuição, manipulação e utilização do produto em todo o território nacional.
A medida envolve o lote HXTZ251015, identificado como tirzepatida de uso magistral na forma de pó liofilizado. Segundo a agência reguladora, a decisão foi motivada pelo descumprimento de uma determinação anterior que exigia a destruição do lote.
A medida consta na Resolução-RE nº 4.009, de 9 de outubro de 2026. O documento estabelece ações de fiscalização sanitária contra diferentes empresas e produtos, incluindo medicamentos, insumos farmacêuticos e preparações manipuladas.
A decisão reforça a fiscalização sobre produtos utilizados na preparação de medicamentos, especialmente diante das regras sanitárias que regulam a importação, a manipulação e a comercialização de substâncias farmacêuticas.
Por que a Anvisa determinou a apreensão?
De acordo com a resolução, a empresa FarmaUSA Pharmaceutical Ltda. descumpriu o Termo de Interdição para Destruição nº 35/2026, que já determinava a destruição do lote HXTZ251015.
A ordem anterior estava relacionada a um produto de uso magistral, apresentado na forma de pó liofilizado. Com o descumprimento da determinação, a Anvisa adotou novas medidas para impedir que o lote continue circulando no mercado.
A resolução prevê quatro ações principais contra o produto:
- Apreensão do lote.
- Recolhimento das unidades abrangidas pela determinação.
- Proibição da comercialização e da distribuição.
- Proibição da manipulação e do uso.
A decisão tem caráter sanitário e busca assegurar o cumprimento das determinações da agência reguladora.
O documento, porém, não detalha se o lote chegou a ser comercializado antes da proibição, nem informa a quantidade de unidades eventualmente distribuídas. Também não apresenta, nessa determinação, registro de eventos adversos associados especificamente ao lote.

Qual é a diferença entre a tirzepatida apreendida e o Mounjaro?
A tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, medicamento industrializado desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly. A substância atua sobre receptores hormonais relacionados ao controle da glicose e do apetite.
O medicamento possui indicações terapêuticas específicas aprovadas pelas autoridades sanitárias. A utilização deve ocorrer conforme a indicação médica, a prescrição e as informações oficiais do produto.
No caso da determinação publicada pela Anvisa, entretanto, o alvo é um lote específico de tirzepatida vinculado à FarmaUSA, descrito como produto de uso magistral na forma de pó liofilizado.
A decisão não equivale à proibição geral do Mounjaro industrializado. São produtos e contextos regulatórios diferentes, embora envolvam a mesma substância ativa.
Por isso, consumidores e profissionais de saúde devem conferir o nome do produto, o fabricante, o número do lote e as informações constantes na determinação oficial antes de tirar conclusões sobre outros medicamentos.
O que significa uso magistral?
O termo uso magistral está relacionado à preparação de medicamentos em farmácias de manipulação, conforme uma prescrição individualizada e as normas sanitárias aplicáveis.
Esse tipo de preparação está sujeito a requisitos específicos de qualidade, segurança, rastreabilidade e controle sanitário. A existência de uma substância farmacêutica conhecida não significa que qualquer produto preparado com ela esteja automaticamente autorizado para comercialização ou utilização.
No caso da tirzepatida, a fiscalização também envolve o cumprimento das regras aplicáveis aos insumos farmacêuticos e às preparações manipuladas.
A proibição do lote da FarmaUSA decorre do descumprimento de uma ordem anterior de destruição, conforme a motivação descrita na resolução. Portanto, não se deve atribuir à decisão um motivo diferente daquele expressamente informado pela agência.

Outras empresas também foram alvo de medidas sanitárias
A Resolução-RE nº 4.009 não trata apenas da tirzepatida. O documento reúne determinações contra diferentes empresas e produtos, com medidas que variam conforme as irregularidades identificadas.
Entre os casos descritos estão:
MC Legacy Lab Produtos Médicos e Farmacêuticos: a Anvisa determinou a suspensão da comercialização, manipulação, propaganda e uso de implantes hormonais estéreis produzidos pela empresa. Segundo a agência, foram identificadas irregularidades envolvendo a manipulação de produtos não autorizados, a ausência de prescrições individualizadas e a liberação de produtos antes da conclusão de testes de esterilidade e endotoxinas.
Pharmácia Mamede: a agência suspendeu a comercialização e a propaganda de preparações magistrais após identificar a oferta de produtos manipulados padronizados e não individualizados, sem a prescrição exigida pelas normas sanitárias.
Naturell Indústria e Comércio: foram proibidos o armazenamento, a comercialização e a distribuição de determinados insumos farmacêuticos abrangidos pela resolução, em razão de não conformidades identificadas em inspeção sanitária.
Global Supplies: a resolução determina o recolhimento e a suspensão de atividades relacionadas aos produtos abrangidos pela medida, após a identificação de falhas no sistema de gestão da qualidade, no controle de qualidade, na rastreabilidade, no armazenamento e na liberação de lotes.
Merz Farmacêutica: a determinação inclui medidas de apreensão e proibição relacionadas a unidades do medicamento Xeomin identificadas como falsificadas, devido a divergências na identificação dos lotes, nas datas e na rotulagem.
Farmarin Indústria e Comércio: a agência determinou o recolhimento voluntário e a suspensão da comercialização, distribuição e uso de um lote de cloreto de sódio 20% solução injetável, após a confirmação de um desvio de qualidade envolvendo a presença de um corpo estranho na solução.
As medidas são específicas para cada empresa e produto. Não significa que todos os medicamentos ou todas as atividades dessas empresas estejam sujeitos à mesma proibição: é necessário observar o alcance descrito em cada item da resolução.
O que fazer se alguém tiver o lote proibido?
Quem tiver um produto identificado como lote HXTZ251015 deve interromper sua utilização e procurar orientação de um profissional de saúde e da autoridade sanitária competente sobre os procedimentos de recolhimento e destinação.
Não se deve descartar medicamentos ou insumos de maneira inadequada, nem tentar transferir o produto para outra embalagem ou utilizá-lo em preparações caseiras.
Profissionais de saúde, farmácias e estabelecimentos que trabalham com medicamentos devem conferir seus estoques e registros de rastreabilidade para identificar eventuais unidades abrangidas pela determinação.
Caso exista dúvida sobre a identificação de um produto, é importante conferir a embalagem, o fabricante, o número do lote e a publicação oficial da Anvisa.
A medida publicada não informa se houve danos à saúde associados especificamente ao lote apreendido. Por isso, não é possível concluir, apenas com base nessa resolução, que ocorreram intoxicações ou outros eventos adversos relacionados ao produto.
Pessoas que tenham utilizado o medicamento e apresentem sintomas ou reações inesperadas devem procurar atendimento de saúde. A suspeita de reação adversa também pode ser comunicada pelos canais oficiais de vigilância sanitária.

Fiscalização busca garantir o cumprimento das regras sanitárias
A Anvisa possui competência legal para determinar apreensões, recolhimentos e suspensões quando identifica situações que exigem intervenção sanitária.
Essas medidas podem ser adotadas para impedir que produtos irregulares continuem sendo comercializados, distribuídos ou utilizados, além de garantir o cumprimento das normas aplicáveis à fabricação, importação e manipulação de medicamentos.
O caso da FarmaUSA chama atenção porque a determinação de apreensão está vinculada ao descumprimento de uma ordem anterior de destruição de um lote específico.
A fiscalização também evidencia a importância da rastreabilidade dos medicamentos e insumos, permitindo identificar a origem dos produtos, os lotes envolvidos e os estabelecimentos que eventualmente os receberam.
A orientação para consumidores e profissionais é acompanhar as publicações oficiais e não confundir uma proibição específica com uma restrição geral a todos os medicamentos que contenham a mesma substância ativa.
O Jornal MPV acompanhará novas determinações da Anvisa relacionadas à tirzepatida e a outros medicamentos sujeitos a medidas de fiscalização sanitária.









