O mais recente boletim hidrológico divulgado nesta terça-feira (28) pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH/UFRGS), trouxe uma perspectiva mais favorável para Porto Alegre em relação ao comportamento do Guaíba diante da nova onda de chuvas prevista para o Rio Grande do Sul. Conforme o documento, mesmo no cenário considerado mais crítico pelos modelos hidrológicos, o lago deverá permanecer abaixo da cota de inundação, embora possa ultrapassar o nível de alerta nos próximos dias.
A atualização representa uma melhora em relação às projeções divulgadas anteriormente, quando havia a possibilidade de o Guaíba atingir a cota de inundação caso os maiores acumulados de chuva se confirmassem nas bacias que alimentam o lago. Com os novos dados meteorológicos e hidrológicos, os especialistas passaram a trabalhar com um cenário de menor risco para Porto Alegre, sem deixar de manter o monitoramento permanente.
Apesar da melhora nas projeções, os técnicos reforçam que a situação ainda exige atenção. O comportamento do Guaíba depende diretamente das chuvas registradas em rios como Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí, cujas águas deságuam no lago antes de chegar à Capital.
Pico do Guaíba é esperado até 1º de agosto
Segundo o boletim, a tendência de queda observada nos últimos dias foi interrompida após as chuvas registradas nas bacias hidrográficas do interior do Estado.
Como consequência, o nível do Guaíba deverá voltar a subir gradualmente, atingindo seu pico até 1º de agosto, conforme as projeções atuais.
Mesmo nesse cenário, os modelos apontam que a elevação deverá permanecer acima da cota de alerta, porém sem alcançar a cota oficial de inundação utilizada para Porto Alegre.
Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que as previsões são atualizadas diariamente e podem sofrer alterações conforme o comportamento das chuvas previstas para os próximos dias.
Boletins são atualizados diariamente
Os boletins hidrológicos são elaborados a partir da integração entre dados meteorológicos, medições dos rios e modelos computacionais de previsão.
O trabalho é desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em conjunto com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS), instituições responsáveis pelo monitoramento contínuo do comportamento hidrológico das principais bacias gaúchas.
Segundo os técnicos, os modelos levam em consideração fatores como:
- volume de chuva já registrado;
- previsão meteorológica para os dias seguintes;
- vazão dos principais rios;
- tempo de deslocamento da água até o Guaíba;
- influência dos ventos sobre o lago.
Essas informações permitem atualizar diariamente as projeções de nível do Guaíba e orientar as ações dos órgãos públicos.
Chuvas no interior continuam influenciando o lago
Embora Porto Alegre nem sempre registre grandes volumes de chuva, o comportamento do Guaíba depende principalmente do que ocorre nas regiões localizadas ao norte da Capital.
As águas provenientes das bacias dos rios Jacuí, Taquari-Antas, Caí, Sinos e Gravataí levam horas ou até dias para chegar ao lago.
Por isso, mesmo após a redução da chuva em Porto Alegre, o nível do Guaíba pode continuar subindo em razão da água que ainda está descendo pelo sistema hidrográfico do Estado.
Esse fenômeno explica por que o monitoramento hidrológico é considerado tão importante quanto a previsão meteorológica.
Especialistas destacam que previsões podem mudar
Os responsáveis pelo boletim ressaltam que toda previsão hidrológica possui um grau de incerteza.
Isso ocorre porque o comportamento dos rios depende diretamente da precisão das previsões meteorológicas, que podem sofrer alterações conforme novos dados são incorporados aos modelos.
No próprio documento, os pesquisadores destacam que os cenários apresentados devem ser interpretados como projeções técnicas, sujeitas a revisões sempre que houver mudanças significativas nas condições climáticas.
Por esse motivo, novos boletins continuarão sendo divulgados diariamente enquanto permanecer o risco de chuvas intensas no Rio Grande do Sul.
Lembrança da enchente de 2024 mantém população em alerta
Mesmo com a melhora das projeções, qualquer previsão de elevação do Guaíba desperta preocupação entre moradores da Região Metropolitana.
A enchente histórica de maio de 2024 levou o lago ao maior nível já registrado, superando inclusive a marca histórica de 1941 e provocando uma das maiores tragédias climáticas do Brasil.
A inundação atingiu bairros inteiros de Porto Alegre, paralisou serviços públicos, interrompeu o funcionamento do Aeroporto Salgado Filho, alagou a Rodoviária e deixou milhares de famílias desalojadas.
Desde então, o acompanhamento diário do comportamento do Guaíba passou a ser uma das principais ferramentas utilizadas pelos órgãos públicos para planejamento de ações preventivas.
Defesa Civil mantém monitoramento permanente
Apesar da projeção mais favorável, a Defesa Civil e os demais órgãos de monitoramento seguem acompanhando a evolução das chuvas e dos níveis dos rios em tempo real.
Caso os modelos meteorológicos indiquem volumes superiores aos atualmente previstos, novas projeções poderão ser divulgadas e medidas preventivas poderão ser adotadas pelas autoridades estaduais e municipais.
A orientação para a população é acompanhar apenas os canais oficiais de informação e permanecer atenta aos alertas emitidos pelos órgãos de monitoramento.
Embora o cenário atual seja mais positivo do que o projetado anteriormente, especialistas reforçam que a situação continua sendo monitorada de forma permanente, já que novas chuvas ainda são esperadas em diversas regiões do Rio Grande do Sul nos próximos dias.








