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Temporais atingem lavouras do RS

Estragos causados pelas fortes chuvas de julho continuam sendo contabilizados no campo; canola, trigo, aveia e pastagens estão entre as culturas mais afetadas, enquanto estradas danificadas dificultam o transporte da produção leiteira em dezenas de municípios

Os impactos das fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul durante o mês de julho continuam sendo sentidos pelo setor agropecuário. Mesmo com o fim dos temporais mais intensos, equipes da Emater/RS-Ascar, cooperativas e sindicatos rurais seguem percorrendo propriedades para dimensionar os prejuízos provocados por granizo, ventos fortes, erosão do solo e alagamentos. As perdas já atingem lavouras de inverno, comprometem pastagens e dificultam até mesmo a coleta diária de leite em diversas regiões do Estado.

A situação preocupa produtores rurais porque a previsão meteorológica indica a continuidade de períodos de instabilidade ao longo de agosto, aumentando o risco de novos prejuízos para culturas que já sofreram danos nas últimas semanas.

Norte do Estado concentra parte dos maiores prejuízos

Entre as regiões mais atingidas está Não-Me-Toque, no Norte gaúcho. Um levantamento preliminar realizado pelo Departamento Técnico da Cotrijal aponta danos significativos provocados pelo granizo, pelas rajadas de vento e pela erosão causada pelo excesso de chuva.

Embora o diagnóstico completo ainda esteja em andamento, técnicos trabalham para identificar quais áreas possuem possibilidade de recuperação e orientar os agricultores sobre alternativas de manejo para minimizar as perdas.

Dados parciais divulgados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município indicam perdas expressivas:

  • Cerca de 600 hectares de canola tiveram perda total;
  • Outros 300 hectares de canola registraram perdas próximas de 30%;
  • Aproximadamente 500 hectares de trigo sofreram perdas médias de 30%, com algumas áreas registrando destruição total;
  • Outros 500 hectares de aveia branca foram completamente perdidos.

Cinco das quinze comunidades do interior do município concentraram os maiores danos provocados pelo temporal.

Emater ainda realiza levantamento estadual

Segundo o diretor técnico da Emater/RS-Ascar, Mateus Rocha, ainda não é possível consolidar os prejuízos em todo o Rio Grande do Sul.

Até o momento, 83 municípios já registraram ocorrências no Sistema de Monitoramento de Perdas Agropecuárias (SisPerdas). No entanto, as equipes continuam em campo realizando avaliações técnicas para medir a extensão dos danos em cada propriedade.

Em razão da quantidade de ocorrências, o prazo para envio dos registros ao sistema foi prorrogado até o dia 3 de agosto, permitindo que os municípios completem seus levantamentos.

Canola preocupa mais que o trigo

Entre as culturas de inverno, a canola aparece como uma das mais sensíveis aos efeitos do excesso de chuva.

Como muitas lavouras encontram-se em período de florescimento, granizo, ventos fortes e precipitações intensas comprometem flores e folhas, reduzindo significativamente o potencial produtivo.

Já o trigo, embora também tenha registrado perdas, encontra-se em estágio inicial de desenvolvimento em boa parte das áreas cultivadas. Isso permite que parte das lavouras ainda possa apresentar recuperação, dependendo das condições climáticas das próximas semanas. Atualmente, cerca de 97% da área prevista para o cultivo de trigo já foi semeada no Estado.

Pastagens também sofrem com excesso de chuva

Os prejuízos não se limitam às lavouras.

Nas áreas destinadas à pecuária, o excesso de água provocou encharcamento do solo e formação de alagamentos, reduzindo a capacidade de pastejo dos animais.

Além disso, o trânsito constante do rebanho em terrenos encharcados provoca compactação do solo, dificultando o desenvolvimento das pastagens justamente em um período importante para a alimentação dos animais durante o inverno.

Estradas comprometem coleta de leite

Outro reflexo importante das chuvas ocorre no setor leiteiro.

Segundo informações do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), 94 municípios comunicaram dificuldades nas rotas utilizadas para a coleta diária do leite devido às condições precárias das estradas rurais.

Diante da situação, a entidade solicitou ao Ministério da Agricultura e Pecuária autorização excepcional para ampliar em até 24 horas o prazo máximo permitido entre a coleta e o processamento da matéria-prima.

O objetivo é evitar perdas da produção nas propriedades que permanecem isoladas ou enfrentam dificuldades de acesso pelos caminhões responsáveis pelo recolhimento.

Outras regiões também registram prejuízos

Além de Não-Me-Toque, os temporais provocaram danos em municípios como Passo Fundo, Santa Rosa, Giruá, Senador Salgado Filho e Sete de Setembro, onde houve inclusive registro de tornado durante os episódios de instabilidade.

Nos vales do Taquari e do Caí, a preocupação permanece voltada para a elevação do nível dos rios e para o risco de novas cheias caso as precipitações persistam nas próximas semanas.

Agosto começa com atenção voltada ao campo

Produtores, cooperativas e órgãos de assistência técnica acompanham diariamente as previsões meteorológicas enquanto realizam o levantamento dos prejuízos.

A expectativa do setor é que a estabilidade do tempo permita a recuperação de parte das áreas atingidas e facilite o acesso às propriedades rurais. Entretanto, a previsão de novos episódios de chuva mantém o agronegócio em estado de alerta.

Além das perdas diretas na produção agrícola, os danos à infraestrutura rural, às estradas vicinais e à logística de transporte representam desafios adicionais para milhares de produtores gaúchos, que agora aguardam a conclusão dos levantamentos técnicos para mensurar o impacto econômico causado pelos temporais que marcaram o inverno de 2026.

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