Unidade chegou a atender 160 pacientes para uma capacidade de 56; agora recebe casos graves, enquanto falta de leitos mantém pressão sobre o serviço.
A Emergência adulta do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) deixou, na tarde desta sexta-feira (28), a condição de restrição máxima, mas continua operando acima da capacidade. A medida havia sido adotada na quinta-feira (27), diante de uma superlotação que chegou a cerca de 252% da capacidade do setor.
Na atualização mais recente divulgada pelo hospital, 115 pacientes permaneciam na emergência, enquanto a capacidade física, material e de recursos humanos da unidade é de 56 pacientes. Com a retirada da restrição máxima, o atendimento foi ampliado, mas o setor segue priorizando casos graves.
A situação demonstra que, apesar da redução no número de pacientes em relação ao pico registrado na quinta-feira, a emergência ainda enfrenta uma pressão significativa sobre sua estrutura.
Emergência chegou ao triplo da capacidade
Na quinta-feira (27), a situação atingiu um dos momentos mais críticos.
A Emergência adulta chegou a 160 pacientes simultaneamente, aproximadamente três vezes a capacidade operacional do setor, que é de 56 pessoas.
Além dos pacientes que estavam recebendo atendimento, outras pessoas aguardavam avaliação e encaminhamento.
Diante do cenário, o Hospital de Clínicas decidiu restringir temporariamente a entrada de novos pacientes. Durante o período de restrição máxima, somente pessoas encaminhadas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) eram recebidas na unidade.
A medida teve duração prevista de 24 horas e foi adotada para preservar a capacidade de atendimento aos pacientes que já estavam dentro da emergência.

Falta de leitos contribui para a superlotação
Segundo o Hospital de Clínicas, um dos principais fatores relacionados à superlotação é a falta de leitos para internação.
Pacientes que já foram atendidos e necessitam permanecer internados acabam ficando sob os cuidados da emergência enquanto aguardam a disponibilidade de um leito em outra área do hospital.
Esse processo provoca um efeito cascata.
Com menos leitos disponíveis para transferência, os pacientes permanecem por mais tempo na emergência. Ao mesmo tempo, novos casos continuam chegando, aumentando a ocupação de uma estrutura que possui capacidade limitada.
O problema não está relacionado, segundo o hospital, a uma doença respiratória prevalente. A maior parte dos pacientes atendidos está relacionada ao agravamento de doenças crônicas, casos oncológicos e pacientes transplantados.
Atendimento passa a priorizar casos graves
Com o fim da restrição máxima, a emergência voltou a receber pacientes além daqueles encaminhados exclusivamente pelo Samu.
Isso não significa, porém, que o atendimento tenha voltado à normalidade.
A unidade continua superlotada e, conforme a atualização divulgada nesta sexta-feira, os casos graves são priorizados.
A classificação de risco é utilizada para determinar a ordem de atendimento de acordo com a gravidade do quadro clínico.
Pacientes em situação de maior risco têm prioridade, enquanto casos menos graves podem ser direcionados para outros serviços da rede de saúde, dependendo da avaliação realizada.

Outros hospitais também enfrentam pressão
A situação do Clínicas não é isolada.
Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde indicam que outras emergências de hospitais de alta complexidade de Porto Alegre também enfrentam superlotação ou restrições de atendimento.
Na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, o atendimento está temporariamente restrito a pacientes com risco de morte ou encaminhados pelos órgãos públicos de saúde.
No Hospital Nossa Senhora da Conceição, o atendimento também está direcionado aos casos de maior gravidade.
Já o São Lucas da PUCRS permanece recebendo apenas pacientes encaminhados pelo Samu em razão das obras realizadas na emergência. A reforma da estrutura está prevista para durar até março de 2027.
O cenário indica uma pressão generalizada sobre os serviços de emergência de alta complexidade da Capital.
Situação já havia ocorrido neste mês
A superlotação do Hospital de Clínicas não é um episódio isolado em agosto.
No início do mês, a emergência adulta também chegou a operar em restrição máxima. Em 4 de agosto, o setor atendia 165 pacientes para uma capacidade de 56, levando o hospital a limitar novamente a entrada de pacientes.
No dia seguinte, ainda havia 138 pessoas em atendimento, e a restrição precisou ser prorrogada.
Em 18 de agosto, uma nova situação de superlotação levou o hospital a adotar outra restrição máxima. Naquele momento, eram 163 pacientes para 56 vagas, além de 14 pessoas aguardando atendimento.
A repetição do problema ao longo do mês reforça a pressão sobre a rede hospitalar e a dificuldade de liberar leitos para pacientes que permanecem na emergência.

Orientação para pacientes
Diante da superlotação, o Hospital de Clínicas orienta que pessoas com quadros menos complexos procurem outros pontos da rede de saúde, como Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
A orientação não se aplica a situações de emergência ou risco de morte, que devem receber atendimento imediato.
Em casos graves, a recomendação é procurar o serviço de emergência adequado ou acionar o Samu pelo 192.
A classificação de risco continuará sendo utilizada para garantir prioridade aos pacientes em condições mais graves.
Banco de sangue também precisa de doações
Além da superlotação, o Hospital de Clínicas vem enfrentando períodos de estoque reduzido no Banco de Sangue.
A instituição já fez apelos para que a população realize doações, diante do risco de impacto sobre procedimentos eletivos, cirurgias e transplantes.
O Banco de Sangue do HCPA fica na Rua São Manoel, 543, com atendimento para doadores das 8h às 17h, conforme orientação divulgada pelo hospital.
A manutenção dos estoques é considerada essencial para garantir o funcionamento de procedimentos que dependem de transfusões.

Pressão sobre a rede continua
A saída da restrição máxima representa uma melhora em relação ao cenário registrado na quinta-feira, mas não significa o fim da superlotação.
Com 115 pacientes para uma capacidade de 56, a Emergência adulta do Hospital de Clínicas continua operando muito acima do limite previsto para sua estrutura.
A principal questão permanece relacionada à disponibilidade de leitos para internação e à necessidade de liberar espaço na emergência para novos pacientes.
Enquanto o número de pessoas internadas ou aguardando transferência permanecer elevado, o setor continuará sob pressão.
O cenário também exige acompanhamento da rede municipal e estadual de saúde para evitar que a superlotação se agrave novamente nos próximos dias.










