O Rio Grande do Sul tinha 771 mil pessoas com deficiência com 2 anos ou mais de idade em 2022, segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa 7,2% da população gaúcha nessa faixa etária.
O levantamento faz parte do estudo “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”, elaborado a partir de dados do Censo Demográfico 2022.
Idosos representam mais da metade
A idade aparece como um dos principais fatores relacionados à ocorrência de deficiência no Estado.
Segundo o IBGE, 18,4% dos gaúchos com 60 anos ou mais tinham alguma deficiência em 2022. Esse grupo correspondia a 52,52% de todas as pessoas com deficiência no Rio Grande do Sul. No Brasil, a participação de pessoas com 60 anos ou mais entre a população com deficiência era de 45,35%.
O instituto relaciona o aumento da ocorrência de deficiências ao avanço da idade e às perdas de funcionalidades associadas ao envelhecimento.

Mulheres são maioria
Os dados também apontam diferença entre homens e mulheres. No Rio Grande do Sul, a deficiência atingia 8,1% das mulheres e 6,3% dos homens.
Entre os grupos raciais, os maiores percentuais foram registrados entre pessoas pretas, com 8,2%, e pardas, com 7,5%. Entre pessoas amarelas, o índice foi de 7,5%; entre brancas, 7,1%; e entre indígenas, 7,0%.
Mercado de trabalho
O levantamento também mostra dificuldades de inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
Entre os 738 mil gaúchos com deficiência com 14 anos ou mais, apenas 205 mil estavam na força de trabalho, o equivalente a 27,8%.
Dos integrantes desse grupo que estavam na força de trabalho, 138 mil contribuíam para a Previdência Social, correspondente a 67,3%. Entre as pessoas sem deficiência, o percentual de contribuintes era de 76,6%.

Acessibilidade nos municípios
O estudo também analisou políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência nos municípios gaúchos.
Dos 497 municípios pesquisados entre 2022 e 2023, apenas 37 tinham fundo municipal e gestão desenvolvendo política ou programa de promoção dos direitos das pessoas com deficiência.
Na área de acessibilidade digital, somente 17 municípios apresentavam todas as adaptações avaliadas pelo levantamento para pessoas com deficiência visual. Outros 248 não apresentavam nenhuma das características analisadas.
Em relação à Libras, 138 municípios ofereciam tradução em Língua Brasileira de Sinais em suas páginas na internet, enquanto apenas 31 tinham pessoal capacitado para atendimento em Libras nas sedes dos governos municipais.
Renda também apresenta diferença
O rendimento médio domiciliar per capita entre os gaúchos com deficiência foi de R$ 1.681, enquanto entre pessoas sem deficiência chegou a R$ 2.089.
O levantamento do IBGE mostra ainda diferenças na participação no mercado de trabalho e na contribuição previdenciária, indicando desigualdades socioeconômicas entre os grupos.
Os dados fazem parte do Censo Demográfico 2022 e permitem analisar o perfil da população com deficiência e as condições de acesso a trabalho, renda, acessibilidade e políticas públicas no Rio Grande do Sul.










