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Adeus, zolpidem? Novo remédio chega ao Brasil

Dayvigo foi aprovado pela Anvisa, atua no mecanismo cerebral da vigília e deve chegar às farmácias até o fim de 2026. Medicamento tem previsão de preço em torno de R$ 200.

Um novo medicamento para o tratamento da insônia deve ampliar as opções disponíveis aos brasileiros até o final de 2026. Trata-se do Dayvigo, que contém lemborexante como princípio ativo e foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento da insônia em adultos.

O medicamento é desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai e será comercializado no Brasil pela Eurofarma, por meio de uma parceria entre as empresas. A previsão divulgada pela companhia é de lançamento no mercado brasileiro até o fim deste ano, com preço estimado em aproximadamente R$ 200, sujeito à definição regulatória.

A chegada do produto chama atenção por apresentar um mecanismo de ação diferente daquele utilizado pelo zolpidem, um dos medicamentos conhecidos para o tratamento de dificuldades relacionadas ao sono.

Enquanto o zolpidem atua sobre receptores do sistema nervoso central relacionados à inibição da atividade cerebral, o lemborexante bloqueia a ação da orexina, substância envolvida na manutenção do estado de alerta.

A proposta é oferecer uma alternativa para adultos que apresentam dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo durante a noite. Apesar da novidade, especialistas ressaltam que a escolha do tratamento deve considerar o histórico clínico, os sintomas e os riscos individuais de cada paciente.

Como funciona o novo medicamento para insônia?

O Dayvigo pertence a uma classe de medicamentos chamada antagonistas duplos dos receptores de orexina, conhecida pela sigla DORA.

A orexina é um neurotransmissor produzido pelo cérebro que participa da regulação da vigília. Em termos simples, ela ajuda a manter o organismo em estado de alerta e contribui para a estabilidade entre os períodos de sono e de despertar.

O lemborexante bloqueia dois tipos de receptores de orexina, chamados OX1R e OX2R. Com essa ação, reduzem-se os sinais cerebrais que ajudam a manter a pessoa acordada.

A diferença está na forma como o medicamento atua: em vez de provocar uma redução mais ampla da atividade do sistema nervoso central, ele interfere em um mecanismo específico relacionado à manutenção da vigília.

Essa abordagem tem como objetivo facilitar tanto o início do sono quanto sua manutenção ao longo da noite.

A aprovação do medicamento pela Anvisa contempla adultos com insônia caracterizada por dificuldade para adormecer, permanecer dormindo ou ambas as situações.

Qual é a diferença entre Dayvigo e zolpidem?

O zolpidem pertence à classe dos chamados medicamentos Z e atua sobre receptores GABA-A, envolvidos nos mecanismos de inibição da atividade cerebral. É utilizado principalmente no tratamento de curto prazo da insônia, conforme a indicação e a prescrição médica.

O lemborexante, por sua vez, atua sobre os receptores de orexina, envolvidos na manutenção do estado de vigília.

A diferença farmacológica é importante porque os medicamentos não funcionam da mesma maneira e podem apresentar perfis distintos de efeitos adversos, contraindicações e riscos.

O zolpidem pode causar sonolência residual, alterações de memória, prejuízo da coordenação e comportamentos complexos durante o sono, como caminhar ou realizar atividades sem estar plenamente consciente. Também exige atenção ao risco de uso inadequado, tolerância e dependência.

O lemborexante apresenta um mecanismo diferente e estudos clínicos apontam benefícios para o início e a manutenção do sono. Entretanto, também pode provocar efeitos adversos, incluindo sonolência no dia seguinte, fadiga, dor de cabeça e, em alguns casos, paralisia do sono ou experiências semelhantes a alucinações relacionadas à transição entre sono e vigília.

Portanto, não é correto afirmar que o novo medicamento está livre de riscos ou que será necessariamente mais seguro para todos os pacientes. A escolha depende da avaliação médica e das características individuais de cada pessoa.

O novo remédio tem menos efeitos colaterais?

A possibilidade de oferecer uma alternativa com perfil de segurança diferente é um dos aspectos que despertam interesse no Dayvigo.

Os medicamentos que atuam sobre a orexina foram desenvolvidos para interferir de maneira mais direcionada no sistema responsável por manter o cérebro em estado de alerta.

Essa característica pode representar uma vantagem para determinados pacientes, mas não significa ausência de efeitos adversos.

O lemborexante pode provocar sonolência e comprometer a capacidade de realizar atividades que exigem atenção, principalmente quando o paciente não dispõe de tempo suficiente para dormir. Também existem alertas relacionados à ocorrência de paralisia do sono, alucinações na transição entre sono e vigília e sintomas semelhantes à cataplexia, caracterizada por perda súbita do tônus muscular.

O risco de efeitos adversos pode variar conforme a dose, outros medicamentos utilizados, a presença de doenças e o consumo de substâncias que atuam sobre o sistema nervoso central.

Por esse motivo, a aprovação regulatória não deve ser interpretada como garantia de que o medicamento terá menos efeitos colaterais em todos os casos. A comparação entre tratamentos precisa considerar os resultados dos estudos clínicos, as informações oficiais de segurança e o acompanhamento dos pacientes após a comercialização.

Quando o Dayvigo chega às farmácias brasileiras?

A previsão divulgada pela Eurofarma é de que o medicamento esteja disponível no mercado brasileiro até o final de 2026.

A empresa será responsável pela comercialização, promoção e distribuição do produto no país, enquanto a Eisai é a desenvolvedora do medicamento.

O preço estimado divulgado em reportagens sobre o lançamento é de aproximadamente R$ 200. O valor final, porém, depende da definição regulatória e das condições comerciais de lançamento.

A disponibilidade efetiva poderá variar conforme a distribuição e o abastecimento das farmácias.

A aprovação da Anvisa já foi publicada em abril de 2025, mas o registro sanitário e o início da comercialização são etapas diferentes. Por isso, a autorização para uso no Brasil não significa que o medicamento esteja necessariamente disponível em todas as farmácias.

Quem poderá utilizar o medicamento?

O Dayvigo é indicado para adultos com insônia, conforme a indicação aprovada pela Anvisa.

A decisão de utilizar o medicamento deve considerar a frequência das dificuldades para dormir, o impacto dos sintomas durante o dia, o histórico de tratamentos e as condições de saúde do paciente.

Pessoas com problemas para adormecer ou que acordam repetidamente durante a noite devem procurar avaliação profissional para identificar possíveis causas. A insônia pode estar relacionada a estresse, ansiedade, hábitos inadequados de sono, uso de substâncias, doenças clínicas ou outros distúrbios do sono.

O lembrexante também exige cuidados específicos. A sonolência residual pode prejudicar a condução de veículos e outras atividades que demandam atenção. O uso concomitante com álcool ou outros medicamentos sedativos pode aumentar determinados riscos.

Pacientes com condições específicas, como narcolepsia, precisam de atenção especial, pois o medicamento atua justamente sobre o sistema de vigília.

A prescrição e o acompanhamento médico são fundamentais para avaliar se essa opção é apropriada para cada caso.

Insônia afeta milhões de brasileiros

A dificuldade para dormir é um problema frequente e pode comprometer a saúde, o desempenho profissional e a qualidade de vida.

Dados do Ministério da Saúde citados na reportagem da GZH apontam que quase um em cada três brasileiros apresentou sintomas de insônia em 2024.

A condição pode se manifestar por dificuldade para iniciar o sono, despertares frequentes durante a noite ou despertar muito cedo, sem conseguir voltar a dormir.

Quando persistente, a falta de sono adequado pode provocar cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração e prejuízos no funcionamento diário.

Para caracterizar a insônia crônica, a avaliação clínica considera a frequência dos sintomas, sua duração e os efeitos sobre a vida do paciente. Não basta ter uma noite ruim ocasionalmente para receber esse diagnóstico.

O tratamento pode envolver mudanças de hábitos, terapia cognitivo-comportamental para insônia e, quando indicado, medicamentos. A abordagem depende da causa, da gravidade dos sintomas e das condições de cada pessoa.

Hábitos de sono continuam sendo importantes

Mesmo com a chegada de novas opções farmacológicas, os cuidados com a rotina de sono permanecem relevantes.

Manter horários regulares para dormir e acordar, reduzir o consumo de cafeína no período da tarde e da noite, evitar atividades estimulantes próximo ao horário de dormir e manter o ambiente escuro e silencioso podem ajudar a melhorar o descanso.

A terapia cognitivo-comportamental para insônia também é uma abordagem reconhecida para o tratamento do problema, especialmente nos casos persistentes.

Essas medidas não substituem a avaliação médica quando os sintomas são frequentes ou comprometem as atividades diárias. Da mesma forma, medicamentos não devem ser iniciados, interrompidos ou substituídos sem orientação profissional.

A chegada do Dayvigo amplia as alternativas disponíveis para o tratamento da insônia no Brasil. O impacto da novidade dependerá da disponibilidade comercial, do custo para os pacientes e dos resultados observados na prática clínica.

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