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Câncer de pele preocupa no Rio Grande do Sul

Projeção aponta 24.560 diagnósticos de câncer de pele não melanoma no Estado; Porto Alegre deve concentrar cerca de 2.930 casos

O Rio Grande do Sul deve registrar 24.560 novos casos de câncer de pele não melanoma em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O número representa aproximadamente 219 casos para cada 100 mil habitantes e coloca o câncer de pele entre os principais problemas de saúde relacionados à incidência de tumores no Estado.

Do total estimado, 10.010 casos devem ocorrer entre homens e 14.550 entre mulheres. A projeção integra a estimativa nacional de novos casos de câncer elaborada pelo INCA para 2026.

Além dos tumores de pele não melanoma, o Estado deve registrar 790 novos casos de melanoma, segundo a mesma projeção. Embora seja menos frequente, o melanoma é considerado uma forma mais agressiva da doença.

Porto Alegre deve ter quase 3 mil casos

A realidade projetada para a capital gaúcha também chama atenção.

Segundo o INCA, Porto Alegre deve registrar 2.930 novos casos de câncer de pele não melanoma em 2026, sendo 1.230 entre homens e 1.700 entre mulheres.

A estimativa corresponde a uma taxa bruta de 208 casos por 100 mil habitantes.

Para o melanoma, são previstos outros 130 casos na Capital, o que significa que, somadas as duas modalidades, Porto Alegre poderá ter aproximadamente 3 mil novos diagnósticos de câncer de pele ao longo de 2026.

O número aproxima a dimensão do problema da população e mostra que a incidência não está restrita a regiões tradicionalmente associadas à forte exposição solar.

Radiação ultravioleta é principal fator de risco

A exposição excessiva à radiação ultravioleta (UV) é apontada pelo INCA como o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele.

Os efeitos da exposição solar são cumulativos. Isso significa que os cuidados não devem ser concentrados apenas nos períodos de férias ou nos meses mais quentes.

A exposição ocorre também durante atividades cotidianas, como deslocamentos, caminhadas, trabalho ao ar livre e atividades esportivas.

No Rio Grande do Sul, existe ainda um fator comportamental que pode contribuir para a redução da proteção durante parte do ano: a associação entre sol e calor.

Como as temperaturas são mais baixas durante o inverno, muitas pessoas diminuem o uso de medidas de proteção sem considerar que a radiação ultravioleta continua presente.

Inverno também exige cuidados

O período de temperaturas mais baixas pode criar uma falsa sensação de segurança.

Mesmo em dias frios ou nublados, a radiação ultravioleta continua sendo um fator de exposição. A médica porto-alegrense Telma Giordani, citada pelo Jornal O Sul, chama atenção justamente para essa relação equivocada entre temperatura e radiação solar.

A especialista destaca que o cuidado com a pele não deve depender da estação do ano.

A exposição ocorre durante todo o ano, principalmente para pessoas que trabalham ou permanecem por longos períodos em ambientes externos.

INCA recomenda proteção durante exposição solar

O INCA recomenda evitar exposição solar sem proteção, especialmente entre 10h e 16h, quando a radiação ultravioleta tende a ser mais intensa.

Entre as medidas preventivas estão procurar áreas de sombra, utilizar chapéus, roupas que protejam a pele, óculos escuros e filtro solar durante atividades ao ar livre.

A proteção deve ser considerada como um conjunto de medidas, e não apenas como o uso de protetor solar.

A atenção é especialmente importante para pessoas que acumulam exposição solar ao longo dos anos.

Lesões que não cicatrizam merecem atenção

A prevenção também envolve observar alterações na própria pele.

Segundo as informações divulgadas pelo INCA e repercutidas na reportagem, feridas que não cicatrizam em até quatro semanas devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Também merecem atenção manchas ou lesões que apresentam alterações como coceira, ardência, descamação ou sangramento.

Mudanças em pintas e sinais existentes também devem ser observadas.

Isso não significa que toda alteração seja necessariamente câncer. A confirmação depende de avaliação médica e, quando indicada, investigação específica.

Câncer de pele não melanoma é o mais frequente

O câncer de pele não melanoma representa a maior parte dos casos estimados no Estado.

Para 2026, o INCA projeta 24.560 ocorrências no Rio Grande do Sul, enquanto os casos de melanoma chegam a 790.

A diferença entre os números demonstra a predominância dos tumores não melanoma, mas não elimina a necessidade de atenção ao melanoma devido ao seu comportamento mais agressivo.

A identificação precoce de alterações suspeitas é importante nos dois casos.

RS terá 54,5 mil novos casos de todos os tipos de câncer

O câncer de pele também está inserido em um cenário mais amplo de incidência de tumores no Estado.

Para 2026, o INCA estima 54.550 novos casos de todos os tipos de câncer no Rio Grande do Sul.

Desse total, 29.990 casos correspondem a neoplasias excluindo o câncer de pele não melanoma, enquanto 24.560 são justamente os casos projetados de câncer de pele não melanoma.

O levantamento mostra, portanto, o peso que o câncer de pele possui dentro das estimativas epidemiológicas do Estado.

Estimativas não significam diagnósticos já confirmados

É importante destacar que os números divulgados pelo INCA são estimativas para 2026.

Isso significa que os 24.560 casos projetados para o Rio Grande do Sul não representam uma contagem de pessoas que já receberam diagnóstico. Trata-se de uma projeção epidemiológica utilizada para dimensionar a ocorrência esperada da doença e auxiliar o planejamento das políticas públicas de saúde.

O INCA também utiliza essas estimativas para orientar ações relacionadas à prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer no país.

Prevenção depende de cuidados contínuos

Os dados projetados para o Rio Grande do Sul reforçam que o câncer de pele não é um problema restrito ao verão.

A exposição à radiação ultravioleta ocorre durante todo o ano e os danos acumulados ao longo da vida podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

Por isso, medidas como proteção durante atividades externas, atenção às alterações da pele e busca por avaliação médica diante de lesões persistentes fazem parte da estratégia de prevenção.

Com 24.560 novos casos de câncer de pele não melanoma estimados para 2026, o Rio Grande do Sul aparece diante de um cenário que exige atenção tanto da população quanto dos serviços de saúde.

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