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Caramelo pode ganhar família em 2027

Animal que virou símbolo das enchentes de 2024 está saudável e pode participar de um projeto de reprodução desenvolvido pelo Hospital Veterinário da Ulbra, em Canoas

O Cavalo Caramelo, que se tornou um dos principais símbolos da tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024, pode ganhar uma nova companhia e, posteriormente, um potro ou uma potra. A equipe do Hospital Veterinário da Ulbra, em Canoas, estuda a reprodução do animal e trabalha para encontrar uma égua compatível para a monta.

A ideia é que o processo de reprodução ocorra ainda em 2026, permitindo que o nascimento aconteça em 2027, já que a gestação das éguas dura aproximadamente 11 meses. O projeto, entretanto, ainda não está fechado e depende da escolha de uma fêmea adequada.

Mais do que formar uma nova família para Caramelo, a proposta da universidade tem um objetivo específico: preservar características consideradas importantes no animal, principalmente sua rusticidade e resistência.

Caramelo está saudável e pesa mais de 500 quilos

Segundo a diretora do Hospital Veterinário da Ulbra, Laura Cezimbra, Caramelo atualmente pesa entre 500 e 520 quilos e é considerado saudável.

O comportamento do animal também chamou a atenção da equipe. Quando uma égua que vive no campus, chamada Pitiose, entra no cio, Caramelo demonstra interesse, relincha e tenta se aproximar.

Foi a partir desse comportamento que a possibilidade de reprodução começou a ser considerada de maneira mais concreta.

A universidade agora procura uma égua com estatura compatível com a do Caramelo e que tenha temperamento dócil e familiaridade com manejo reprodutivo. A intenção é realizar a reprodução por monta natural, sem necessidade de inseminação artificial.

Universidade quer manter a família de Caramelo em Canoas

A proposta não é simplesmente encontrar uma égua para reprodução e depois separar os animais.

Segundo a equipe da Ulbra, a intenção é que a futura companheira seja doada à universidade, permitindo que Caramelo e sua possível descendência permaneçam juntos na Fazenda-Escola.

Atualmente, a universidade possui cinco cavalos: três machos, uma fêmea e uma potra. Pitiose, uma das fêmeas, tem cerca de 16 anos e é considerada difícil de manejar, o que reduz sua possibilidade de ser utilizada no projeto de reprodução.

A futura égua, portanto, deverá atender a critérios específicos de idade, comportamento, porte e condições reprodutivas.

A expectativa é encontrar uma fêmea com maturidade reprodutiva. Segundo a equipe veterinária, uma égua a partir de aproximadamente 3 ou 4 anos já poderia apresentar condições adequadas para o projeto, desde que seja avaliada individualmente.

Não existe intenção de preservar uma raça específica

Um dos pontos mais importantes do projeto é que a Ulbra não pretende criar uma linhagem de uma raça específica.

Caramelo é um animal de raça indefinida e de porte relativamente baixo. A universidade pretende justamente preservar características relacionadas à sua capacidade de adaptação e resistência.

A ideia é manter a chamada genética de rusticidade do animal, associada ao significado que Caramelo adquiriu depois das enchentes.

O cavalo passou a representar, para muitas pessoas, a resistência diante de uma das maiores tragédias climáticas já enfrentadas pelo Rio Grande do Sul.

A história que transformou Caramelo em símbolo

Caramelo ganhou projeção nacional durante as enchentes de maio de 2024.

O animal ficou isolado durante dias sobre o telhado de uma residência em Canoas, enquanto as águas avançavam pela região metropolitana de Porto Alegre.

A imagem do cavalo sozinho sobre o telhado foi registrada por equipes de televisão e rapidamente ganhou repercussão em todo o país.

O resgate ocorreu em 9 de maio de 2024, quando bombeiros conseguiram retirar o animal da área inundada. Depois, Caramelo foi encaminhado ao Hospital Veterinário da Ulbra, onde recebeu atendimento e iniciou o processo de recuperação.

Naquele período, o animal apresentava sinais de desidratação e perda de peso, além de lesões decorrentes do tempo em que permaneceu isolado.

A recuperação transformou Caramelo em uma figura conhecida nacionalmente.

De animal resgatado a símbolo do Rio Grande do Sul

A história de Caramelo ultrapassou a questão veterinária.

Durante a enchente, milhões de pessoas acompanharam imagens de moradores, voluntários, bombeiros e equipes de resgate tentando salvar pessoas e animais atingidos pelas águas.

O cavalo passou a representar visualmente aquele momento.

A cena do animal sobre o telhado se tornou uma das imagens mais lembradas da tragédia e ajudou a concentrar a atenção pública também sobre o impacto das enchentes nos animais.

Depois do resgate, diversas pessoas chegaram a procurar o Hospital Veterinário afirmando serem responsáveis pelo cavalo. Nenhuma delas conseguiu comprovar a propriedade naquele momento.

Posteriormente, Caramelo permaneceu sob os cuidados da universidade e passou a viver em ambiente protegido.

Projeto pode resultar em nascimento em 2027

O calendário reprodutivo explica por que a universidade trabalha para definir a futura companheira ainda em 2026.

A gestação de uma égua dura aproximadamente 11 meses. Portanto, caso a monta aconteça ainda neste ano, o nascimento de um potro ou de uma potra poderá ocorrer em 2027.

Ainda não há confirmação de que a reprodução acontecerá.

A escolha da fêmea precisa passar por avaliação veterinária e atender às condições necessárias para uma reprodução segura.

Também não existe, neste momento, uma égua oficialmente definida para o projeto. Segundo o Hospital Veterinário da Ulbra, há uma possível candidata na região, mas as tratativas ainda estão abertas.

O futuro de Caramelo agora é diferente

A vida do cavalo mudou completamente desde aquele maio de 2024.

De um animal encontrado isolado em meio à inundação, Caramelo passou a viver sob cuidados veterinários e em um ambiente protegido.

Hoje, a preocupação da equipe não está mais relacionada apenas à recuperação física. O objetivo também é proporcionar qualidade de vida e preservar a história do animal.

A possível reprodução representa uma nova etapa nesse processo.

Se o projeto avançar, Caramelo poderá deixar uma descendência que permanecerá na própria universidade. Para a equipe responsável, isso significaria preservar não apenas o animal, mas características que fizeram dele um dos principais símbolos da resistência gaúcha diante da tragédia.

A história que começou em um telhado de Canoas durante uma enchente pode, assim, ganhar um novo capítulo em 2027, com o nascimento de um novo integrante da família de Caramelo.

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