Peixes de origem desconhecida foram retirados antes da limpeza do espaço; animais serão encaminhados ao Zoológico Municipal de Canoas.
A Prefeitura de Porto Alegre retirou 30 carpas do espelho d’água localizado junto ao Viaduto dos Açorianos, na Avenida Borges de Medeiros, no Centro Histórico da Capital. A operação foi realizada na manhã desta sexta-feira (4).
A retirada dos peixes faz parte de uma ação de limpeza e manutenção do espelho d’água, que deverá avançar nos próximos dias com a remoção de detritos e da sujeira acumulada no local. Segundo as informações divulgadas pela prefeitura, as carpas retiradas serão encaminhadas ao Zoológico Municipal de Canoas.
O espelho d’água possui aproximadamente 40 centímetros de profundidade. A limpeza será realizada depois da retirada dos animais, permitindo o acesso à estrutura e ao material acumulado no fundo.
Lago junto à Ponte de Pedra também será limpo
Além do espelho d’água localizado junto ao viaduto, o lago situado próximo à histórica Ponte de Pedra também deverá passar por limpeza.
A prefeitura informou, porém, que as demais espécies de peixes existentes no local não deverão ser retiradas durante o procedimento.
A intervenção ocorre em um espaço de grande importância histórica e turística de Porto Alegre, localizado entre o Centro Histórico e a Cidade Baixa.
O Largo dos Açorianos reúne a Ponte de Pedra, os espelhos d’água, áreas de convivência, arquibancadas, iluminação, bancos e outros elementos paisagísticos.

Presença das carpas chamou atenção em agosto
A presença das carpas no local havia chamado a atenção de frequentadores e passou a ser investigada em agosto.
Na ocasião, foram contabilizados aproximadamente 35 peixes no espelho d’água. A origem dos animais, entretanto, permanecia desconhecida.
Nem a Prefeitura de Porto Alegre nem a Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul (OAB/RS), responsável pela adoção do espaço, souberam informar quem teria colocado as carpas no local ou quando os animais foram introduzidos.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) informou que não existe um programa de manejo das carpas no espaço.
Também foi esclarecido que a introdução e o abandono de animais em espaços públicos não são autorizados pela prefeitura.
Na época, o município informou que poderia analisar imagens de câmeras de segurança para tentar identificar quem teria colocado os peixes no espelho d’água.
Carpas são consideradas espécie exótica
Outro ponto que chamou atenção das autoridades foi a característica das carpas.
Os peixes são considerados uma espécie exótica, e especialistas alertaram para a necessidade de cautela na introdução desses animais em ambientes públicos.
A bióloga Lúcia Helena Ribeiro Rodrigues, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explicou anteriormente que as carpas possuem hábitos alimentares variados e são bastante tolerantes a diferentes condições ambientais.
Esses peixes podem consumir algas, plantas aquáticas, pequenos insetos e crustáceos, além de procurar alimento no substrato do fundo dos ambientes onde vivem.
As carpas também apresentam capacidade de adaptação a diferentes temperaturas e podem viver por muitos anos.

Reprodução preocupa especialistas
A presença das carpas também exige atenção por causa da capacidade de reprodução da espécie.
Segundo a avaliação apresentada pela bióloga, os períodos mais quentes do ano favorecem o ciclo reprodutivo desses peixes.
A partir da primavera, especialmente entre setembro e outubro, pode ocorrer aumento da reprodução.
As carpas depositam seus ovos sobre vegetação submersa ou superfícies existentes no fundo dos lagos. A disponibilidade de alimento influencia diretamente a quantidade e o tamanho dos indivíduos que conseguem se desenvolver.
Por esse motivo, a permanência de uma população de peixes exóticos em um ambiente público precisa ser acompanhada para evitar impactos sobre espécies nativas e sobre o equilíbrio do ecossistema.
Retirada ocorre antes da limpeza
A sequência adotada pela prefeitura é retirar inicialmente as carpas e, posteriormente, executar a limpeza do espelho d’água.
Nos próximos dias, deverão ser removidos detritos e sujeira acumulados no espaço.
A medida ocorre após o município identificar a necessidade de manutenção do local e também diante da repercussão causada pela presença dos peixes.
A limpeza do espelho d’água é uma atividade prevista na manutenção do Largo dos Açorianos.

Histórico de manutenção
Os espelhos d’água do Largo dos Açorianos já passaram por intervenções anteriores.
Entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, os dois espaços foram esvaziados por meio de sucção e bombeamento para permitir a limpeza das paredes e do fundo.
Naquele trabalho também foram realizadas intervenções nas juntas de dilatação.
Os peixes maiores que estavam nos lagos foram retirados e encaminhados ao Zoológico Municipal de Canoas, enquanto exemplares menores permaneceram em um dos espaços durante a execução do serviço.
Em outro trabalho de manutenção, realizado anteriormente, foram retirados 48 metros cúbicos de lodo dos espelhos d’água.
Largo dos Açorianos é espaço histórico de Porto Alegre
O Largo dos Açorianos é um dos espaços urbanos mais conhecidos da região central de Porto Alegre.
A área foi revitalizada e entregue novamente à população em 22 de agosto de 2019, depois de permanecer quase três anos fechada para obras.
O espaço possui aproximadamente 19,2 mil metros quadrados e reúne elementos históricos e paisagísticos, entre eles a Ponte de Pedra e o Monumento aos Açorianos.
A Ponte de Pedra é um patrimônio histórico de Porto Alegre e foi tombada pelo município em 1979.
A estrutura atual substituiu uma antiga ponte de madeira existente no local e tem ligação com a expansão histórica da cidade.

OAB é responsável pela adoção do espaço
O Largo dos Açorianos é adotado pela OAB/RS desde dezembro de 2019.
O termo de adoção estabelece responsabilidades relacionadas à conservação do espaço, incluindo atividades como capina, paisagismo, limpeza, varrição e recolhimento de lixo.
A parceria também prevê a manutenção das bombas hidráulicas e a remoção de matéria orgânica do lago de uma a duas vezes por ano. A limpeza de resíduos superficiais ocorre semanalmente.
A Prefeitura, por sua vez, mantém atribuições relacionadas a outros serviços no local, incluindo a manutenção das lixeiras e do viaduto.
A retirada das carpas, neste caso, ocorre dentro de uma intervenção conduzida pelo poder público para preparar os espelhos d’água para a limpeza.
Prefeitura busca evitar impactos ambientais
A retirada dos peixes também está relacionada à necessidade de avaliar a presença de uma espécie exótica em um ambiente urbano.
Embora as carpas já tenham sido utilizadas anteriormente de maneira temporária em espaços com água para auxiliar no controle de larvas e insetos, especialistas ressaltam que a introdução de animais em ambientes públicos precisa ser planejada.
A ausência de informações sobre quem colocou as carpas no local, quando isso ocorreu e quantos animais foram inicialmente introduzidos dificulta o acompanhamento da população.
Agora, com a retirada de 30 exemplares, a prefeitura poderá realizar a limpeza do espaço e reduzir a presença desses animais no espelho d’água.
O destino definido para as carpas retiradas é o Zoológico Municipal de Canoas.
A intervenção deverá continuar nos próximos dias com a remoção dos resíduos acumulados no espelho d’água.









