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Cercamento ajuda a localizar desaparecidos

Sistema de reconhecimento facial integrado ao Cercamento Eletrônico da Capital amplia atuação das forças de segurança, gera alertas automáticos e utiliza inteligência artificial para acelerar a localização de pessoas desaparecidas

A tecnologia empregada no Cercamento Eletrônico de Porto Alegre ganhou uma nova função voltada à segurança pública. A partir da integração do reconhecimento facial com a base estadual de pessoas desaparecidas, o sistema passou a auxiliar na identificação e localização de pessoas procuradas, permitindo que alertas sejam emitidos em tempo real sempre que um cadastro compatível for identificado pelas câmeras de monitoramento da cidade.

A iniciativa representa mais um avanço na utilização da tecnologia para apoiar o trabalho das forças de segurança e reduzir o tempo de resposta em ocorrências envolvendo desaparecimentos, um dos desafios permanentes da segurança pública no Rio Grande do Sul.

Como funciona o novo sistema

A solução foi desenvolvida com integração entre a Procempa, responsável pela infraestrutura tecnológica da Prefeitura de Porto Alegre, e a base de dados do Estado utilizada para o registro de pessoas desaparecidas.

Quando uma das câmeras habilitadas identifica uma pessoa cadastrada no sistema, um alerta automático é encaminhado ao Centro Integrado de Coordenação de Serviços (Ceic).

A partir desse momento, equipes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) são acionadas para verificar a ocorrência no local indicado pelo sistema.

Segundo a Prefeitura, o objetivo é reduzir o tempo entre a identificação e a abordagem, aumentando as chances de localizar pessoas desaparecidas em segurança.

Atendimento varia conforme cada situação

Após a abordagem, os procedimentos adotados dependem da situação encontrada pelas equipes.

Quando a pessoa localizada é menor de idade, ela pode ser encaminhada ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca) ou ao Conselho Tutelar, conforme o caso.

Já nos casos envolvendo adultos que afirmam não desejar manter contato com familiares ou responsáveis, é realizado um registro em vídeo dessa manifestação. O material é encaminhado à Polícia Civil, responsável por providenciar a baixa do registro de desaparecimento, respeitando os direitos individuais da pessoa localizada.

Sistema foi ampliado em 2026

Os primeiros testes da integração ocorreram em janeiro deste ano. Em abril, o projeto foi expandido para novas câmeras e totens de monitoramento distribuídos pela Capital.

Atualmente, 25 câmeras já operam com reconhecimento facial voltado especificamente à localização de pessoas desaparecidas.

Nos últimos 30 dias, o sistema registrou 93 alertas automáticos. Em razão das normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o banco estadual não informa aos operadores a cidade de origem da pessoa identificada, preservando informações sensíveis durante a operação.

Integração fortalece atuação das forças de segurança

Além da Guarda Municipal, o novo modelo passou a integrar também a Brigada Militar e a Polícia Civil, que recebem os alertas em tempo real.

A Secretaria Municipal de Segurança estruturou canais de comunicação direta entre as corporações, permitindo uma atuação conjunta sempre que ocorre uma identificação positiva.

Outro reforço importante foi a presença permanente de policiais militares junto ao Ceic, agilizando a tomada de decisões e o deslocamento das equipes.

Inteligência artificial amplia capacidade investigativa

Além do reconhecimento facial, os agentes passaram a utilizar a plataforma de inteligência artificial SynapseAI, desenvolvida pela Procempa.

A ferramenta permite consultar informações a partir de dados como nome ou CPF, localizar registros relacionados à pessoa procurada, identificar padrões de deslocamento, analisar locais de maior circulação e produzir informações que auxiliam o planejamento operacional das equipes.

O objetivo não é substituir o trabalho investigativo, mas fornecer informações capazes de tornar as buscas mais rápidas e eficientes.

Tecnologia amplia alcance do cercamento eletrônico

O Cercamento Eletrônico já era utilizado em Porto Alegre para identificar veículos furtados ou roubados por meio da leitura automática de placas.

Com a incorporação do reconhecimento facial, o sistema amplia sua aplicação para outra frente importante da segurança pública: a localização de pessoas desaparecidas.

Segundo a administração municipal, a estratégia combina tecnologia, integração entre diferentes órgãos e inteligência de dados para fortalecer a resposta das forças de segurança e aumentar as possibilidades de localização em menor tempo.

Desaparecimentos seguem como desafio no Estado

O Rio Grande do Sul permanece entre os estados com maior número de registros de desaparecimentos no país, tornando a adoção de novas ferramentas tecnológicas uma das estratégias para ampliar a efetividade das buscas.

Especialistas destacam que desaparecimentos envolvem situações diversas, como conflitos familiares, vulnerabilidade social, problemas de saúde mental, exploração de pessoas e ocorrências criminais, exigindo respostas rápidas e integração entre diferentes instituições.

Com a nova funcionalidade, Porto Alegre amplia o uso da tecnologia aplicada à segurança pública e passa a contar com um sistema que combina monitoramento inteligente, reconhecimento facial e inteligência artificial para apoiar a localização de pessoas desaparecidas, reforçando a atuação integrada entre Município e Estado.

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