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Emergência do Clínicas entra em restrição máxima

Hospital registra quase três vezes mais pacientes do que sua capacidade e passa a receber apenas casos encaminhados pelo Samu durante 24 horas

A crescente pressão sobre a rede pública de saúde de Porto Alegre levou o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) a adotar uma medida extrema nesta terça-feira (4). A instituição anunciou que sua Emergência de Adultos entrou em restrição máxima por 24 horas, passando a receber exclusivamente pacientes encaminhados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A decisão foi tomada diante de um cenário considerado crítico pela direção do hospital. No momento da divulgação da medida, 165 pacientes ocupavam uma estrutura projetada para apenas 56 leitos, índice que representa praticamente o triplo da capacidade instalada e compromete o fluxo normal de atendimento.

A restrição começou às 10h e foi comunicada à Secretaria Municipal da Saúde, à Central Estadual de Regulação e aos demais órgãos responsáveis pela organização da rede de urgência e emergência.

Medida busca preservar o atendimento aos casos mais graves

Segundo o Hospital de Clínicas, a restrição máxima não significa o fechamento da emergência, mas sim uma reorganização temporária dos atendimentos para garantir assistência aos pacientes em situação crítica.

Durante esse período, apenas pessoas transportadas pelo Samu serão admitidas na Emergência de Adultos. Pacientes que chegarem espontaneamente ao hospital deverão ser orientados a procurar outras portas de entrada do sistema de saúde, como Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou outros hospitais da região, conforme a gravidade do quadro clínico.

A direção do HCPA afirma que a medida tem como principal objetivo preservar as equipes médicas e de enfermagem, evitando o colapso da assistência diante do elevado número de pacientes internados.

Superlotação reflete crise enfrentada pelas emergências

O cenário observado no Hospital de Clínicas não é isolado. Nos últimos meses, hospitais públicos e filantrópicos de Porto Alegre vêm registrando sucessivos episódios de superlotação, impulsionados principalmente pelo aumento das doenças respiratórias durante o inverno, pelo envelhecimento da população e pela alta demanda do Sistema Único de Saúde (SUS).

A pressão sobre as emergências também está relacionada à dificuldade de liberação de leitos de internação. Muitos pacientes permanecem por dias na emergência aguardando vagas em unidades de internação, reduzindo a capacidade de receber novos casos.

Esse efeito em cadeia acaba comprometendo toda a rede hospitalar, elevando o tempo de espera e aumentando a necessidade de restrições temporárias no atendimento.

Emergência pediátrica também enfrenta ocupação elevada

Além da emergência destinada aos adultos, o Hospital de Clínicas informou que a unidade pediátrica também opera acima da capacidade.

No momento do anúncio da restrição, 33 crianças estavam sendo atendidas em um setor preparado para apenas 14 leitos, situação que levou a instituição a reforçar orientações para que os responsáveis procurem atendimento hospitalar apenas em situações de urgência ou emergência.

Entre os casos que exigem busca imediata por assistência médica estão crises convulsivas, dificuldades respiratórias importantes, crises asmáticas graves e febre persistente que não responde aos medicamentos prescritos.

Para quadros leves, a recomendação é utilizar os serviços de atenção básica do município, evitando sobrecarregar ainda mais as emergências hospitalares.

Rede pública segue sob pressão

Especialistas em gestão hospitalar apontam que a restrição máxima é um recurso utilizado apenas quando o nível de ocupação impede que novos pacientes sejam atendidos com segurança.

Embora seja uma medida temporária, ela evidencia as dificuldades enfrentadas pelo sistema público de saúde durante períodos de maior demanda.

A ocupação muito acima da capacidade aumenta o risco de atrasos em procedimentos, prolonga o tempo de permanência dos pacientes e amplia a sobrecarga sobre médicos, enfermeiros e demais profissionais da assistência.

Nos últimos meses, diversos hospitais de alta complexidade da Capital já adotaram protocolos semelhantes para reorganizar o atendimento diante do elevado fluxo de pacientes.

Orientação à população

Enquanto durar a restrição, pessoas com problemas de saúde de menor gravidade devem procurar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde e nas UPAs do município.

Já situações com risco imediato à vida devem ser comunicadas ao Samu, pelo telefone 192, permitindo que a Central de Regulação encaminhe o paciente ao serviço hospitalar mais adequado conforme a disponibilidade de leitos e o grau de urgência.

A expectativa do Hospital de Clínicas é de que a medida permaneça em vigor por 24 horas, podendo ser revista conforme a evolução da ocupação da emergência e a liberação de novos leitos para internação.

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