Alice Nitz, de 14 anos, continuava frequentando a casa do ex-companheiro da mãe mesmo após a separação; polícia investiga o assassinato como feminicídio.
A investigação sobre a morte de Alice Nitz, de 14 anos, em Encantado, no Vale do Taquari, começa a revelar detalhes sobre a relação que a adolescente mantinha com o homem apontado como autor do crime.
Alice foi morta na segunda-feira (17), dentro da residência de Wagno Arezi Henika, de 40 anos, ex-companheiro da mãe da adolescente. O homem confessou o assassinato durante depoimento à Polícia Civil e está preso preventivamente.
Segundo a investigação, apesar de ter terminado o relacionamento com a mãe de Alice cerca de um mês antes do crime, Wagno continuava mantendo uma relação próxima com a adolescente. Os dois moravam no mesmo bairro, a poucas quadras de distância, e ela costumava visitar a residência dele.
O caso é investigado oficialmente como feminicídio.
Relação continuou depois da separação
Wagno e a mãe de Alice permaneceram juntos por aproximadamente 13 anos, período que começou quando a adolescente ainda era bebê.
Mesmo depois da separação, segundo a Polícia Civil, não havia histórico de conflito entre o homem e a ex-companheira.
A relação dele com Alice e com as demais filhas da mulher também era descrita como próxima.
A proximidade ajuda a explicar por que a adolescente continuava indo até a casa do ex-padrasto mesmo depois do fim do relacionamento entre os adultos.
Segundo a delegada Dieli Caumo, responsável pela investigação, os dois se viam com frequência e moravam a aproximadamente três quadras de distância. A presença de Alice na residência não era considerada incomum.
Homem confessou o assassinato
Wagno foi ouvido pela Polícia Civil e confessou ter matado Alice.
Segundo a versão apresentada no depoimento, teria ocorrido um desentendimento entre ele e a adolescente antes do ataque.
A polícia ainda trabalha para esclarecer exatamente o que aconteceu durante essa discussão e qual foi a sequência dos acontecimentos que terminou com a morte da jovem.
Alice foi encontrada morta dentro da residência onde Wagno morava. Segundo a investigação, ela sofreu golpes de um objeto cortante, possivelmente uma faca, na região do pescoço.
A confissão do investigado é um dos elementos que passaram a orientar a investigação, mas outras provas ainda precisam ser analisadas pelas autoridades.
Polícia descartou hipótese de vicaricídio
Um dos pontos que mudou durante a investigação foi a possibilidade de o crime ter sido cometido para atingir a mãe de Alice.
Inicialmente, a relação familiar entre o suspeito e a vítima levou os investigadores a considerar essa possibilidade.
O vicaricídio ocorre quando uma pessoa mata alguém próximo de uma mulher com o objetivo de provocar sofrimento, punição ou controle sobre essa mulher.
Após ouvir familiares, testemunhas e o próprio investigado, a Polícia Civil informou que não encontrou elementos que apontassem para um conflito entre Wagno e a ex-companheira.
Por isso, essa linha foi descartada.
A investigação passou a considerar oficialmente o crime como feminicídio, diante dos elementos reunidos até o momento.
Não havia medida protetiva contra o suspeito
Outro dado considerado relevante pela investigação é que, segundo a delegada responsável, não havia registro anterior de ocorrência nem medida protetiva envolvendo Wagno e a mãe da adolescente.
A Polícia Civil também informou que, nas conversas com a família, não identificou um histórico de conflito que indicasse que Alice pudesse estar sendo utilizada como instrumento de vingança contra a mãe.
Isso não significa que a investigação esteja concluída.
A motivação apontada pelo próprio suspeito — um suposto desentendimento com a adolescente — ainda está sendo analisada pelos investigadores.
Defesa afirma que investigado está colaborando
Após a prisão, a defesa de Wagno informou que o investigado está colaborando com as investigações.
O advogado Márcio Arcari também destacou que a defesa acompanha o processo e que serão avaliados os elementos reunidos pela Polícia Civil.
A manifestação é importante porque o homem está na condição de investigado, ainda que tenha confessado o crime à polícia.
A eventual responsabilização criminal dependerá do andamento da investigação e das etapas posteriores do processo judicial.
Prisão preventiva foi decretada
Wagno foi preso preventivamente na noite de terça-feira (18), no mesmo imóvel onde o crime teria acontecido.
Antes disso, testemunhas teriam visto o homem deixando a residência.
A prisão ocorreu no bairro Jardim do Trabalhador, em Encantado.
A medida preventiva mantém o investigado preso enquanto o caso avança e não representa, por si só, uma condenação definitiva.
Quem era Alice
A investigação criminal é apenas uma parte da história.
Alice era estudante da Escola Estadual de Ensino Fundamental Jardim do Trabalhador, onde estudava desde a educação infantil.
Na comunidade escolar, era lembrada pelo envolvimento com atividades artísticas e esportivas.
A adolescente participava do grupo de dança tradicionalista Oigalê, ligado à escola, e também declamava poesias.
Ela ainda praticava futsal pelo Fênix FC Futsal Feminino, equipe que publicou uma mensagem de homenagem após a morte da jovem.
A descrição feita por pessoas próximas apresenta uma adolescente inserida em atividades culturais e esportivas da comunidade de Encantado.
Crime provocou comoção em Encantado
A morte de Alice mobilizou a comunidade local e gerou manifestações de colegas, professores e pessoas ligadas às atividades que ela frequentava.
O envolvimento da adolescente com dança, poesia e esporte fez com que diferentes grupos da cidade fossem atingidos pela notícia.
O caso também ganhou repercussão estadual pela idade da vítima e pela relação que ela mantinha com o suspeito.
O que a polícia ainda precisa esclarecer
Apesar da confissão, existem pontos que permanecem em investigação.
Entre eles está a dinâmica completa do crime e a motivação do ataque.
A versão apresentada pelo investigado sobre um desentendimento com Alice precisa ser confrontada com os demais elementos reunidos pelos investigadores.
Depoimentos de familiares e testemunhas, perícias e outros elementos de prova serão importantes para estabelecer a sequência dos acontecimentos.
A Polícia Civil também precisa consolidar os elementos que sustentam o enquadramento do caso como feminicídio.
Caso segue sob investigação
A morte de Alice Nitz não é tratada pela Polícia Civil como um episódio isolado sem contexto.
Os investigadores estão reconstruindo a relação entre a adolescente e o ex-padrasto, os acontecimentos que antecederam o crime e o que ocorreu dentro da residência.
Até agora, alguns pontos estão estabelecidos: Alice tinha 14 anos, foi morta em Encantado, Wagno Henika confessou o assassinato, está preso preventivamente e a investigação passou a tratar o caso como feminicídio.
A polícia, porém, ainda precisa esclarecer completamente por que o ataque aconteceu e como se desenvolveu a sequência que terminou na morte da adolescente.
O avanço dessas respostas será determinante para o processo criminal.










