A 49ª Expointer, que será realizada entre os dias 29 de agosto e 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, já demonstra que a edição de 2026 deverá ser uma das mais representativas dos últimos anos. Com o encerramento das inscrições dos animais de argola — aqueles que participam dos julgamentos morfológicos e competições oficiais —, a feira contabilizou 5.756 exemplares inscritos, o maior número registrado desde 2012 e um crescimento superior a 12% em relação ao ano passado.
O resultado reforça a recuperação da pecuária gaúcha após os desafios enfrentados nos últimos anos, especialmente em razão dos eventos climáticos extremos que atingiram o Rio Grande do Sul. Além de representar um aumento expressivo na participação de criadores, os números confirmam a importância da Expointer como principal vitrine da genética animal brasileira e uma das maiores feiras agropecuárias da América Latina.
O que são os animais de argola?
Os chamados animais de argola são aqueles inscritos para participar das avaliações técnicas e julgamentos realizados durante a Expointer. Diferentemente dos animais comercializados em leilões ou destinados apenas à exposição, esses exemplares passam por criteriosas avaliações conduzidas por jurados especializados.
Nos julgamentos são observadas características como:
- padrão racial;
- conformação física;
- desenvolvimento corporal;
- qualidade genética;
- funcionalidade;
- aptidão produtiva.
Os resultados obtidos nas pistas valorizam os reprodutores e matrizes, influenciando diretamente o mercado da pecuária de corte, leite, ovinos, caprinos e equinos.
Para muitos criadores, conquistar um prêmio na Expointer representa reconhecimento nacional e agrega valor ao plantel, refletindo inclusive na comercialização de sêmen, embriões e animais de reprodução.
Crescimento demonstra confiança dos expositores
Segundo o comissário-geral da Expointer, Pablo Charão, o aumento nas inscrições evidencia a confiança dos criadores no evento e no momento vivido pelo agronegócio gaúcho.
Depois de uma edição marcada pela recuperação após as enchentes, a feira volta a registrar números comparáveis aos observados há mais de uma década.
O crescimento foi impulsionado principalmente por alguns segmentos específicos da pecuária, que terão exposições nacionais dentro da própria Expointer, fator que tradicionalmente amplia o número de inscrições de determinadas raças.
Bovinos de corte lideram crescimento
Entre os destaques desta edição está o Pavilhão de Bovinos de Corte, que registrou forte expansão.
Os zebuínos apresentaram crescimento de aproximadamente 78% nas inscrições em relação ao ano anterior.
Outro destaque foi a raça Senepol, que registrou aumento superior a 200% no número de exemplares inscritos.
Já a raça Brangus será protagonista da exposição nacional da categoria, reunindo quase duas centenas de animais para julgamento.
Os números confirmam o bom momento da pecuária de corte, setor que continua investindo em melhoramento genético e na apresentação de animais de alto desempenho durante a feira.
Caprinos e pequenos animais também avançam
O crescimento não ficou restrito aos bovinos.
O Pavilhão de Caprinos registrou aumento de aproximadamente 16%, impulsionado principalmente pela realização da exposição nacional da raça Boer, especializada na produção de carne.
Já o setor de Pequenos Animais apresentou expansão ainda maior.
Coelhos, chinchilas e pássaros elevaram significativamente a participação na feira, com crescimento superior a 40%, enquanto algumas categorias praticamente dobraram o número de inscrições em relação ao ano passado.
Algumas categorias registraram redução
Embora o resultado geral tenha sido bastante positivo, alguns segmentos apresentaram diminuição no número de participantes.
Os bovinos leiteiros tiveram queda aproximada de 10%, apesar do crescimento observado na raça Gir Leiteiro.
No setor de equinos, algumas raças tradicionais ampliaram participação, mas a ausência de outras exposições específicas reduziu o total geral de inscritos.
Mesmo assim, os organizadores avaliam que essas oscilações fazem parte da dinâmica natural da feira e não comprometem o desempenho geral da edição de 2026.
Novidades marcam a edição de 2026
Além do aumento nas inscrições, a Expointer contará com novidades importantes.
Entre elas está a estreia da raça Senangus, desenvolvida a partir do cruzamento entre Senepol e Aberdeen Angus, que participará pela primeira vez da exposição.
Também retornam à feira algumas raças que estavam ausentes havia anos, como:
- Galloway, que não participava desde 2007;
- Crioulo Lageano, ausente havia 11 anos;
- Tabapuã;
- Guzerá.
Esses retornos ampliam a diversidade genética apresentada ao público e fortalecem o caráter técnico da exposição.
Expointer movimenta toda a cadeia do agronegócio
Mais do que uma exposição de animais, a Expointer é considerada um dos principais eventos econômicos do Rio Grande do Sul.
Durante nove dias, o Parque Assis Brasil reúne produtores rurais, cooperativas, empresas de máquinas agrícolas, instituições financeiras, centros de pesquisa, universidades e representantes de diversos segmentos ligados ao agronegócio.
Além dos julgamentos e competições, a programação inclui:
- leilões de genética;
- lançamentos de tecnologias;
- demonstrações de máquinas agrícolas;
- feira da agricultura familiar;
- palestras técnicas;
- eventos de negócios;
- apresentações culturais.
A expectativa é que milhares de visitantes circulem pelo parque durante a edição deste ano, movimentando diversos setores da economia gaúcha.
Preparativos entram na reta final
Com o encerramento das inscrições dos animais de argola, a organização da Expointer entra agora na fase final de preparação para receber criadores e visitantes.
A entrada dos animais no Parque Assis Brasil ocorrerá nos dias que antecedem a abertura oficial da feira, quando serão realizadas inspeções sanitárias, conferência documental e organização dos pavilhões.
A expectativa é de que a edição de 2026 consolide a recuperação do setor agropecuário gaúcho e reafirme o papel da Expointer como uma das principais vitrines da genética animal e do agronegócio brasileiro.








