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Exportação de ovos dispara 29,4% em setembro

Embarques movimentaram US$ 5,9 milhões no mês; Chile liderou as compras, enquanto resultado acumulado ainda é influenciado pelo volume excepcional exportado aos Estados Unidos em 2025.

As exportações brasileiras de ovos apresentaram forte crescimento em setembro de 2026, com avanço tanto no volume embarcado quanto na receita obtida pelo setor. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que o Brasil exportou 2,686 mil toneladas de ovos in natura e processados durante o mês.

O resultado representa um crescimento de 29,4% em comparação com setembro de 2025, quando foram embarcadas 2,076 mil toneladas.

A receita também aumentou. As vendas externas movimentaram US$ 5,866 milhões em setembro, alta de aproximadamente 6% sobre os US$ 5,536 milhões registrados no mesmo mês do ano passado.

O desempenho reforça a presença do produto brasileiro no mercado internacional e ocorre em um cenário de maior diversificação dos destinos das exportações.

Chile lidera compras de ovos brasileiros

O Chile foi o principal destino dos ovos brasileiros em setembro.

Os chilenos importaram 1,204 mil toneladas durante o mês, volume 201,3% superior ao registrado em setembro de 2025, quando foram embarcadas 400 toneladas.

O resultado coloca o mercado chileno em posição de destaque entre os compradores da produção brasileira e demonstra o avanço das vendas para a América Latina.

Na sequência aparecem outros mercados importantes para a proteína brasileira.

O Japão recebeu 351 toneladas, queda de 49,3% em relação às 692 toneladas registradas em setembro do ano passado.

O Equador importou 300 toneladas. No mesmo mês de 2025, não havia registro de embarques brasileiros para o país.

O México aparece na quarta posição, com 244 toneladas, uma redução de 2,6% na comparação anual.

Já Serra Leoa recebeu 135 toneladas em setembro, também sem registro de embarques no mesmo mês de 2025.

Resultado do ano ainda é negativo

Apesar do crescimento registrado em setembro, o resultado acumulado de 2026 apresenta uma situação diferente.

Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 22,669 mil toneladas de ovos, volume 34,1% menor que as 34,378 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.

A receita acumulada chegou a US$ 49,769 milhões, queda de 38,4% em relação aos US$ 80,832 milhões registrados nos nove primeiros meses do ano passado.

Os números podem parecer contraditórios à primeira vista: enquanto setembro apresentou crescimento de quase 30%, o acumulado continua negativo.

A explicação está principalmente no comportamento das exportações para os Estados Unidos durante 2025.

Estados Unidos distorcem comparação anual

O mercado norte-americano teve uma participação extraordinária nas exportações brasileiras de ovos em 2025.

Naquele ano, os Estados Unidos enfrentaram impactos sobre a oferta doméstica provocados pela Influenza Aviária, o que elevou a necessidade de importação.

Entre janeiro e setembro de 2025, os norte-americanos compraram 19,515 mil toneladas de ovos brasileiros.

No mesmo período de 2026, esse volume despencou para apenas 168 toneladas.

Essa diferença tem impacto significativo na comparação entre os dois anos e explica boa parte da retração observada no acumulado de 2026.

Sem os Estados Unidos, cenário muda

Quando os embarques destinados aos Estados Unidos são retirados da comparação, o desempenho das exportações brasileiras muda completamente.

Considerando apenas os demais mercados, as vendas externas cresceram 51,4% entre janeiro e setembro.

O volume passou de 14,863 mil toneladas em 2025 para 22,501 mil toneladas em 2026.

Esse dado demonstra que a retração apresentada no resultado geral não significa necessariamente perda generalizada de espaço para o ovo brasileiro no exterior.

Pelo contrário, os números indicam uma expansão significativa das vendas para outros países e uma maior distribuição dos mercados compradores.

Diversificação reduz dependência de um único mercado

A expansão das vendas para países como Chile e Equador chama atenção justamente pela diversificação.

A dependência excessiva de um único mercado pode aumentar a exposição do setor brasileiro às oscilações de demanda, problemas sanitários, mudanças regulatórias ou alterações nas condições econômicas de determinado país.

A ampliação da presença brasileira em diferentes regiões cria uma base mais diversificada para as exportações.

Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o crescimento registrado em setembro e a expansão para mercados como Chile e Equador demonstram essa diversificação.

Na avaliação da entidade, quando o efeito excepcional das compras norte-americanas de 2025 é retirado da conta, o crescimento superior a 50% no acumulado mostra avanço da presença internacional dos ovos brasileiros.

Mercado internacional continua estratégico para o setor

A exportação de ovos representa uma importante frente de expansão para a cadeia produtiva brasileira.

O setor envolve produtores, granjas, indústrias de processamento, empresas de logística, transportadores e estruturas responsáveis pela comercialização internacional.

O crescimento das vendas externas também amplia as possibilidades de comercialização da produção brasileira e reduz a dependência exclusiva do mercado doméstico.

Além disso, a presença em diferentes países permite que empresas brasileiras desenvolvam relações comerciais de longo prazo e ampliem sua participação em mercados de maior demanda.

Os números de setembro mostram que o setor conseguiu aumentar os embarques, mesmo diante da forte diferença de comparação provocada pelo comportamento excepcional do mercado norte-americano no ano anterior.

Setembro registra recuperação importante

O crescimento de 29,4% no volume exportado em setembro coloca o mês entre os resultados positivos do comércio internacional de ovos brasileiros em 2026.

O aumento da receita, entretanto, foi menor que o crescimento do volume: enquanto as toneladas embarcadas avançaram 29,4%, o faturamento subiu 6%.

Isso significa que o crescimento do volume não foi acompanhado, na mesma proporção, pelo valor médio obtido por tonelada.

Ainda assim, a expansão dos embarques mostra capacidade de absorção da produção brasileira por diferentes mercados internacionais.

Brasil amplia presença fora dos Estados Unidos

Os dados de setembro reforçam uma tendência de maior diversificação dos destinos.

O crescimento expressivo das vendas para o Chile, a entrada do Equador entre os compradores e a manutenção de mercados como México e Japão mostram que o comércio exterior brasileiro de ovos não depende exclusivamente do mercado norte-americano.

Essa diversificação ganha ainda mais importância quando se observa que os Estados Unidos foram responsáveis por uma parcela excepcionalmente elevada das compras brasileiras em 2025.

Com a normalização daquele mercado em 2026, outros destinos passaram a ter maior peso na composição das exportações.

Perspectivas para o setor

O desempenho dos próximos meses será importante para avaliar se o crescimento observado em setembro representa uma tendência de consolidação ou apenas uma oscilação mensal.

O principal ponto de atenção está na capacidade do setor brasileiro de manter o avanço das vendas para mercados alternativos aos Estados Unidos.

Caso a expansão para países da América Latina, Ásia, África e outros mercados continue, o setor poderá reduzir progressivamente os efeitos de comparações com o período excepcional de 2025.

Por enquanto, os dados disponíveis mostram duas realidades distintas: setembro foi positivo para as exportações brasileiras de ovos, mas o acumulado de janeiro a setembro permanece abaixo do registrado no ano passado.

A diferença é explicada, em grande parte, pela excepcionalidade das compras norte-americanas ocorridas em 2025.

O Jornal MPV acompanha os principais movimentos do agronegócio e do comércio exterior brasileiro, especialmente aqueles que podem impactar a economia, a produção e os mercados consumidores.

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