Evento no Salão de Atos da PUCRS marca etapa de programa criado após as enchentes de 2024 e reúne estudantes, educadores e organizações de diferentes municípios gaúchos.
O Jornal MPV esteve presente em Porto Alegre em um evento que reuniu representantes de escolas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul para apresentar os resultados de uma etapa do programa Construir Juntos, iniciativa desenvolvida pela Parceiros Voluntários a partir dos aprendizados deixados pelas enchentes que atingiram o Estado em 2024.
A atividade foi realizada no Salão de Atos da PUCRS, na Capital, e reuniu representantes de 36 escolas de diferentes municípios gaúchos, que participaram de um processo de formação ao longo dos últimos meses.
Durante o encontro, as instituições tiveram a oportunidade de apresentar umas às outras os projetos desenvolvidos para suas comunidades e compartilhar experiências relacionadas à prevenção, preparação e resposta diante de situações de emergência.
Em entrevista ao MPV, Graziela Loureiro, superintendente da Parceiros Voluntários, explicou que o programa surgiu a partir de uma nova necessidade identificada após a tragédia climática de 2024: além da atuação emergencial, era necessário trabalhar a reconstrução e preparar comunidades para situações futuras.

Programa nasceu após as enchentes de 2024
A atuação da Parceiros Voluntários durante as enchentes de 2024 ocorreu inicialmente em uma frente emergencial, conectando pessoas que precisavam de ajuda com pessoas, empresas e organizações que tinham condições de contribuir.
Depois da fase mais crítica, a organização passou a discutir como atuar no período de reconstrução e reerguimento dos territórios atingidos.
Foi nesse contexto que surgiu o Construir Juntos.
Segundo Graziela Loureiro, a proposta foi criar um programa voltado principalmente para organizações da sociedade civil e escolas, com o objetivo de ampliar a autonomia dessas instituições e desenvolver capacidades para enfrentar situações de emergência climática e comunitária.
A ideia é que as comunidades não dependam apenas de respostas externas quando um desastre acontece, mas tenham conhecimento, planejamento e pessoas preparadas para agir.

36 escolas participaram da formação
Ao todo, 36 escolas de diferentes municípios do Rio Grande do Sul participaram da formação promovida pelo programa.
As instituições estão distribuídas por diferentes regiões do Estado, incluindo municípios como Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Cachoeirinha e Nova Prata.
A diversidade geográfica permite que estudantes e educadores tenham contato com realidades diferentes e percebam que os problemas enfrentados pelas comunidades podem variar de acordo com o território.
Ao mesmo tempo, situações distintas podem exigir soluções semelhantes.
Durante o encontro na PUCRS, uma escola apresentou seu projeto para outras participantes, criando um espaço de troca de experiências e conhecimento.
A proposta é fazer com que os participantes conheçam iniciativas desenvolvidas em outros territórios e possam adaptar ideias às necessidades de suas próprias comunidades.

Jovens assumem papel de protagonistas
Um dos principais eixos do Construir Juntos é o incentivo ao protagonismo juvenil.
Em vez de colocar os jovens apenas como espectadores diante dos problemas existentes em seus bairros e comunidades, o programa busca estimular uma participação mais ativa.
A formação trabalha conceitos relacionados à educação para a cidadania, responsabilidade social e participação comunitária.
A proposta é que os estudantes consigam identificar problemas existentes em seus territórios, discutir possíveis soluções e buscar parceiros que possam contribuir para a execução dos projetos.
Na avaliação apresentada pela organização, esse processo contribui para desenvolver nos jovens uma percepção de responsabilidade individual e coletiva.
Ou seja, o estudante passa a compreender que faz parte da comunidade e também pode participar da construção de soluções.

Planos de contingência para novas emergências
Outro ponto central da formação foi a elaboração de planos de contingência pelas escolas.
O planejamento tem como objetivo preparar as instituições para agir diante de uma eventual nova emergência climática.
As enchentes de 2024 demonstraram os impactos que eventos extremos podem causar no funcionamento de escolas, comunidades e serviços públicos.
Ter previamente definido quem deve agir, como as informações serão comunicadas, quais são os principais riscos e quais procedimentos devem ser adotados pode reduzir a desorganização durante uma situação crítica.
Nesse sentido, o programa trabalha não apenas a reação ao desastre, mas também a preparação antecipada.
Desenvolvimento de habilidades para além da escola
A formação também busca desenvolver competências que podem ser utilizadas pelos jovens em diferentes áreas da vida.
Entre elas estão liderança, trabalho em equipe, resolução de problemas, colaboração, cooperação e resiliência.
Essas competências são frequentemente associadas às chamadas habilidades socioemocionais ou soft skills.
A proposta é que os conhecimentos adquiridos durante o projeto não fiquem restritos ao ambiente escolar.
Ao participar da construção de projetos, os estudantes precisam aprender a organizar tarefas, trabalhar coletivamente, lidar com dificuldades, apresentar ideias e buscar soluções.
Dessa maneira, o programa procura conectar a educação escolar com desafios concretos encontrados nas comunidades.

Troca entre diferentes realidades do Rio Grande do Sul
A presença de escolas de diferentes municípios também possibilitou uma troca de experiências entre regiões que possuem características distintas.
Uma comunidade pode ter enfrentado problemas relacionados a enchentes, enquanto outra pode ter outras vulnerabilidades ambientais ou sociais.
Mesmo diante dessas diferenças, o processo de preparação pode apresentar pontos em comum.
A apresentação dos projetos permite que os estudantes percebam como outras escolas estão trabalhando seus próprios desafios e quais estratégias podem ser adaptadas.
O encontro, portanto, funciona também como um espaço de integração entre jovens, educadores e comunidades de diferentes partes do Estado.
Parceiros Voluntários atua há três décadas
Durante a entrevista concedida ao MPV, Graziela Loureiro também destacou a trajetória da Parceiros Voluntários, organização que atua há aproximadamente três décadas no desenvolvimento de ações relacionadas à responsabilidade social.
A entidade trabalha com empresas, pessoas, jovens e organizações da sociedade civil, buscando fortalecer a capacidade dessas instituições para desenvolver suas próprias ações e atuar em suas comunidades.
Dentro dessa perspectiva, o Construir Juntos amplia a atuação para o campo da preparação comunitária diante de emergências.
A iniciativa procura transformar experiências vividas durante a crise de 2024 em conhecimento e preparação para o futuro.

MPV acompanha iniciativa
A equipe do Portal MPV esteve presente no evento realizado na PUCRS e conversou com representantes da organização para apresentar ao público o trabalho desenvolvido pelo programa.
A entrevista com Graziela Loureiro, superintendente da Parceiros Voluntários, abordou a origem do projeto, a participação das escolas, o protagonismo dos jovens e a importância da preparação das comunidades.
O MPV também seguirá acompanhando as iniciativas desenvolvidas pelas escolas participantes e os projetos construídos a partir da formação.
A experiência apresentada durante o encontro mostra uma mudança de perspectiva na preparação para eventos extremos: além de responder às emergências quando elas acontecem, comunidades e instituições podem trabalhar previamente para reduzir riscos, organizar respostas e ampliar sua capacidade de recuperação.
Em um Estado que enfrentou uma das maiores tragédias climáticas de sua história recente, iniciativas voltadas à preparação de escolas, jovens e comunidades ganham importância estratégica para a construção de territórios mais preparados para futuras situações de emergência.







