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Greve da Caixa começa nesta quinta

Os empregados da Caixa Econômica Federal aprovaram a realização de uma greve nacional por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (10). A decisão ocorreu após a categoria rejeitar a proposta apresentada pelo banco para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e das regras da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

As assembleias que definiram a paralisação foram realizadas nos dias 3 e 4 de setembro, com rejeição da proposta na grande maioria das bases sindicais. Segundo a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), a proposta foi rejeitada em 128 bases sindicais.

A principal controvérsia envolve o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados, além de reivindicações relacionadas às condições de trabalho e à participação dos trabalhadores nos resultados do banco.

Saúde Caixa é o principal ponto de conflito

Entre os temas que mais provocaram resistência está o modelo de custeio do Saúde Caixa.

Segundo as entidades que representam os trabalhadores, a proposta apresentada pela Caixa prevê mudanças nos valores pagos pelos empregados. Para os titulares da ativa, a contribuição passaria a variar conforme a faixa etária, ficando entre 2,70% e 4,50% da remuneração-base.

Também está prevista a cobrança de mensalidades para dependentes, com valores que podem variar entre R$ 480 e R$ 660, de acordo com a idade.

Para aposentados e pensionistas, a proposta prevê aumento da contribuição do titular de 3,5% para 4,5% da remuneração-base, além de cobrança de R$ 660 por dependente.

Outro ponto de discussão é o aumento do teto de comprometimento da renda familiar, que passaria de 7% para 9%.

Os trabalhadores defendem maior participação financeira da Caixa no plano e reivindicam a retomada efetiva do modelo de custeio 70% para o banco e 30% para os empregados.

Também está entre as reivindicações a retirada do chamado teto de 6,5%, que limita a participação da Caixa no custeio do plano.

Trabalhadores afirmam que proposta aumenta custos

As entidades sindicais argumentam que as mudanças podem elevar significativamente os gastos dos beneficiários do Saúde Caixa.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC) afirma que, em determinados casos, a proposta pode representar aumento de aproximadamente 50% nos valores pagos atualmente. A entidade também criticou o fato de alterações no plano terem sido apresentadas na etapa final das negociações.

Para os representantes dos empregados, o plano de saúde deve permanecer como um benefício sustentável, sem que o aumento dos custos seja transferido de forma excessiva para trabalhadores, aposentados e seus dependentes.

Greve foi aprovada por tempo indeterminado

A paralisação está prevista para começar a partir desta quinta-feira (10) e não tem prazo definido para terminar.

A decisão foi tomada depois que a categoria rejeitou a proposta apresentada pela Caixa durante as negociações nacionais.

Em diferentes estados, os sindicatos realizaram assembleias e aprovaram a paralisação. No Ceará, por exemplo, 95,67% dos trabalhadores que participaram da votação rejeitaram a proposta, enquanto 75,53% aprovaram a greve por tempo indeterminado.

Em outras bases, os índices de rejeição também foram elevados, demonstrando a dimensão nacional da insatisfação com o acordo apresentado pelo banco.

Caixa chama trabalhadores para nova negociação

Apesar da greve estar programada para começar nesta quinta-feira, a negociação ainda não foi encerrada.

A Caixa convocou uma nova rodada de negociação para esta quarta-feira (9), em São Paulo, com representantes dos empregados. A convocação ocorreu após o resultado das assembleias realizadas em todo o país.

A nova reunião pode ser decisiva para os próximos passos do movimento. Caso as partes cheguem a um novo entendimento capaz de ser aprovado pelos trabalhadores, a paralisação poderá ser evitada ou interrompida.

Por outro lado, caso não haja avanço considerado suficiente pelos empregados, a orientação permanece pela deflagração da greve a partir desta quinta-feira.

A representação dos trabalhadores afirma que o objetivo continua sendo alcançar um acordo que atenda às reivindicações da categoria, principalmente em relação ao Saúde Caixa.

O que pode acontecer com o atendimento nas agências

Com a possibilidade de paralisação, clientes da Caixa podem encontrar agências com atendimento presencial reduzido ou interrompido a partir desta quinta-feira.

A extensão da paralisação poderá variar de acordo com a adesão dos trabalhadores em cada unidade e região.

Serviços digitais e eletrônicos, como aplicativo da Caixa, internet banking, Pix e terminais de autoatendimento, tendem a continuar disponíveis. Entretanto, serviços que dependem exclusivamente de atendimento presencial podem sofrer alterações conforme a adesão à greve.

Clientes que precisam realizar operações bancárias devem, quando possível, utilizar os canais digitais e eletrônicos do banco e verificar previamente o funcionamento da agência antes de se deslocar.

Impacto também pode chegar ao Rio Grande do Sul

A mobilização tem alcance nacional e também pode afetar o atendimento nas agências da Caixa no Rio Grande do Sul, incluindo Porto Alegre e municípios da Região Metropolitana.

O Estado já registrou mobilizações recentes envolvendo trabalhadores do sistema financeiro. Em uma paralisação nacional realizada em agosto, agências de Porto Alegre tiveram atendimento presencial afetado, enquanto os terminais de autoatendimento permaneceram funcionando. Na ocasião, o SindBancários informou que a categoria reunia aproximadamente 23 mil trabalhadores no Rio Grande do Sul, sendo cerca de 13 mil na Região Metropolitana e Região Carbonífera.

A adesão à nova greve, entretanto, poderá variar de uma agência para outra.

Negociação pode definir os próximos passos

A reunião desta quarta-feira (9) ocorre poucas horas antes do início previsto da greve e coloca novamente Caixa e trabalhadores frente a frente.

O principal desafio é encontrar uma proposta capaz de superar o impasse sobre o Saúde Caixa e os demais pontos específicos do acordo coletivo.

Caso não haja acordo, a paralisação deverá começar nesta quinta-feira (10), por tempo indeterminado.

A greve, portanto, ainda pode sofrer alterações de acordo com o resultado das negociações entre a direção da Caixa e as entidades representantes dos empregados.

O Jornal MPV acompanha a situação e poderá atualizar as informações sobre a adesão à greve, o funcionamento das agências e eventuais mudanças nas negociações que possam afetar os clientes da Caixa no Rio Grande do Sul.

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