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Greve dos Correios continua

Decisão do Tribunal Superior do Trabalho estabelece funcionamento mínimo nas unidades durante a paralisação nacional; julgamento do dissídio está marcado para 21 de setembro.

A greve dos trabalhadores dos Correios continua por tempo indeterminado nesta segunda-feira (14), enquanto uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) determina que pelo menos 80% do efetivo permaneça em atividade durante a paralisação.

A decisão liminar foi proferida no sábado (12), pelo presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, após os Correios recorrerem à Justiça do Trabalho para garantir a manutenção dos serviços considerados essenciais. O tribunal também deverá analisar a legalidade da paralisação e as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.

A determinação estabelece que o percentual mínimo de trabalhadores deve ser mantido individualmente em cada unidade, incluindo, quando aplicável, cada turno e atividade essencial. Não é permitido compensar uma eventual falta de trabalhadores em uma unidade com um número maior de funcionários trabalhando em outra.

Greve começou na semana passada

A paralisação teve início na quinta-feira (10 de setembro), após as negociações entre os trabalhadores e a direção dos Correios terminarem sem acordo.

A categoria rejeitou a proposta apresentada pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho e aprovou uma greve por tempo indeterminado.

O movimento conta com a participação de sindicatos de diferentes regiões do país, incluindo bases no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Ceará, Pernambuco, Pará, Distrito Federal e outros estados.

A Federação dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect) mantém a orientação para que os trabalhadores continuem mobilizados.

TST determina funcionamento mínimo

A decisão do TST determina que 80% dos trabalhadores permaneçam em atividade nas áreas necessárias para garantir a continuidade dos serviços postais.

A exigência alcança:

  • unidades de atendimento ao público;
  • centros de tratamento de correspondências e encomendas;
  • transporte;
  • distribuição;
  • áreas administrativas indispensáveis;
  • setores de suporte necessários ao funcionamento da cadeia postal.

O percentual precisa ser respeitado em cada unidade e, quando necessário, em cada turno e atividade considerada essencial.

A medida não determina o encerramento da greve. Na prática, os trabalhadores podem continuar em paralisação, mas os sindicatos precisam garantir o percentual mínimo estabelecido pelo tribunal.

Agências continuam funcionando

Os Correios informaram que a rede de agências permanece aberta ao público, apesar da paralisação.

A estatal também acionou um Plano de Continuidade de Negócios para tentar reduzir os impactos da greve.

Entre as medidas adotadas estão o deslocamento de funcionários administrativos para apoiar as atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo de correspondências e encomendas.

Isso significa que a greve não representa uma interrupção completa das atividades dos Correios.

No entanto, a paralisação pode provocar atrasos na distribuição e entrega de encomendas e correspondências, dependendo da adesão dos trabalhadores em cada região e da capacidade operacional das unidades.

Principais pontos de conflito

Um dos principais pontos de divergência nas negociações envolve o plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes.

As entidades sindicais também contestam medidas relacionadas ao processo de reestruturação da empresa e afirmam que algumas mudanças propostas podem resultar em perda de direitos e benefícios.

A categoria critica ainda medidas que envolvem o funcionamento da rede dos Correios, incluindo propostas relacionadas ao fechamento de agências e à redução de distritos postais.

Os trabalhadores sustentam que não podem ser responsabilizados individualmente pela situação financeira da estatal.

Correios alegam dificuldades financeiras

Os Correios afirmam que atravessam um período de dificuldades econômico-financeiras e defendem que as medidas propostas fazem parte de um processo de reestruturação.

Segundo a empresa, entre as prioridades estão a redução de despesas, aumento da eficiência operacional, modernização dos serviços e geração de novas receitas.

A estatal também busca um novo empréstimo de aproximadamente R$ 7 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, dentro do processo de reestruturação financeira.

No primeiro semestre de 2026, os Correios registraram resultados negativos significativos, aumentando a pressão por medidas para recuperar a situação financeira da empresa.

Greve ocorre durante período eleitoral

Um dos argumentos considerados pelo TST para determinar a manutenção de um percentual elevado de trabalhadores foi o caráter essencial das atividades desempenhadas pelos Correios.

Na decisão, o tribunal destacou também que a paralisação ocorre durante o período eleitoral de 2026, quando a estatal possui compromissos relacionados ao atendimento de demandas de órgãos públicos e privados envolvidos no processo eleitoral.

Por esse motivo, o tribunal considerou necessário assegurar um nível mínimo de funcionamento da empresa enquanto a disputa trabalhista não é solucionada.

Julgamento do dissídio está marcado

O TST marcou para 21 de setembro, às 13h30, o julgamento do dissídio coletivo envolvendo a greve dos Correios.

Até essa data, trabalhadores e empresa ainda podem chegar a um acordo nas negociações e evitar que o tribunal precise definir os termos do conflito.

Caso não haja entendimento, o TST deverá analisar as reivindicações apresentadas pelas partes e as condições para encerramento da paralisação.

Enquanto isso, a greve permanece em andamento e os sindicatos continuam orientando os trabalhadores a manter a mobilização.

Como a greve pode afetar os clientes

Para quem utiliza os serviços dos Correios, o principal impacto esperado é a possibilidade de atrasos em entregas e distribuição de correspondências.

A manutenção de 80% do efetivo busca impedir uma paralisação total, mas não elimina a possibilidade de alterações nos prazos, principalmente em locais onde a adesão ao movimento seja maior.

Clientes que aguardam encomendas devem acompanhar o rastreamento e verificar eventuais atualizações no sistema dos Correios.

A empresa, por sua vez, afirma estar adotando medidas para preservar o funcionamento da operação e minimizar os efeitos da paralisação.

Situação ainda pode mudar

A situação dos Correios pode sofrer alterações nos próximos dias conforme avancem as negociações entre a estatal e as entidades sindicais.

A decisão do TST garante o funcionamento mínimo das atividades, mas não encerra a greve.

O próximo momento decisivo será o julgamento do dissídio coletivo marcado para 21 de setembro.

Até lá, a categoria permanece mobilizada e os Correios seguem operando com contingenciamento para tentar manter a prestação dos serviços.

O Jornal MPV continuará acompanhando os desdobramentos da greve e os possíveis impactos para consumidores e empresas no Rio Grande do Sul e no restante do país.

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