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Guaíba sobe, mas começa a estabilizar

Nível subiu 11 centímetros em 24 horas no Cais Mauá, mas boletim do SGB aponta possibilidade de início da queda durante o fim de semana.

O nível do Guaíba chegou a 2,46 metros no Cais Mauá, em Porto Alegre, na manhã desta sexta-feira (2). A medição foi registrada às 8h e representa uma elevação de 11 centímetros em 24 horas.

Apesar da nova alta, o cenário hidrológico apresenta um sinal de mudança. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o Guaíba e o Delta do Jacuí já apresentam sinais de estabilização, com previsão de que os níveis comecem a diminuir durante o fim de semana.

A situação, porém, continua sendo monitorada pelas autoridades, principalmente nas áreas mais baixas e próximas às margens do Guaíba.

Ilha da Pintada também registra elevação

Na Ilha da Pintada, uma das áreas mais vulneráveis de Porto Alegre durante períodos de elevação do Guaíba, o nível chegou a 2,30 metros às 7h26 desta sexta-feira.

O número representa uma alta de 14 centímetros em relação à manhã de quinta-feira (1º).

A região já havia registrado avanço da água sobre algumas vias nos últimos dias. Na quinta-feira, a elevação provocou bloqueio na Rua Nossa Senhora da Boa Viagem, na Ilha da Pintada.

A cota de inundação na região das ilhas é diferente daquela utilizada como referência para o Cais Mauá. Por isso, o nível do Guaíba precisa ser analisado de acordo com cada ponto de monitoramento.

SGB prevê redução durante o fim de semana

O dado mais importante do boletim divulgado nesta sexta-feira é a indicação de que a elevação pode estar próxima do fim.

O SGB informou que o Guaíba e o Delta do Jacuí apresentam sinais de estabilização. A previsão hidrológica aponta para o início da redução dos níveis ao longo do fim de semana.

Nas últimas 48 horas, não foram registradas chuvas significativas na bacia do Guaíba. Para os próximos dias, a previsão indica chuva de baixa intensidade, sem expectativa, neste momento, de uma elevação significativa adicional causada por novas precipitações na bacia.

O órgão ressalta, entretanto, que previsões hidrológicas estão sujeitas a alterações e dependem tanto dos modelos utilizados quanto das condições meteorológicas.

Rios que alimentam o Guaíba entram em recessão

Outro fator que contribui para a perspectiva de estabilização é o comportamento dos principais afluentes.

De acordo com o SGB, o processo de recessão das cheias está consolidado na maior parte das bacias monitoradas.

Os rios Taquari, Caí, dos Sinos e Gravataí apresentam tendência de declínio nos pontos acompanhados.

No rio Jacuí, a situação é mais variável. Há redução dos níveis em Dona Francisca e Triunfo, enquanto os pontos de Cachoeira do Sul e Rio Pardo ainda registram uma elevação lenta.

Esse comportamento é importante porque o volume de água que chega ao Guaíba depende diretamente das condições dos rios que compõem sua bacia hidrográfica.

Cota de inundação no Cais Mauá é de 3 metros

No ponto de monitoramento do Cais Mauá, no Centro Histórico, a referência de inundação é de 3 metros.

A medição de 2,46 metros representa, portanto, uma aproximação significativa dessa referência, mas ainda está abaixo da cota de inundação utilizada para o local.

O monitoramento mais recente disponível durante a tarde indicou queda no nível do Cais Mauá, reforçando o cenário de estabilização apontado pelo SGB.

É importante destacar que 2,46 metros no Cais Mauá não significa que toda Porto Alegre esteja sob risco de inundação. As cotas de referência variam conforme a região e as características do sistema de proteção.

Defesa Civil mantém atenção nas áreas vulneráveis

Mesmo com a previsão de redução, a Defesa Civil de Porto Alegre continua acompanhando a situação, especialmente no Arquipélago e em áreas ribeirinhas.

O município já havia instalado um posto de comando na Ilha da Pintada e mantido equipes circulando pelas demais ilhas para orientar moradores e acompanhar a evolução das águas.

Na quinta-feira, a prefeitura também havia adotado medidas preventivas no sistema de proteção contra cheias, incluindo o fechamento de sete comportas na Zona Norte.

A medida foi tomada diante da possibilidade de elevação das águas associada às chuvas registradas nas áreas de contribuição do Guaíba e à previsão de vento sul.

Previsão de chuva ainda exige atenção

Embora o SGB indique possibilidade de redução do nível do Guaíba, a previsão meteorológica continua sendo acompanhada.

Há previsão de chuva para o fim de semana, inclusive no domingo (4). A intensidade e a distribuição das precipitações serão fatores importantes para determinar o comportamento dos rios e do próprio Guaíba.

Por isso, uma eventual mudança na previsão pode alterar também o cenário hidrológico.

A recomendação é que moradores de regiões próximas às margens acompanhem os alertas oficiais da Defesa Civil e evitem áreas que apresentem risco de alagamento ou inundação.

Situação é diferente da enchente histórica de 2024

A marca atual de 2,46 metros está muito distante dos níveis registrados durante a enchente histórica de maio de 2024, quando o Guaíba atingiu uma cota excepcionalmente elevada e provocou uma das maiores tragédias climáticas da história do Rio Grande do Sul.

O cenário atual, portanto, não representa uma repetição daquela situação.

O que existe neste momento é uma elevação localizada e monitorada, com áreas específicas apresentando maior vulnerabilidade, especialmente regiões de ilhas e trechos ribeirinhos.

A diferença entre os eventos é fundamental para evitar comparações que não correspondem aos dados atuais.

Monitoramento continua durante o fim de semana

O comportamento do Guaíba será acompanhado continuamente nos próximos dias.

O principal ponto de atenção será verificar se a tendência de estabilização apontada pelo SGB se confirma e se o nível começa efetivamente a recuar.

A ausência de chuvas significativas nas últimas 48 horas e a redução dos níveis de vários afluentes são fatores que favorecem a queda. Por outro lado, novas chuvas ou alterações nos ventos podem modificar o comportamento das águas.

Por isso, os dados oficiais continuarão sendo atualizados conforme novas medições forem realizadas.

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