Material do Inep detalha as cinco competências avaliadas, apresenta exemplos de redações e reforça cuidados com tema, argumentação, repertório, coesão e proposta de intervenção.
Os estudantes que estão se preparando para o Enem 2026 já podem consultar a nova edição da Cartilha do Participante – A Redação do Enem 2026, publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O material apresenta os critérios utilizados na correção da redação e reúne exemplos de textos produzidos no Enem 2025, acompanhados de comentários pedagógicos. A proposta é ajudar os participantes a compreenderem, na prática, o que é considerado na avaliação.
A redação continua sendo um texto dissertativo-argumentativo, escrito em modalidade formal da língua portuguesa, no qual o participante deve defender um ponto de vista por meio de argumentos e apresentar uma proposta de intervenção para o problema discutido, respeitando os direitos humanos.
Quando será a redação do Enem 2026?
O Enem 2026 será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro.
A redação será realizada no primeiro dia de provas, junto com as avaliações de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias.
O participante deverá produzir um texto de até 30 linhas, a partir da proposta apresentada na prova, dos textos motivadores e dos conhecimentos construídos durante sua formação.

Cinco competências continuam sendo avaliadas
A correção da redação é dividida em cinco competências. Cada uma pode receber até 200 pontos, totalizando até 1.000 pontos para cada avaliação.
As competências são:
Competência 1 — Domínio da língua portuguesa
Avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
São considerados aspectos como ortografia, pontuação, concordância, regência e construção sintática.
Por isso, a revisão do texto antes da entrega é uma etapa importante. Erros recorrentes de escrita ou construções que prejudiquem a compreensão podem comprometer a pontuação nessa competência.
Competência 2 — Compreensão do tema
O estudante precisa demonstrar que compreendeu corretamente a proposta de redação e desenvolveu o texto dentro da estrutura dissertativo-argumentativa.
Também é avaliado o uso de conhecimentos de diferentes áreas para desenvolver o tema.
Um dos pontos reforçados na nova cartilha é a utilização adequada do repertório sociocultural. Não basta citar um filósofo, livro, filme, acontecimento histórico ou conceito conhecido.
A referência precisa ter relação efetiva com o tema e contribuir para a construção do argumento.

Cuidado com o chamado “repertório de bolso”
Entre as orientações reforçadas na cartilha está o cuidado com referências decoradas que são utilizadas de maneira genérica.
O problema não é utilizar uma referência conhecida. O que importa é como ela é relacionada ao argumento.
Uma citação ou referência deve ser pertinente ao tema, corretamente interpretada e integrada ao raciocínio desenvolvido no texto.
Isso significa que decorar dezenas de citações e tentar encaixá-las independentemente do tema pode não contribuir para a construção da redação.
Competência 3 — Organização dos argumentos
A terceira competência avalia a capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos para defender o ponto de vista.
Uma estratégia indicada para evitar perda de foco é planejar a redação antes de começar a escrever.
O estudante pode definir previamente:
- qual será a tese;
- quais serão os principais argumentos;
- como cada argumento defenderá a tese;
- como as ideias serão organizadas ao longo dos parágrafos.
Esse planejamento ajuda a evitar repetição de ideias e argumentos desconectados do ponto de vista apresentado.

Competência 4 — Coesão e conexão entre as ideias
A quarta competência avalia os mecanismos linguísticos utilizados para construir a argumentação.
Um erro comum é acreditar que basta utilizar conectivos como “portanto”, “ademais” ou “por conseguinte” para garantir uma boa coesão.
O conectivo precisa representar corretamente a relação entre as ideias.
O texto deve avançar de maneira lógica e compreensível, conectando os argumentos e permitindo que o leitor acompanhe o raciocínio apresentado.
Competência 5 — Proposta de intervenção
A quinta competência avalia a elaboração de uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
A cartilha reforça que simplesmente afirmar que determinado problema precisa ser resolvido não é suficiente.
Uma proposta mais completa deve indicar elementos como:
- agente — quem realizará a ação;
- ação — o que será feito;
- meio ou modo — como a medida será colocada em prática;
- finalidade — qual resultado se pretende alcançar;
- detalhamento — explicação adicional de um dos elementos.
A intervenção precisa estar relacionada ao problema efetivamente discutido na redação.

O que pode levar a redação à nota zero?
O Inep mantém situações que podem resultar em nota zero ou anulação.
Entre elas estão:
- fuga ao tema;
- não atendimento à estrutura dissertativo-argumentativa;
- folha de redação em branco;
- texto com até sete linhas manuscritas;
- inclusão de desenhos, impropérios ou formas propositais de anulação;
- trecho deliberadamente desconectado do tema;
- identificação do participante no espaço destinado ao texto;
- texto predominantemente ou integralmente em língua estrangeira;
- letra ilegível que impeça a avaliação.
O estudante também precisa ter atenção aos trechos copiados da proposta de redação ou dos textos motivadores, que não são contabilizados para atingir o número mínimo de linhas.
Redação pode chegar a 1.000 pontos
Cada redação é corrigida de forma independente por dois avaliadores.
Cada corretor atribui de zero a 200 pontos para cada uma das cinco competências. A soma pode chegar a 1.000 pontos por avaliação.
A nota final normalmente corresponde à média das duas notas totais atribuídas pelos avaliadores. Em situações de discrepância previstas nos critérios do exame, o texto pode passar por uma terceira avaliação.

Cartilha traz redações comentadas
Além das explicações sobre os critérios, a publicação do Inep apresenta redações produzidas por participantes do Enem 2025, acompanhadas de comentários pedagógicos.
O objetivo é permitir que os estudantes observem exemplos concretos de textos avaliados e compreendam como as competências aparecem na prática.
O Inep também disponibilizou versões específicas da cartilha para participantes com dislexia, Transtorno do Espectro Autista (TEA), surdez ou deficiência auditiva.
O que priorizar na preparação para o Enem
Na reta final antes da prova, as orientações apresentadas a partir da cartilha destacam alguns pontos importantes para os estudantes.
O primeiro é ler integralmente a proposta, identificando exatamente o tema e o recorte solicitado.
Também é importante planejar a tese e os argumentos antes de iniciar a versão definitiva, utilizar referências que tenham relação real com o assunto e revisar a conexão entre os parágrafos.
Outro cuidado é verificar se a proposta de intervenção apresenta uma ação concreta e elementos suficientes para demonstrar quem deve agir, o que deve ser feito, como e com qual finalidade.

Redação exige mais do que um modelo pronto
A nova cartilha do Inep reforça que a preparação para a redação não deve se limitar à memorização de estruturas ou citações.
O participante precisa compreender o tema proposto, construir uma tese, selecionar argumentos pertinentes, organizar as ideias com coesão e apresentar uma proposta de intervenção relacionada ao problema discutido.
Para o Enem 2026, a redação continua sendo uma das etapas do primeiro dia de provas, marcado para 8 de novembro.
Serviço — Cartilha da Redação do Enem 2026
Documento: A Redação do Enem 2026 – Cartilha do Participante
Órgão responsável: Inep
Prova de redação: 8 de novembro de 2026
Segundo dia de provas: 15 de novembro de 2026
Formato: texto dissertativo-argumentativo
Extensão: até 30 linhas
Nota máxima: 1.000 pontos
Competências avaliadas: 5
A cartilha oficial pode ser consultada gratuitamente no portal do Inep.










