Por Douglas Garcia Tenedini
Quando meu filho nasceu, vivi a alegria que todo pai conhece. Fiz planos, imaginei seu crescimento, sonhei com as descobertas que faríamos juntos e com os momentos que marcaram a infância dos meus outros filhos.
Com o passar do tempo, percebemos que o desenvolvimento dele seguia um ritmo diferente. Vieram as consultas, as orientações médicas e, aos dois anos de idade, recebemos o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), com necessidade de suporte nível 2.
Como acontece com muitas famílias, aquele foi um momento de muitas perguntas. Não porque o amor tivesse mudado, mas porque uma nova realidade se apresentava diante de nós. Era preciso compreender o que significava o autismo, conhecer os caminhos disponíveis e aprender como poderíamos oferecer ao nosso filho o melhor desenvolvimento possível.
A primeira pergunta que passou pela minha cabeça foi simples: e agora?
Com o tempo, encontrei a resposta.
Percebi que meu filho continuava sendo exatamente a mesma criança. O diagnóstico não mudava seu sorriso, sua personalidade, seu jeito de demonstrar carinho ou a alegria que ele trazia para nossa família. O que mudou foi o nosso olhar. Passamos a entender melhor suas necessidades e a descobrir novas formas de estimular seu desenvolvimento.
Nossa rotina ganhou consultas, terapias, orientações de profissionais e muitos aprendizados. Cada pequena conquista passou a ter um significado especial. Aprendi que respeitar o tempo de cada criança é uma das maiores demonstrações de amor que um pai pode oferecer.
Também descobri uma realidade que muitas pessoas ainda desconhecem. As famílias atípicas enfrentam desafios diários, seja na busca por tratamentos, na garantia de direitos ou na construção de uma verdadeira inclusão. Mas também vivem momentos de alegria, superação e orgulho que merecem ser compartilhados.
Ao longo dessa caminhada, ouvi muitas vezes: “Você é um pai especial” ou “Parabéns por estar presente”.
Recebo essas palavras com gratidão, mas acredito que estar ao lado dos filhos deveria ser algo natural. Cuidar, proteger, incentivar e participar da vida deles é parte da paternidade.
Foi justamente por acreditar nisso que aceitei escrever esta coluna.
Quero compartilhar experiências reais, conversar sobre autismo, inclusão, direitos, educação e acessibilidade. Quero falar não apenas dos desafios, mas também das conquistas, das descobertas e das alegrias que fazem parte da vida de tantas famílias.
Se você também é pai, mãe ou familiar de uma criança autista e está começando essa caminhada, saiba que você não está sozinho. Sempre haverá muito a aprender, mas também haverá motivos para comemorar cada avanço, por menor que ele pareça.
Meu filho me ensinou que cada pessoa tem seu próprio tempo, sua própria forma de enxergar o mundo e um potencial único para se desenvolver.
Hoje, tenho certeza de que ser pai atípico não mudou o amor que sinto pelo meu filho. Apenas ampliou minha forma de compreender a infância, a inclusão e o verdadeiro significado de estar presente.
É essa experiência que desejo compartilhar com você, a cada novo encontro nesta coluna.
Meu nome é Douglas Garcia Tenedini,
Eu tenho 46 anos, sou morador de Alvorada (RS), feirante e pai de três filhos: uma filha de 21 anos, um filho de 19 anos e um menino de 6 anos, que é autista nível 2 de suporte. A minha coluna A voz de um pai atípico que escolheu transformar desafios em luta por inclusão, respeito e dignidade.








