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Mulher desaparecida após enxurrada é encontrada

Eliane Nunes, de 43 anos, estava desaparecida desde segunda-feira (21), quando o veículo em que estava com os dois filhos foi levado pela correnteza do Rio São Marcos.

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul localizou nesta quinta-feira (24) o corpo de Eliane Nunes da Silva, de 43 anos, que estava desaparecida desde a noite de segunda-feira (21), após o carro em que estava ser arrastado pela força da água durante um forte temporal em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.

Eliane estava em um automóvel com os dois filhos, Joziane da Silva Rodrigues, de 13 anos, e Juliano Cezar da Silva Rodrigues, de 4 anos, quando o veículo foi atingido pela correnteza na região de Parada Cristal, próximo ao encontro do Rio São Marcos com uma nascente de arroio.

O corpo da mulher foi encontrado às margens do Rio São Marcos, aproximadamente 2,5 quilômetros distante do ponto onde o veículo foi levado pela enxurrada.

A localização encerra uma operação de busca que mobilizou bombeiros durante quatro dias e envolveu equipes terrestres e aquáticas, além de recursos especializados para localizar a vítima em uma região atingida pela forte correnteza.

Corpo foi localizado às margens do Rio São Marcos

A localização ocorreu durante a manhã desta quinta-feira, quando as equipes avançavam nas buscas por pontos considerados de interesse ao longo do rio.

O corpo estava em uma área às margens do Rio São Marcos, distante do local em que o carro foi atingido pela correnteza. A distância reforça a força da enxurrada registrada na região durante o temporal.

Desde o desaparecimento, os bombeiros trabalhavam com a possibilidade de que a vítima tivesse sido carregada pela correnteza para pontos mais distantes do local do acidente.

Com a redução do nível da água nos dias seguintes, as equipes conseguiram ampliar a inspeção de trechos das margens onde havia acúmulo de vegetação, galhos e outros materiais transportados pela enxurrada.

Após a localização, foram adotados os procedimentos necessários para identificação e encaminhamento do corpo.

Mulher estava com os dois filhos no veículo

O acidente ocorreu na segunda-feira, quando o veículo conduzido por Eliane transitava por uma estrada de chão que dá acesso à Estrada Municipal Attilio Citton.

O ponto fica na região de Parada Cristal, em Caxias do Sul, em uma área onde as águas do Rio São Marcos se encontraram com uma nascente de arroio durante o episódio de chuva intensa.

A força da água atingiu o automóvel e o arrastou.

Além de Eliane e dos dois filhos, estava no veículo Ricardo Leodoro, companheiro da mulher. Ele ocupava o banco do carona e conseguiu sair do automóvel pela janela antes que o veículo fosse levado pela correnteza.

Ricardo conseguiu chegar até um local seguro e acionou moradores da região em busca de ajuda.

As crianças, entretanto, não conseguiram escapar.

Filhos foram encontrados nos primeiros dias

A adolescente Joziane da Silva Rodrigues foi localizada ainda na segunda-feira, dentro do veículo.

No dia seguinte, terça-feira (22), os bombeiros encontraram o corpo do menino Juliano Cezar da Silva Rodrigues, de quatro anos. A criança estava às margens do rio, aproximadamente 600 metros do ponto onde o automóvel havia sido retirado da água.

Com a localização dos dois filhos, as equipes concentraram os esforços na procura por Eliane.

A família foi atingida diretamente pela força da enxurrada, em um dos episódios mais graves provocados pelos temporais registrados na Serra Gaúcha nesta semana.

Bombeiros percorreram quilômetros durante as buscas

As buscas pela mulher foram realizadas de maneira contínua desde segunda-feira.

Até a manhã desta quinta-feira, antes da localização do corpo, os bombeiros já haviam percorrido aproximadamente seis quilômetros a partir do ponto considerado como início da ocorrência.

Foram utilizadas diferentes estratégias de busca, levando em consideração a geografia da região, o nível do rio e a quantidade de materiais carregados pela água.

As equipes realizaram buscas terrestres e aquáticas, além do emprego de cão farejador e drone em locais onde as condições permitiam a utilização do equipamento.

Os mergulhadores do Batalhão de Buscas e Salvamento permaneceram disponíveis durante a operação, mas não houve necessidade de emprego desses profissionais antes da localização do corpo.

A redução do nível do Rio São Marcos permitiu que os bombeiros concentrassem parte dos trabalhos em áreas onde havia acúmulo de vegetação e outros objetos levados pela correnteza.

Pertences ajudaram a direcionar a operação

Durante os quatro dias de buscas, diferentes objetos relacionados à vítima e à família foram encontrados nas proximidades do rio.

Entre os vestígios estavam um calçado utilizado por Eliane e um cartão de transporte urbano com cordão de fixação identificado com o nome dela.

Também foram localizados outros pertences que estavam relacionados à família, incluindo uma mochila da filha e a cadeirinha utilizada pelo menino.

Os objetos ajudaram as equipes a identificar áreas que poderiam apresentar interesse para a continuidade das buscas.

A localização desses materiais demonstrava que a correnteza havia transportado objetos por diferentes pontos do curso d’água, aumentando a área que precisava ser examinada pelos socorristas.

Velório dos filhos ocorreu nesta quinta-feira

Enquanto as equipes ainda procuravam Eliane, familiares realizavam a despedida dos dois filhos.

O velório de Joziane e Juliano começou na noite de quarta-feira (23), em Fazenda Souza, distrito de Caxias do Sul.

O sepultamento das duas crianças estava previsto para ocorrer às 16h desta quinta-feira, no Cemitério da Zona Lise, também em Fazenda Souza.

A localização do corpo de Eliane ocorreu no mesmo dia marcado pela despedida dos filhos.

Temporais provocaram mortes e estragos no Estado

A ocorrência em Caxias do Sul faz parte de uma sequência de eventos provocados pelos temporais que atingiram diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

Além das mortes envolvendo Eliane e seus dois filhos, outras ocorrências fatais foram registradas durante os temporais.

Em Caxias do Sul, Édson Luís da Silva, de 46 anos, morreu depois de ser arrastado pela correnteza para o interior de uma galeria pluvial enquanto realizava uma atividade de limpeza. O corpo foi localizado a aproximadamente 300 metros dentro da estrutura.

Em Pelotas, um motociclista também morreu durante o período de temporais.

Outro óbito foi registrado em Charqueadas, onde um homem de 40 anos sofreu uma descarga elétrica após entrar em contato com um cabo de alta tensão. Ele chegou a ser socorrido e permaneceu internado, mas morreu nesta quinta-feira.

Com a confirmação da morte de Eliane, o número de vítimas fatais relacionadas aos temporais no Rio Grande do Sul chega a seis, conforme o levantamento divulgado nesta quinta-feira.

Serra Gaúcha foi uma das regiões mais afetadas

A Serra Gaúcha esteve entre as regiões que registraram os maiores impactos provocados pelas chuvas intensas.

Em Caxias do Sul, o volume elevado de precipitação provocou elevação de rios e arroios, alagamentos, enxurradas e situações de risco em diferentes pontos do município.

O episódio no Rio São Marcos demonstrou a rapidez com que a elevação e a força da água podem transformar cursos d’água em áreas de alto risco.

A ocorrência também reforça a orientação das autoridades para que motoristas não tentem atravessar trechos alagados ou locais onde a água esteja avançando sobre estradas e pontes.

Mesmo quando a profundidade não parece elevada, a força da correnteza pode retirar um veículo da pista e arrastá-lo rapidamente.

Investigação deve esclarecer circunstâncias da ocorrência

A dinâmica exata do acidente deverá ser analisada pelas autoridades responsáveis. O que já foi confirmado é que o veículo foi atingido pela forte correnteza do Rio São Marcos e acabou sendo levado pela água.

As condições meteorológicas registradas naquele momento contribuíram para a elevação dos cursos d’água na região.

A localização do corpo de Eliane, quatro dias depois do desaparecimento, encerra a etapa de buscas que mobilizou dezenas de profissionais e voluntários.

O caso permanece como um dos episódios mais graves registrados durante a sequência de temporais que atingiu o Rio Grande do Sul nesta semana.

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