A Polícia Civil prendeu 11 torcedores do Internacional suspeitos de participação em uma tentativa de homicídio contra um torcedor do Grêmio, de 28 anos, em Porto Alegre. A ação ocorreu nesta quinta-feira (13), durante a Operação Lance Final, que investiga uma agressão ocorrida horas antes da final do Campeonato Gaúcho, em 8 de março, no bairro Costa e Silva, na Zona Norte da Capital.
A vítima ficou 21 dias em coma após as agressões e ainda apresenta sequelas. Segundo a investigação, o ataque teria sido praticado por integrantes de uma torcida organizada ligada ao Internacional.
A Polícia Civil identificou 17 torcedores colorados como suspeitos de envolvimento na ocorrência. Onze deles eram alvo de mandados de prisão por tentativa de homicídio e foram presos nesta quinta-feira. Um dos investigados estaria em outro Estado e ainda não havia sido localizado no momento da operação.
Operação cumpriu 23 mandados em Porto Alegre e região
Além das prisões, a Operação Lance Final cumpriu 23 mandados de busca e apreensão em endereços de Porto Alegre, Canoas, Alvorada, Viamão e Cachoeirinha.
Dos 17 colorados identificados pela investigação, seis não tiveram participação considerada relevante na tentativa de homicídio, segundo a Polícia Civil, mas foram incluídos entre os alvos das buscas.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, um desses investigados acabou preso em flagrante por tráfico de drogas e posse ilegal de arma. O pai de um dos torcedores investigados também foi preso em flagrante por tráfico de drogas. Com isso, a operação terminou, até aquele momento, com 12 pessoas presas.
Entre os 11 presos por tentativa de homicídio, três possuem antecedentes relacionados a conflitos e brigas entre torcidas.
Agressão aconteceu antes de um Gre-Nal
A investigação aponta que o crime ocorreu na manhã de 8 de março, horas antes da decisão do Campeonato Gaúcho entre Grêmio e Internacional.
Segundo o delegado Thiago Zaidan, responsável pelo caso, um grupo de aproximadamente 12 torcedores do Grêmio teria ido até o local onde integrantes da torcida Guarda Popular estavam reunidos no bairro Costa e Silva.
A suspeita é de que os gremistas tenham ido ao endereço com a intenção de provocar os rivais. Ao perceberem que estavam em desvantagem numérica, os torcedores teriam tentado deixar o local.
Durante a fuga, um torcedor gremista de 28 anos caiu ao tentar entrar em um carro. Ele teria sido alcançado pelos integrantes da torcida rival.
Vítima foi espancada quando já estava no chão
A investigação aponta que 17 torcedores colorados cercaram o gremista após a queda. Segundo a Polícia Civil, 11 deles teriam participado diretamente das agressões.
O delegado responsável pelo caso afirmou que a vítima permaneceu no chão durante aproximadamente dois minutos, sendo atingida por socos, chutes e objetos, principalmente na região da cabeça.
A gravidade dos ferimentos levou o homem a permanecer 21 dias em coma. Ele sobreviveu, mas continua apresentando sequelas decorrentes da agressão.
A Polícia Civil enquadra o caso como tentativa de homicídio, e não como uma simples briga entre torcidas, devido à dinâmica e à intensidade das agressões investigadas.
Suspeitos também são investigados por roubo
Além da tentativa de homicídio, a investigação aponta que os agressores teriam retirado da vítima dinheiro, documentos e roupas após o espancamento.
Por esse motivo, os envolvidos também são investigados por roubo.
Depois da agressão, os demais torcedores gremistas teriam retornado ao local e levado o homem para atendimento hospitalar.
Celulares apreendidos serão analisados
Os equipamentos eletrônicos apreendidos durante a operação serão submetidos à análise da Polícia Civil.
O objetivo é verificar o que os investigados sabiam sobre a presença dos torcedores gremistas no local e identificar possíveis evidências relacionadas à organização da ação.
A investigação também busca descobrir se os envolvidos possuem ligação com outros crimes relacionados a confrontos entre torcidas organizadas.
Os seis colorados que estavam no local, mas que não tiveram participação considerada relevante na tentativa de homicídio, também permanecem sob investigação.
A Polícia Civil avalia ainda a possibilidade de aplicação de medidas cautelares, incluindo a proibição de frequentar estádios, para investigados que não foram presos.
Torcedores do Grêmio também são investigados
A investigação não está concentrada exclusivamente nos torcedores do Internacional.
De acordo com a Polícia Civil, os gremistas que teriam ido até o local para provocar os rivais também são investigados. A 3ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (3ª DHPP) instaurou inquérito para apurar a possível prática de associação criminosa e crimes previstos na Lei Geral do Esporte.
A investigação, portanto, busca esclarecer toda a dinâmica que antecedeu o ataque e identificar a responsabilidade individual dos envolvidos.
Operação mira violência entre torcidas
A Operação Lance Final expõe novamente o problema dos confrontos entre torcidas organizadas em Porto Alegre.
Neste caso, a Polícia Civil busca individualizar a participação de cada suspeito, diferenciando quem teria participado diretamente das agressões daqueles que estavam no local, mas não tiveram envolvimento considerado relevante no ataque.
Essa distinção será importante para o andamento das investigações e para as eventuais responsabilizações judiciais.
As prisões realizadas nesta quinta-feira representam uma nova etapa da investigação iniciada após a agressão ocorrida antes do Gre-Nal de março.
Investigação continua
A Polícia Civil ainda deverá analisar o material apreendido durante os mandados e reunir novas provas sobre a dinâmica do ataque.
Os 11 torcedores presos por suspeita de tentativa de homicídio serão submetidos aos procedimentos legais decorrentes das ordens judiciais, enquanto outros investigados permanecem no radar da investigação.
O caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que também apura a eventual participação de outros envolvidos e possíveis crimes relacionados ao confronto entre integrantes das torcidas.








