Mulher de 22 anos foi presa preventivamente na Zona Sul; Polícia Civil aponta omissão no atendimento à criança e aguarda conclusão do inquérito.
A Polícia Civil prendeu preventivamente, nesta quinta-feira (27), a tia de uma menina de quatro anos que morreu após sofrer agressões em Porto Alegre. A mulher, de 22 anos, foi localizada durante a manhã na Zona Sul da Capital por agentes da 3ª Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), vinculada ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca).
A vítima é Samylle Valentina Borba Ramiro, de quatro anos. A criança morreu após ser agredida enquanto estava sob os cuidados da tia e do companheiro dela. O homem, que é tio da menina, está preso preventivamente desde o dia 20 de agosto e confessou à Polícia Civil que agrediu a criança.
Polícia aponta omissão da tia
Segundo a delegada Alice Fernandes, responsável pela investigação, a prisão da tia foi solicitada porque os investigadores entendem que ela teria se omitido diante da gravidade das lesões apresentadas pela criança.
Conforme a investigação, a mulher teria percebido que a menina estava machucada, mas não a levou imediatamente para atendimento médico. A Polícia Civil sustenta que a demora contribuiu para a evolução do quadro e considera que a tia também pode responder pelo homicídio.
A mulher teria levado a criança para atendimento somente horas depois de perceber os ferimentos. Na ocasião, Samylle já apresentava sinais graves e acabou sendo encaminhada à UPA Bom Jesus, na Zona Leste de Porto Alegre, onde chegou sem vida.

Tio já estava preso
O companheiro da tia, Nicolas Gabriel Almeida Staubuss, de 22 anos, foi preso no dia 20 de agosto. Segundo a Polícia Civil, ele confessou ter agredido a sobrinha.
Em depoimento, o homem afirmou que teria dado palmadas na criança como forma de repreensão após ela ter feito cocô. Ele declarou que utilizou apenas as mãos e negou ter utilizado qualquer objeto ou praticado outras agressões.
A versão apresentada pelo suspeito passou a ser confrontada com os elementos encontrados durante a investigação e com os resultados dos exames periciais realizados no corpo da menina.
Laudo aponta politraumatismo
A Polícia Civil confirmou nesta quinta-feira a conclusão do laudo pericial elaborado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).
O documento apontou que a causa da morte foi politraumatismo provocado por instrumento contundente, com lesões na cabeça e na região pélvica, incluindo áreas do abdômen e do quadril. Também foram identificadas escoriações e equimoses em diferentes partes do corpo da criança.
De acordo com a perícia, algumas das lesões estavam em processo de cicatrização e não tinham relação direta com a causa da morte. Segundo os investigadores, essas marcas podem ter sido provocadas por agressões anteriores ou por acidentes e atividades próprias da idade.
O laudo também não encontrou indicativo de violência sexual.

Criança estava sob os cuidados dos tios
Samylle estava sob os cuidados da tia e do companheiro desde julho. A situação familiar da criança também faz parte da investigação.
Anteriormente, informações divulgadas pela Polícia Civil indicaram que a menina estava vivendo com os tios, enquanto a situação de guarda e responsabilidade pela criança era analisada pelas autoridades.
Na madrugada de 17 de agosto, o casal levou Samylle à UPA Bom Jesus, já sem vida. A equipe médica identificou sinais de violência no corpo da menina e acionou as autoridades.
Segundo o depoimento apresentado pela tia, ela teria chegado em casa na noite anterior e encontrado a criança tomando banho. Naquele momento, teria percebido um hematoma nas nádegas da menina.
Ainda conforme o relato, ela questionou o companheiro, que teria admitido ter batido na criança. Os dois discutiram e, posteriormente, a mulher teria encontrado Samylle apresentando sinais de agravamento, incluindo espuma pela boca e convulsões. O casal pediu ajuda a vizinhos e levou a menina à unidade de saúde.
Investigação deve ser concluída nos próximos dias
Com a prisão da tia e a conclusão do laudo do IGP, a Polícia Civil entra na etapa final da investigação.
Segundo a delegada Alice Fernandes, o inquérito deve ser concluído até o início da próxima semana, caso não surjam novas diligências necessárias.
A investigação busca estabelecer a responsabilidade individual de cada pessoa envolvida e reunir todos os elementos necessários para o encaminhamento do caso ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.
O caso permanece sob investigação da 3ª Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente, em Porto Alegre.










