Ampliação da rede ocorre por meio do programa TEAcolhe e eleva para 1.789 o número de vagas especializadas disponíveis na Capital.
A rede de atendimento especializado de Porto Alegre para crianças e adolescentes com transtornos do desenvolvimento, incluindo pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ganhou 150 novas vagas nesta sexta-feira (2).
A ampliação ocorre por meio de uma parceria entre a Prefeitura de Porto Alegre, o Governo do Rio Grande do Sul e o Educandário – Centro de Reabilitação São João Batista, dentro do programa TEAcolhe.
Com a nova habilitação, a capacidade total da rede especializada chega a 1.789 vagas. Segundo a Prefeitura, o número representa um crescimento de 705 vagas desde o início de 2026, quando a rede contava com 1.084 vagas.
Atendimento será multiprofissional
As crianças e adolescentes encaminhados ao Educandário terão acesso a acompanhamento de uma equipe multiprofissional, com diferentes áreas voltadas ao desenvolvimento e ao cuidado dos pacientes.
Entre os serviços previstos estão:
- Terapia ocupacional;
- Psicologia;
- Psiquiatria infantil;
- Musicoterapia;
- Psicomotricidade;
- Psicopedagogia.
A proposta é oferecer acompanhamento integrado, considerando diferentes necessidades apresentadas pelas crianças e adolescentes.
O modelo de atendimento também busca envolver as famílias no processo de cuidado, especialmente em situações que exigem acompanhamento contínuo.

Como funciona o acesso às vagas
As novas vagas não funcionam por inscrição direta no Educandário.
O acesso ocorre por meio do Sistema de Gerenciamento de Consultas (Gercon), seguindo os critérios utilizados pela rede municipal de saúde.
A distribuição considera a avaliação e a posição do paciente na fila de espera para atendimento de transtornos do desenvolvimento.
Isso significa que famílias que já estão aguardando atendimento na rede podem ser encaminhadas conforme os critérios de regulação do sistema.
A Prefeitura informa que o objetivo da ampliação é aumentar a oferta de atendimento especializado e contribuir para a redução do tempo de espera.
Quanto será investido no novo atendimento
A manutenção das 150 novas vagas contará com recursos compartilhados entre os governos municipal e estadual.
A Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre (SMS) destinará R$ 1.477.176 por ano para o serviço.
O Governo do Estado repassará outros R$ 1,2 milhão anuais.
Somados, os investimentos previstos chegam a aproximadamente R$ 2,67 milhões por ano para a manutenção desse atendimento.
A parceria faz parte da estratégia de expansão da rede especializada para pessoas com transtornos do desenvolvimento na Capital.

Rede teve forte expansão em 2026
A abertura das 150 vagas ocorre depois de uma série de ampliações realizadas ao longo deste ano.
Em janeiro de 2026, Porto Alegre tinha 1.084 vagas especializadas.
Em março, a capacidade passou para 1.234 vagas.
Em julho, chegou a 1.309.
Em setembro, alcançou 1.639 vagas.
Com as novas 150 vagas habilitadas nesta sexta-feira, a rede chega a 1.789 vagas.
Na comparação com o início do ano, são 705 vagas adicionais, crescimento de aproximadamente 65%.
A expansão ocorreu por diferentes modalidades de parceria e contratação da rede especializada, incluindo serviços conveniados e Centros de Atendimento em Saúde (CAS) vinculados ao TEAcolhe.
Porto Alegre já havia ampliado atendimento pelo TEAcolhe
A nova ampliação não é a primeira expansão do programa na Capital em 2026.
Em abril, Porto Alegre colocou em funcionamento outro Centro de Atendimento em Saúde (CAS) do TEAcolhe, junto à Unidade Nazareth da Apae, no bairro Glória.
A unidade tinha capacidade aproximada de 150 vagas.
Naquele momento, a Prefeitura informou que outros dois serviços seriam implantados ao longo do ano, com previsão de mais 300 vagas.
Em setembro, também foi inaugurada uma Clínica Multidisciplinar na Zona Sul, com outras 330 vagas exclusivamente pelo SUS para atendimento de pessoas com TEA.
O serviço está localizado na Rua Dr. Pereira Neto, 84, no bairro Tristeza, e é resultado de parceria entre a Prefeitura, o Governo do Estado e a Associação Brasileira de Educação, Saúde e Assistência Social (Abess).

O que é o TEAcolhe
O TEAcolhe é uma política estadual voltada à atenção integral às pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
O programa busca fortalecer a rede de atendimento especializado e ampliar a articulação entre os serviços de saúde.
Em Porto Alegre, a política é executada por meio de parcerias entre o município, o Estado e instituições responsáveis pela prestação dos serviços.
A ampliação permite que diferentes unidades participem da rede, aumentando a capacidade de atendimento e distribuindo os serviços pela cidade.
Atendimento pelo SUS
As novas vagas fazem parte da rede pública de atendimento e estão inseridas na estrutura de assistência especializada vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A ampliação é particularmente relevante para famílias que dependem da rede pública para acessar acompanhamento especializado.
O objetivo declarado pela administração municipal é ampliar a capacidade da rede e reduzir o tempo de espera para crianças e adolescentes que necessitam de acompanhamento multiprofissional.

Prefeitura busca reduzir tempo de espera
O secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, afirmou que a expansão representa uma tentativa de aumentar o acesso ao atendimento especializado e aproximar os serviços das famílias.
Segundo a Prefeitura, a estratégia adotada ao longo de 2026 tem sido ampliar a capacidade por meio de diferentes modalidades de contratação e parceria.
A administração municipal afirma que o desafio permanece sendo reduzir as filas e garantir atendimento multiprofissional de forma mais próxima dos usuários.
O que muda para as famílias
Na prática, a abertura das 150 vagas aumenta a capacidade da rede, mas não significa que qualquer família possa escolher diretamente uma das novas vagas.
O encaminhamento segue o fluxo regulado pelo município, por meio do Gercon, levando em consideração a avaliação e a posição na fila.
Por isso, famílias que já aguardam atendimento devem acompanhar as informações disponibilizadas pela rede de saúde e manter os dados atualizados junto aos serviços responsáveis pelo encaminhamento.
A expansão também não significa que todos os pacientes serão atendidos imediatamente. A distribuição das vagas depende da regulação e dos critérios utilizados pelo sistema municipal.










