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Porto Alegre testa comportas contra cheias do Guaíba

Exercício realizado pelo Dmae e pela Portos RS testou os procedimentos de emergência, a operação das estruturas e a integração entre as equipes; teste foi concluído sem intercorrências.

A Prefeitura de Porto Alegre realizou nesta quinta-feira (29) uma simulação de fechamento das comportas do sistema de proteção contra cheias da Capital. A atividade foi coordenada pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), em conjunto com a Autoridade Portuária dos Portos do Rio Grande do Sul (Portos RS), para testar os procedimentos que seriam adotados em uma eventual elevação do nível do Guaíba com risco de inundação.

O exercício começou às 10h30 e foi concluído cerca de duas horas depois, sem intercorrências, conforme informações divulgadas pelo município. A operação envolveu as seis passagens ativas do sistema de proteção e teve como objetivo verificar a capacidade de resposta das equipes, avaliar a articulação entre os órgãos e identificar possíveis melhorias nos protocolos de emergência.

A iniciativa ocorre após a enchente histórica de maio de 2024, que atingiu diferentes regiões de Porto Alegre e provocou grandes prejuízos à população. Desde então, a Capital vem executando intervenções para recuperar, modernizar e reforçar as estruturas destinadas a impedir que as águas do Guaíba avancem sobre áreas protegidas.

Como foi realizada a simulação

Para tornar o procedimento mais ágil, duas equipes do Dmae trabalharam simultaneamente em diferentes pontos do sistema.

Uma equipe ficou responsável pelas comportas 12 e 11, que conectam a Rua Voluntários da Pátria à Avenida Castelo Branco, na região das avenidas São Pedro e Cairú. A outra atuou nas comportas 6, 4, 2 e 1, localizadas no sistema de proteção da região central.

Durante o teste, as equipes executaram os procedimentos de fechamento e reabertura das estruturas. Cada comporta foi reaberta após a conclusão do respectivo teste, sem permanecer fechada enquanto os trabalhos continuavam nos demais pontos.

A estratégia permitiu verificar as condições de operação e reduzir os impactos sobre a circulação de veículos e o funcionamento das atividades na região portuária.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) também acompanhou a atividade, contribuindo para a avaliação dos procedimentos. Um relatório técnico deverá reunir as observações feitas durante o exercício e apontar eventuais ajustes necessários.

Segundo o Dmae, a simulação integra o trabalho preventivo para fortalecer a preparação da cidade diante de possíveis eventos de cheia.

Por que as comportas são importantes para Porto Alegre?

As comportas fazem parte do sistema de proteção contra cheias da Capital, que inclui diques, estruturas de contenção e estações de bombeamento de águas pluviais.

A função dessas barreiras é impedir que a elevação do Guaíba provoque a entrada de água em áreas urbanas protegidas. Quando o nível do lago sobe e há previsão de ultrapassagem da cota de inundação, o fechamento das estruturas pode ser necessário para reforçar a contenção das águas.

A operação exige coordenação entre equipes técnicas, equipamentos e órgãos responsáveis pela infraestrutura. Por isso, testar os mecanismos antes de uma emergência é importante para identificar dificuldades, verificar os procedimentos e reduzir o risco de falhas operacionais.

O sistema também depende do funcionamento adequado das casas de bombas, responsáveis por retirar a água da chuva acumulada nas áreas protegidas. Mesmo com as comportas fechadas, a drenagem interna precisa funcionar para evitar alagamentos provocados pela precipitação.

Quando as comportas são fechadas de verdade?

O fechamento das comportas não ocorre automaticamente sempre que chove ou quando o nível do Guaíba começa a subir. A decisão segue um protocolo técnico que considera a medição do nível da água e os prognósticos hidrológicos.

A principal referência é a régua instalada no Cais Mauá, no Centro Histórico de Porto Alegre.

De acordo com o protocolo divulgado pela prefeitura, a cota de alerta é de 2,5 metros, enquanto a cota de inundação é de 3 metros.

Quando o nível chega a aproximadamente 2,8 metros, o Dmae mobiliza equipes e equipamentos para uma possível operação. O fechamento começa quando o nível alcança cerca de 2,9 metros e as previsões indicam que a água deverá ultrapassar a cota de inundação.

Esses valores fazem parte do procedimento operacional divulgado para o sistema e podem ser considerados em conjunto com as avaliações técnicas atualizadas.

A diferença entre mobilizar as equipes e efetivamente fechar as comportas é importante: a preparação pode começar antes de existir uma decisão definitiva de fechamento.

Seis passagens permanecem operacionais

O sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre possui 14 comportas em sua configuração histórica. Desde 2024, as estruturas passaram por um processo de modernização.

Segundo informações do município, oito comportas foram substituídas por estruturas permanentes de concreto armado, quatro foram modernizadas e duas foram substituídas por novas estruturas. As seis passagens restantes são as utilizadas no procedimento operacional testado nesta quinta-feira.

Os investimentos realizados na requalificação das barreiras móveis ultrapassaram R$ 11 milhões, conforme o balanço divulgado pelas autoridades responsáveis.

As intervenções buscam melhorar as condições de funcionamento do sistema e ampliar a capacidade de resposta diante de eventos de inundação.

Trânsito teve alterações temporárias na região central

A simulação também exigiu mudanças pontuais no trânsito, principalmente nas proximidades das comportas 11 e 12, que ligam a Rua Voluntários da Pátria à Avenida Castelo Branco.

Durante a operação, motoristas que utilizam esses acessos precisaram recorrer a rotas alternativas. Entre as opções indicadas estavam a Rua Voluntários da Pátria e a Avenida Farrapos para o deslocamento em direção ao Centro.

Para acessar a Avenida Portuária, no lado oposto da Avenida Castelo Branco, a orientação era utilizar a Avenida Ernesto Neugebauer e a Rua João Moreira Maciel, no bairro Humaitá.

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) acompanhou a operação para auxiliar na organização do trânsito.

Como as comportas foram reabertas após cada teste, os bloqueios tiveram caráter temporário.

Teste anual integra as medidas preventivas

A realização de testes periódicos está prevista na Lei Municipal nº 14.158, de 2024. O exercício integra as medidas de prevenção destinadas a verificar as condições operacionais das estruturas e a preparação das equipes responsáveis.

O teste anterior havia sido realizado em 3 de maio de 2026. A nova simulação permitiu avaliar os procedimentos com a participação conjunta do Dmae, da Portos RS, da EPTC e de representantes da universidade.

Além de verificar o funcionamento mecânico das estruturas, exercícios desse tipo ajudam a avaliar o tempo necessário para executar os procedimentos e a comunicação entre os órgãos envolvidos.

A elaboração de um relatório após a simulação deve contribuir para registrar os resultados e orientar possíveis aperfeiçoamentos.

O que a simulação significa para os moradores?

O exercício não significa que uma nova enchente esteja prevista para Porto Alegre. Trata-se de uma atividade preventiva para preparar as equipes e verificar os procedimentos que poderão ser utilizados caso o nível do Guaíba represente risco de inundação.

A existência de comportas modernizadas e de protocolos de emergência é parte importante da proteção da Capital, mas não elimina todos os riscos. A segurança também depende da manutenção das estruturas, do funcionamento das casas de bombas, do monitoramento hidrológico e da atuação coordenada dos órgãos públicos.

Para a população, a recomendação é acompanhar os alertas oficiais da Defesa Civil e as informações divulgadas pela Prefeitura de Porto Alegre em períodos de elevação do nível do Guaíba.

A simulação concluída nesta quinta-feira representa mais uma etapa de preparação para situações de emergência. O relatório técnico deverá indicar os pontos observados durante a operação e eventuais medidas para aprimorar a resposta do sistema de proteção contra cheias.

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