Susiele Santos de Brito foi encontrada morta em uma área de vegetação em Caxias do Sul; dois homens foram presos e a Polícia Civil investiga participação de companheiro da vítima.
Uma mulher de 32 anos foi encontrada morta na tarde desta segunda-feira (5), em uma área de vegetação entre os bairros Diamantino e Jardim das Hortênsias, em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. A vítima foi identificada como Susiele Santos de Brito.
O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio. Dois homens, de 32 e 35 anos, foram presos durante as diligências realizadas após a localização do corpo.
A ocorrência mobilizou a Brigada Militar, a Polícia Civil e equipes do Instituto-Geral de Perícias (IGP). O corpo estava escondido em meio à vegetação, nas proximidades da Rua Manoel Pedrotti.
De acordo com as informações apuradas durante a investigação, uma testemunha teria percebido a chegada de um Chevrolet Astra, acompanhado por dois homens e uma mulher. Posteriormente, foram ouvidos gritos vindos da área de vegetação. Ao verificar o local, a testemunha encontrou o corpo da vítima.
A partir das imagens de câmeras de segurança e das informações obtidas durante a ocorrência, os policiais conseguiram identificar o veículo utilizado para transportar a mulher.
Carro foi localizado na ERS-122
As equipes da Brigada Militar iniciaram buscas pelo Chevrolet Astra e localizaram o veículo na ERS-122, na região do bairro Nossa Senhora da Saúde.
O motorista, de 32 anos, foi abordado e preso. Conforme a Polícia Civil, ele teria confessado participação no crime e indicado o envolvimento de um segundo homem.
O outro suspeito, de 35 anos, também foi localizado e preso posteriormente.
Segundo a investigação, os dois homens teriam levado Susiele até uma área de loteamento em obras. O assassinato teria ocorrido nesse local. Depois, o corpo da vítima teria sido deixado em uma área de vegetação.
Objetos pessoais de Susiele foram encontrados durante as diligências. Um bastão também foi apreendido e passou a integrar o conjunto de elementos que serão analisados pela perícia.

Dedo da vítima foi encontrado dentro do veículo
Um dos elementos mais graves e incomuns encontrados durante a investigação foi uma parte do corpo da vítima dentro do veículo utilizado pelos suspeitos.
Um dedo de uma das mãos de Susiele foi encontrado dentro do Chevrolet Astra e recolhido pelo Instituto-Geral de Perícias para análise.
A Polícia Civil trabalha com informações de que a vítima teria sido atacada com armas brancas. A delegada Thalita Giacomitti Andrich, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Caxias do Sul, afirmou que a perícia ainda precisa esclarecer exatamente como os instrumentos foram utilizados e qual foi a dinâmica da morte.
Uma das hipóteses investigadas é de que a mutilação do dedo pudesse estar relacionada a uma tentativa de utilizar a biometria da vítima para acessar algum aparelho ou aplicativo.
Essa possibilidade, entretanto, ainda não foi confirmada oficialmente e permanece como uma das linhas de investigação.
A Polícia Civil também deverá analisar aparelhos eletrônicos, objetos recolhidos e outros vestígios para verificar se houve tentativa de acesso a informações pessoais ou contas da vítima.
Companheiro está entre os presos
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, o homem de 35 anos preso durante a investigação seria companheiro de Susiele e é apontado como o principal envolvido na execução do crime.
A investigação busca esclarecer qual foi exatamente a participação de cada suspeito e o que aconteceu desde o momento em que a vítima entrou no veículo até a localização do corpo.
A delegada responsável pelo caso informou que testemunhas e familiares ainda serão ouvidos. A polícia também deverá aprofundar a análise do histórico do relacionamento entre Susiele e o suspeito.
Até o momento, a Polícia Civil informou que não havia medida protetiva de urgência em vigor contra o companheiro nem registros anteriores de ocorrência envolvendo o casal.
A ausência de registros anteriores, porém, não significa que a investigação tenha descartado a possibilidade de violência anterior. Esse ponto ainda deverá ser esclarecido a partir dos depoimentos de familiares, conhecidos e outras pessoas próximas à vítima.

Perícia será fundamental para esclarecer a morte
A causa exata da morte e a sequência das agressões ainda dependem da conclusão dos exames periciais.
O IGP recolheu vestígios encontrados na cena do crime e no veículo. A análise deverá ajudar a determinar quais instrumentos foram utilizados, a extensão das lesões e outros elementos capazes de reconstruir a dinâmica do feminicídio.
A investigação também terá de esclarecer onde exatamente ocorreram as agressões e em que momento o corpo foi transportado para a área de vegetação.
A existência de objetos pessoais da vítima, o veículo utilizado pelos suspeitos, as imagens de câmeras de segurança e os depoimentos reunidos pela polícia deverão ser confrontados durante a investigação.
Susiele deixa dois filhos
Susiele Santos de Brito tinha 32 anos e deixou dois filhos.
O velório está previsto para ocorrer na Igreja Refúgio dos Profetas, no loteamento Portal da Maestra, na zona norte de Caxias do Sul.
O sepultamento está marcado para esta quarta-feira (7), às 10h, no Cemitério Público Municipal.
A morte provocou repercussão na cidade e voltou a colocar em evidência a violência contra mulheres no Rio Grande do Sul.

Caxias do Sul registra segundo feminicídio do ano
O caso de Susiele é o segundo feminicídio registrado em Caxias do Sul em 2026, segundo as informações divulgadas sobre os casos no município.
Em abril, Raiza Dutra Teixeira, de 33 anos, foi assassinada a tiros pelo companheiro, o guarda municipal Scheiner Onimar Lopes de Sousa, de 44 anos. Após o crime, o homem tirou a própria vida.
Com o novo caso, a cidade volta a registrar uma morte de mulher classificada pela investigação como feminicídio.
Quatro feminicídios em sequência elevam número no Estado
O assassinato de Susiele ocorreu em um intervalo de menos de 48 horas em que o Rio Grande do Sul registrou outros três feminicídios.
Os crimes ocorreram em Alegrete, Barra do Guarita, Porto Alegre e Caxias do Sul, fazendo o número de feminicídios registrados no Estado chegar a 60 em 2026.
Em Alegrete, uma jovem de 20 anos, Ana Cristina Pinheiro Milano do Canto, foi morta a tiros. O principal suspeito é o ex-namorado, um soldado do Exército de 23 anos, que foi preso após o crime. A irmã da vítima também foi atingida pelos disparos.
Em Barra do Guarita, uma mulher de 36 anos, de origem venezuelana, foi morta a golpes de canivete. O companheiro, também venezuelano e de 32 anos, foi preso em flagrante.
Já em Porto Alegre, Thamires Araújo, de 24 anos, foi morta a facadas no bairro Restinga. O companheiro, de 29 anos, foi preso em flagrante.
Os quatro casos têm como elemento comum a investigação por violência de gênero e envolvem, em diferentes circunstâncias, atuais ou antigos relacionamentos entre vítimas e suspeitos.

Números da violência contra a mulher no RS
Os dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) mostram a dimensão do problema.
Até o início de agosto, o Estado contabilizava 46 feminicídios consumados e 139 tentativas de feminicídio. No mesmo período, haviam sido registradas 1.164 ocorrências de estupro e 9.638 casos de lesão corporal relacionados à violência contra a mulher.
O número de feminicídios registrados posteriormente elevou o total de 2026 para 60.
Em todo o ano de 2025, foram contabilizados 80 feminicídios e 263 tentativas de feminicídio no Rio Grande do Sul.
Os números mostram que o feminicídio continua representando uma parcela grave da violência contra as mulheres no Estado, especialmente nos casos relacionados a companheiros, ex-companheiros ou pessoas próximas às vítimas.
Investigação continua
A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Caxias do Sul continuará responsável pela investigação.
Os dois homens presos deverão responder pelos fatos apurados no procedimento policial, mas a responsabilização criminal definitiva dependerá do andamento da investigação e das decisões judiciais.
A Polícia Civil ainda precisa esclarecer a motivação do crime, a participação individual de cada suspeito, a sequência das agressões, o motivo da mutilação da vítima e a possível tentativa de utilização da biometria.
Também serão analisados os resultados dos exames realizados pelo IGP, imagens de câmeras de segurança, depoimentos e demais objetos apreendidos.
Enquanto esses elementos não forem concluídos, algumas circunstâncias permanecem sob investigação e não podem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados.
O caso de Susiele Santos de Brito passa a integrar a estatística de 60 feminicídios registrados no Rio Grande do Sul em 2026, em um momento de forte preocupação das autoridades com a sequência de mortes violentas de mulheres no Estado.










