Chuvas intensas elevam rios, provocam inundações nos vales e aumentam o risco de cheia na Região Metropolitana; Guaíba pode atingir até 2,80 metros
O Rio Grande do Sul enfrenta a primeira grande enchente associada ao Super El Niño 2026-2027. Após vários dias de chuva intensa, rios transbordaram em diferentes regiões do Estado, principalmente nos vales do Taquari e do Caí, enquanto autoridades monitoram o avanço da cheia em direção à Região Metropolitana de Porto Alegre.
De acordo com a MetSul Meteorologia, o fenômeno climático deve aumentar a frequência e a intensidade dos episódios de chuva extrema nos próximos meses. A previsão indica que o período de maior risco ocorrerá entre setembro e dezembro de 2026, com possibilidade de novos eventos de inundação também durante o verão e o outono de 2027.
Rios seguem em cheia e avanço preocupa
As fortes precipitações registradas na Serra Gaúcha e nos Campos de Cima da Serra elevaram rapidamente os níveis dos rios Taquari e Caí, que ultrapassaram a cota de inundação em diversos municípios.
Em Muçum, o Rio Taquari começou a apresentar redução do nível durante a quarta-feira (22). No entanto, especialistas alertam que a onda de cheia continua se deslocando para municípios localizados mais abaixo da bacia hidrográfica.
A expectativa é que o pico da cheia alcance Montenegro entre quinta-feira (23) e sexta-feira (24), seguindo posteriormente em direção à Região Metropolitana.
Região Metropolitana entra em atenção
Com o deslocamento da água pelas bacias hidrográficas, municípios como Nova Santa Rita, Canoas, Eldorado do Sul e outras cidades próximas ao Delta do Jacuí permanecem em monitoramento devido ao risco de alagamentos.
A elevação dos rios do interior também influencia diretamente o comportamento do Lago Guaíba, que recebe o volume de água transportado pelas principais bacias do Estado.
Guaíba pode atingir 2,80 metros
Simulações hidrológicas realizadas pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH/UFRGS) apontam que o Guaíba poderá atingir até 2,80 metros durante o fim de semana, dependendo da evolução das vazões dos rios Taquari, Caí, Jacuí, Sinos e Gravataí.
Caso a projeção se confirme, o lago permanecerá acima da cota de alerta, mantendo a necessidade de acompanhamento permanente por parte da Defesa Civil e dos órgãos responsáveis pelo monitoramento hidrológico.
Chuva superou a média histórica
Os acumulados registrados nas bacias dos rios Taquari e Caí variaram entre 100 e 200 milímetros, com localidades que ultrapassaram esses volumes.
Em alguns municípios, a precipitação registrada em poucos dias correspondeu a quase duas vezes a média climatológica de todo o mês de julho, aumentando significativamente o risco de cheias, deslizamentos e alagamentos.
Especialistas destacam que, durante episódios de Super El Niño, o Rio Grande do Sul costuma registrar volumes de chuva acima da média, especialmente na primavera.
Defesa Civil orienta população
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul mantém monitoramento permanente das condições meteorológicas e hidrológicas e orienta que moradores de áreas sujeitas a inundações acompanhem apenas os comunicados oficiais.
Entre as recomendações estão evitar áreas alagadas, não atravessar vias inundadas, manter atenção aos alertas meteorológicos e buscar locais seguros em caso de elevação rápida dos rios.
As autoridades reforçam que o cenário continuará sendo acompanhado diariamente, já que novas instabilidades podem provocar alterações nas previsões hidrológicas nas próximas horas.








