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Uso de celular ao volante dispara nas rodovias

PRF registrou mais de 185 mil autuações nas rodovias federais entre 2021 e 2025; somente de janeiro a setembro de 2026, foram quase 35 mil flagrantes.

O uso do celular ao volante completa dez anos como infração gravíssima no Brasil em novembro de 2026. A mudança na legislação entrou em vigor em novembro de 2016 e tornou mais rigorosa a punição para motoristas flagrados segurando ou manuseando o telefone enquanto dirigem.

O tema voltou ao centro das campanhas de segurança viária com a Operação Finados 2026, iniciada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nesta sexta-feira (30). Durante o feriado prolongado, a corporação reforça a fiscalização nas rodovias federais e alerta para os riscos provocados pela distração ao volante.

Os números mostram que o comportamento continua frequente. Entre 2021 e 2025, a PRF registrou 185.807 autuações por uso de celular na direção em rodovias federais. De janeiro a setembro de 2026, foram 34.987 flagrantes, contra 31.144 no mesmo período de 2025.

A diferença representa um aumento de aproximadamente 12,3% nas autuações registradas nos primeiros nove meses do ano. O avanço reforça a preocupação das autoridades com uma conduta que compromete a atenção do motorista e pode colocar em risco passageiros, motociclistas, ciclistas e pedestres.

Qual é a multa por usar celular dirigindo?

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) classifica como gravíssima a infração cometida pelo motorista que segura ou manuseia um telefone celular enquanto conduz um veículo.

As penalidades previstas são:

  • Multa: R$ 293,47.
  • Pontuação na CNH: 7 pontos.
  • Classificação: infração gravíssima.

A regra está prevista no artigo 252, parágrafo único, do CTB, com alteração introduzida pela Lei Federal nº 13.281/2016.

A legislação diferencia o ato de segurar ou manusear o aparelho de outras situações envolvendo o uso do telefone. Dirigir utilizando fones conectados ao celular ou conduzir o veículo com apenas uma das mãos fora das exceções legais pode configurar infração média, conforme o enquadramento aplicável.

Na prática, a orientação mais segura é não mexer no telefone enquanto o veículo estiver em movimento. A necessidade de atender uma ligação, consultar uma mensagem ou acessar um aplicativo não elimina a responsabilidade do motorista pela condução.

Mais de 34 mil flagrantes em nove meses de 2026

Os dados divulgados pela PRF mostram crescimento nas autuações por uso de celular nas rodovias federais.

Entre janeiro e setembro de 2025, foram registradas 31.144 infrações. No mesmo período de 2026, o número subiu para 34.987.

<text color=”secondary” size=”sm”>Autuações por uso de celular ao volante nas rodovias federais</text>

PeríodoAutuações
Janeiro a setembro de 202531.144
Janeiro a setembro de 202634.987
Total entre 2021 e 2025185.807

O ano de 2024 foi o que apresentou o maior número de registros no período de cinco anos analisado, com 48.642 autuações.

Os números representam infrações registradas pela PRF nas rodovias federais e não correspondem necessariamente ao total de ocorrências em todas as ruas e estradas do país. Também não significam que cada autuação tenha resultado em acidente, mas demonstram a persistência do comportamento fiscalizado.

Por que olhar para o celular pode provocar acidentes?

A principal consequência do uso do celular durante a direção é a perda de atenção. Ao olhar para a tela, ler uma mensagem ou digitar uma resposta, o motorista deixa de observar continuamente o trânsito à frente, os retrovisores, a sinalização e os movimentos dos demais veículos.

Mesmo uma distração curta pode ser suficiente para impedir uma reação a tempo diante de uma frenagem repentina, de um pedestre atravessando a pista ou de um veículo mudando de faixa.

Segundo a PRF, um automóvel que trafega a 100 km/h percorre aproximadamente 28 metros por segundo. Isso significa que, em apenas três segundos de desatenção, o veículo pode avançar cerca de 84 metros sem que o motorista esteja plenamente concentrado na via.

A distância percorrida aumenta o risco de colisões, atropelamentos e saídas de pista, especialmente em rodovias onde os veículos circulam em velocidades elevadas.

A perita da PRF e chefe da Coordenação de Prevenção e Atendimento de Sinistros da instituição, Marina Higa, alerta que o uso do celular prejudica a percepção do ambiente e a capacidade de reação do condutor. Uma mudança repentina no trânsito pode se transformar em um acidente grave quando o motorista não percebe o perigo a tempo.

Falta de reação aparece entre os fatores dos sinistros

Os dados da PRF também apontam crescimento nos registros de sinistros associados à ausência de reação ou à reação tardia ou ineficiente do condutor.

Entre janeiro e setembro de 2025, foram contabilizados 16.193 registros com esse fator determinante. No mesmo intervalo de 2026, o número chegou a 17.134.

A diferença corresponde a um aumento de aproximadamente 5,8%.

Esses números não permitem atribuir todos os casos ao uso de celular, mas ajudam a dimensionar a importância da atenção durante a condução. A distração é um fator que pode comprometer a capacidade de identificar riscos e responder às situações de emergência.

A PRF destaca que a prevenção depende tanto da fiscalização quanto da mudança de comportamento dos motoristas.

Operação Finados reforça fiscalização nas rodovias

A Operação Finados 2026 ocorre entre sexta-feira, 30 de outubro, e segunda-feira, 2 de novembro. A ação busca reduzir o número de sinistros durante o feriado prolongado, quando há expectativa de aumento no fluxo de veículos nas rodovias federais.

A fiscalização será reforçada em trechos considerados críticos, com atenção às condutas que elevam o risco de acidentes. O uso de celular ao volante está entre os principais focos da campanha educativa deste ano.

Além de verificar infrações, os policiais trabalham na orientação dos condutores e na prevenção de comportamentos perigosos, como excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas e direção após o consumo de bebidas alcoólicas.

O feriado exige atenção redobrada porque o aumento da circulação pode ampliar os conflitos entre veículos e tornar mais difícil reagir a situações inesperadas.

Como evitar multas e dirigir com segurança

A recomendação da PRF é simples: o celular deve permanecer fora do alcance do motorista durante a condução.

Para reduzir os riscos em viagens, os condutores devem:

  • Colocar o telefone no modo silencioso antes de sair.
  • Evitar ler mensagens, atender chamadas ou acessar redes sociais enquanto dirigem.
  • Programar o GPS e o destino antes de iniciar o trajeto.
  • Se precisar utilizar o aparelho, estacionar em local seguro antes de manuseá-lo.
  • Fazer a revisão do veículo e descansar antes de viagens longas.
  • Respeitar os limites de velocidade e manter distância segura do veículo à frente.
  • Utilizar o cinto de segurança e os equipamentos obrigatórios.
  • Nunca dirigir após consumir bebidas alcoólicas.

O uso de recursos de viva-voz não elimina todos os riscos de distração. A atenção exigida pela condução deve permanecer como prioridade durante todo o percurso.

Dez anos de punição mais rigorosa, mas o problema continua

A mudança no Código de Trânsito Brasileiro, em novembro de 2016, elevou de média para gravíssima a classificação da infração de segurar ou manusear o celular enquanto dirige. A medida buscou desestimular uma prática que se tornou cada vez mais comum com a expansão dos smartphones.

Uma década depois, os registros da PRF indicam que a proibição, por si só, não eliminou o comportamento. O crescimento das autuações em 2026 reforça a necessidade de fiscalização contínua e conscientização dos condutores.

Durante o feriado de Finados, a orientação é evitar qualquer interação com o telefone enquanto o veículo estiver em movimento. Uma mensagem pode esperar. Uma reação tardia diante de um risco na pista pode ter consequências irreversíveis.

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