Governador eleito anunciou cinco nomes para o primeiro escalão e confirmou a unificação de duas estruturas estaduais; objetivo é reduzir a máquina pública e buscar maior eficiência administrativa.
O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), confirmou a fusão de duas secretarias estaduais durante a apresentação dos primeiros integrantes de sua equipe de governo, realizada na terça-feira (27), em Porto Alegre. A medida faz parte da proposta de reorganização administrativa defendida pelo futuro chefe do Executivo, que pretende reduzir o número de pastas e tornar a estrutura do Estado mais enxuta.
Na primeira apresentação do secretariado, Zucco anunciou nomes para áreas estratégicas, como Casa Civil, Educação, Agricultura e Desenvolvimento Rural, Cultura e Segurança Pública. As escolhas combinam profissionais com experiência na administração pública, representantes de áreas técnicas e nomes que já mantêm relação política com o governador eleito.
A nova administração tem início previsto para 6 de janeiro de 2027. Até lá, a equipe de transição deverá avançar na definição dos demais cargos, na organização das secretarias e no planejamento das prioridades para os próximos anos.
Zucco pretende reduzir número de secretarias
Durante o anúncio, Zucco reiterou a intenção de diminuir a estrutura administrativa do governo gaúcho. Atualmente, o Estado conta com cerca de 30 secretarias, e a meta apresentada pelo governador eleito é trabalhar com um número entre 15 e 20 pastas.
A proposta envolve a fusão de estruturas que possuem atribuições relacionadas, com a expectativa de simplificar processos administrativos e reduzir custos de funcionamento. O alcance efetivo da economia, entretanto, dependerá da implementação das mudanças e dos resultados obtidos pela nova gestão.
Segundo o governador eleito, a intenção é combinar conhecimento técnico e capacidade de articulação política. Zucco também afirmou que os partidos aliados não estariam pressionando por indicações para cargos no primeiro escalão.
A redução de secretarias foi uma das propostas apresentadas durante a campanha eleitoral. A reorganização deverá continuar sendo detalhada ao longo da transição, conforme forem definidos os responsáveis pelas demais áreas do governo.

Quais secretarias serão unificadas?
Duas fusões foram confirmadas já no primeiro anúncio do secretariado.
Agricultura e Desenvolvimento Rural
A primeira mudança reúne novamente a Agricultura e o Desenvolvimento Rural em uma única secretaria. A separação dessas áreas havia ocorrido durante o governo de Tarso Genro (PT), em 2010.
Com a unificação, a futura gestão pretende concentrar em uma mesma estrutura as ações relacionadas à política agrícola e ao desenvolvimento rural. O setor tem importância estratégica para o Rio Grande do Sul, cuja economia depende fortemente da produção agropecuária, das cadeias de abastecimento e das atividades ligadas ao agronegócio.
A pasta ficará sob o comando de Paulo Herrmann, executivo com trajetória ligada ao setor de máquinas agrícolas e à gestão empresarial.
Segurança Pública e Sistema Penal
A segunda mudança prevê a integração da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo à estrutura da Segurança Pública. A separação entre as áreas havia sido promovida durante o governo de Eduardo Leite (PSD), em 2018.
A reorganização busca reunir, sob uma estrutura administrativa integrada, as políticas de segurança pública e as atividades relacionadas ao sistema penal e socioeducativo.
O futuro comando da área ficará com o general da reserva Mauro Sinott Lopes, enquanto Mário Ikeda, atual titular da Segurança Pública, foi anunciado como secretário adjunto.
A efetividade da mudança dependerá da forma como serão distribuídas as responsabilidades, os recursos e as equipes, além da coordenação entre os órgãos envolvidos.

Veja os cinco nomes anunciados por Zucco
O primeiro grupo de indicados reúne cinco nomes para áreas centrais da administração estadual. Confira quem são os escolhidos e suas trajetórias.
1. Leandro Sonne — Casa Civil
Leandro Sonne foi escolhido para comandar a Casa Civil, estrutura responsável pela articulação política e institucional do governo, pela interlocução com o Legislativo e pelo acompanhamento de assuntos estratégicos da administração.
Ele ingressou na Casa Civil em 2003, como estagiário, e passou por diferentes funções até assumir, em 2017, o posto de subchefe legislativo.
Sua relação profissional com Zucco se fortaleceu em 2019, quando passou a atuar como assessor legislativo do então deputado estadual. Em 2021, assumiu a chefia do gabinete do parlamentar. Em 2023, foi nomeado coordenador da bancada do Republicanos na Assembleia Legislativa.
A escolha indica a intenção de manter na articulação central do governo um profissional com experiência nos procedimentos internos do Executivo e no relacionamento com o Parlamento gaúcho.
2. Paulo Herrmann — Agricultura e Desenvolvimento Rural
Paulo Herrmann será responsável pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural. Sua carreira está ligada à gestão empresarial e ao setor de máquinas agrícolas.
Ele presidiu as operações da John Deere no Brasil entre 2012 e 2022. Em 2024, assumiu o cargo de CEO da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). Atualmente, atua à frente da PH Advisory Group, empresa voltada à consultoria estratégica, mentoria e participação em conselhos de administração.
Herrmann também desenvolve atividades sociais relacionadas à ampliação do acesso à saúde em comunidades rurais do interior do Estado.
Sua indicação representa uma aposta em experiência empresarial para conduzir uma pasta diretamente relacionada à produção agropecuária, ao desenvolvimento do interior e à competitividade do agronegócio gaúcho.

3. Roni Miranda Vieira — Educação
A Secretaria Estadual da Educação ficará sob a responsabilidade de Roni Miranda Vieira, que ocupa o mesmo cargo no Paraná desde janeiro de 2023.
Natural de Foz do Iguaçu, ele tem formação e trajetória profissional ligadas ao ensino público. Iniciou a carreira como professor da rede estadual em 2005 e ingressou como servidor efetivo por concurso público em 2007.
Entre 2012 e 2015, foi diretor do Colégio Estadual Djalma Marinho, em Curitiba. Em 2020, assumiu a Diretoria de Educação da Secretaria Estadual paranaense.
À frente da educação do Paraná, administra uma rede com aproximadamente um milhão de estudantes e mais de duas mil escolas.
A indicação coloca a gestão da rede estadual de ensino entre os primeiros pontos definidos pela futura administração. Entre os desafios da área estão a aprendizagem, a infraestrutura escolar, a valorização dos profissionais e a gestão dos recursos públicos.
4. Liliana Cardoso — Cultura
Liliana Cardoso foi escolhida para comandar a Secretaria Estadual da Cultura. Ela atua na gestão municipal de Porto Alegre desde 2024, quando passou a responder interinamente pela pasta da Cultura e Economia Criativa, sendo posteriormente efetivada.
Liliana também esteve à frente da coordenação do Comitê de Carnaval de Porto Alegre, com participação na organização dos desfiles realizados no Complexo Cultural Porto Seco.
Sua trajetória é marcada pela atuação na poesia, na música e na valorização das tradições culturais. Ela foi a primeira mulher negra a assumir a Secretaria Municipal da Cultura da Capital.
No governo estadual, deverá conduzir políticas de incentivo à produção cultural, preservação do patrimônio, valorização das manifestações artísticas e ampliação do acesso da população à cultura.

5. Mauro Sinott Lopes — Segurança Pública
O general da reserva Mauro Sinott Lopes foi anunciado para comandar a área de Segurança Pública, que deverá incorporar também as atribuições relacionadas ao sistema penal e socioeducativo.
Ao longo da carreira militar, Sinott Lopes ocupou funções de comando e participou de operações de segurança. Foi comandante da 1ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro, e atuou no Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo durante os Jogos Olímpicos de 2016.
Em 2018, assumiu a chefia do Gabinete de Intervenção Federal no Rio de Janeiro. Em junho daquele ano, deixou a função para comandar a 3ª Divisão do Exército, em Santa Maria, onde permaneceu até 2020.
A escolha ocorre em um contexto no qual a segurança pública figura entre os principais temas de interesse da população gaúcha. A futura gestão deverá definir metas, prioridades operacionais e mecanismos de integração entre as forças de segurança e as estruturas do sistema penal.
Mário Ikeda, atual secretário estadual da Segurança Pública, foi anunciado como adjunto da pasta.
Leonardo Pascoal ainda não foi anunciado para uma secretaria
Outro nome acompanhado durante a apresentação foi o de Leonardo Pascoal (PL), coordenador político da campanha de Zucco e responsável pela articulação da transição.
Pascoal esteve ao lado do governador eleito durante o anúncio, mas não recebeu, naquele momento, uma indicação oficial para comandar uma secretaria. Zucco afirmou que deseja contar com ele na composição do governo.
Até a publicação das informações sobre o primeiro anúncio, não havia confirmação oficial de qual função Pascoal ocupará na futura administração.

Novos nomes devem ser anunciados
Zucco informou que pretendia divulgar novos integrantes do secretariado ainda naquela semana, com previsão de novos anúncios na quinta-feira (29 de outubro).
A composição final deverá indicar como o futuro governo pretende distribuir as responsabilidades entre os integrantes da equipe e acomodar as demandas administrativas e políticas da gestão.
Apesar de ter anunciado os primeiros nomes, o governador eleito ainda precisa detalhar a estrutura definitiva das secretarias e esclarecer como serão implementadas as fusões, incluindo a distribuição de equipes, atribuições e orçamento.
A redução de pastas também deverá ser acompanhada para verificar se a reorganização produzirá economia efetiva e melhoria na prestação dos serviços públicos.
Zucco fala em diálogo com o governo federal
Durante a apresentação, o governador eleito também comentou o resultado da eleição presidencial e afirmou que respeita o reconhecimento institucional da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Zucco declarou que pretende dialogar com o governo federal a partir do início de sua administração, em janeiro de 2027, e que o Rio Grande do Sul precisa de um governador capaz de manter interlocução com Brasília.
Apesar da sinalização de diálogo, ele criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação no segundo turno, realizado em 25 de outubro.
A relação entre o governo estadual e a União poderá ter impacto em temas como investimentos, infraestrutura, desenvolvimento econômico e renegociação da dívida do Rio Grande do Sul.

O que muda para o Rio Grande do Sul?
A fusão das duas secretarias representa o primeiro passo concreto da proposta de redução da estrutura administrativa defendida por Zucco. A intenção é reorganizar o governo e aproximar áreas consideradas relacionadas, mas o impacto real dependerá da execução das mudanças.
Para a população, a principal questão será saber se a nova estrutura conseguirá manter ou melhorar os serviços públicos com custos menores e maior capacidade de coordenação.
Na Agricultura, será necessário acompanhar a integração das políticas voltadas à produção e ao desenvolvimento rural. Na Segurança Pública, a atenção estará na articulação entre as forças de segurança e as estruturas penal e socioeducativa.
A nova gestão começa em janeiro de 2027, e a transição deverá definir os próximos nomes, as atribuições de cada pasta e os detalhes administrativos das fusões.










