Três medicamentos são indicados para diabetes tipo 2 e dois para obesidade; novas autorizações ampliam as opções de tratamento e elevam para 20 os registros de canetas de GLP-1 aprovados em 2026.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, o registro de cinco novas canetas injetáveis utilizadas no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Os medicamentos receberam os nomes comerciais de Aribet, Lyrza, Wylovol, Embeltah e Sevema.
As novas autorizações ampliam a oferta de medicamentos à base de liraglutida e semaglutida no mercado brasileiro. Das cinco canetas aprovadas, três são destinadas ao tratamento do diabetes tipo 2 e duas têm indicação para o tratamento da obesidade, associado a mudanças na alimentação e à prática de exercícios físicos.
Com a decisão, a Anvisa contabiliza 20 registros de canetas de GLP-1 aprovados em 2026, conforme o balanço divulgado pela agência. A ampliação ocorre em meio à entrada de novos fabricantes no mercado e à busca por alternativas terapêuticas para doenças crônicas que afetam milhões de brasileiros.
Apesar da aprovação dos registros, os novos medicamentos ainda precisam cumprir as etapas necessárias para a comercialização, incluindo a definição de preços máximos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Portanto, a autorização sanitária não significa que todos os produtos já estejam disponíveis nas farmácias.
Quais são as cinco novas canetas aprovadas pela Anvisa?
Os medicamentos autorizados utilizam duas substâncias conhecidas na classe dos agonistas do receptor GLP-1: liraglutida e semaglutida. Embora pertençam à mesma classe terapêutica, os produtos possuem indicações específicas, que devem ser respeitadas conforme o registro aprovado.
Confira a relação dos medicamentos e suas indicações:
- Aribet (liraglutida): indicado para o tratamento do diabetes.
- Lyrza (liraglutida): indicado para o tratamento da obesidade, em conjunto com exercícios físicos e mudanças na alimentação.
- Wylovol (liraglutida): indicado para o tratamento da obesidade, associado à alimentação adequada e à prática de exercícios físicos.
- Embeltah (semaglutida): indicado para o tratamento do diabetes.
- Sevema (semaglutida): indicado para o tratamento do diabetes.
A indicação exata de cada medicamento deve ser consultada na bula aprovada pela Anvisa. O fato de dois produtos utilizarem a mesma substância ativa não significa que sejam automaticamente intercambiáveis em todas as situações clínicas.

Quem fabrica os novos medicamentos?
Três dos cinco medicamentos aprovados utilizam liraglutida e serão fabricados pela empresa indiana Biocon. Os registros foram concedidos à Farma Vision Importação e Exportação de Medicamentos Ltda.
Os outros dois produtos são à base de semaglutida e serão fabricados pela empresa indiana OneSource Specialty.
O registro do Embeltah foi concedido à Dr. Reddy’s Farmacêutica do Brasil Ltda., enquanto o Sevema recebeu registro em nome da Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A.
A entrada de novos produtos pode ampliar a concorrência no setor farmacêutico. No entanto, ainda não é possível afirmar qual será o preço de cada medicamento ou se haverá redução significativa dos custos para os pacientes. Esses fatores dependem da definição dos preços, da estratégia comercial das empresas e da disponibilidade dos produtos no mercado.
Como funcionam as canetas de GLP-1?
A liraglutida e a semaglutida atuam sobre os receptores do GLP-1, um hormônio envolvido na regulação da glicose no sangue e na sensação de saciedade.
Esses medicamentos podem estimular a liberação de insulina quando a glicemia está elevada, reduzir a liberação de glucagon em determinadas condições e retardar o esvaziamento do estômago. A combinação desses efeitos contribui para o controle da glicose e, conforme o medicamento e sua indicação, para a redução do apetite e do peso corporal.
No tratamento do diabetes tipo 2, o objetivo é melhorar o controle glicêmico e reduzir os riscos associados à doença. Já no tratamento da obesidade, a ação sobre a saciedade pode auxiliar na redução da ingestão alimentar, desde que o medicamento seja utilizado conforme a indicação aprovada.
A resposta varia de pessoa para pessoa. Os resultados dependem de fatores como o diagnóstico, a dose prescrita, as condições de saúde, a alimentação, a atividade física e a continuidade do acompanhamento médico.

Qual é a diferença entre liraglutida e semaglutida?
Embora as duas substâncias pertençam à classe dos medicamentos que atuam sobre o receptor GLP-1, existem diferenças importantes.
Liraglutida: é utilizada em medicamentos com indicações para diabetes tipo 2 ou obesidade. Nas apresentações tradicionais dessa substância, a aplicação costuma ser diária.
Semaglutida: também é utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 e está presente em medicamentos com indicações específicas para o controle do peso. Nas apresentações injetáveis mais conhecidas, a aplicação costuma ser semanal.
A frequência, a dose e a indicação variam conforme o produto registrado. Por isso, não se deve substituir uma caneta por outra apenas porque ambas pertencem à mesma classe de medicamentos.
A escolha deve considerar a doença a ser tratada, as características do paciente, as contraindicações, os possíveis efeitos adversos e as orientações da bula.
Aprovação não significa venda imediata
Um ponto importante para os consumidores é que o registro sanitário representa uma etapa da autorização de um medicamento, mas não garante que ele esteja imediatamente disponível nas farmácias.
Após a aprovação da Anvisa, os fabricantes precisam cumprir os procedimentos regulatórios aplicáveis à comercialização, incluindo a definição do preço máximo pela CMED.
A disponibilidade efetiva depende ainda da distribuição, da estratégia de lançamento das empresas e do abastecimento das redes de farmácias.
Também não há garantia de que os novos medicamentos serão oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A aprovação do registro pela Anvisa não equivale à incorporação automática de um produto às políticas públicas de assistência farmacêutica.

Por que a Anvisa está ampliando os registros?
Segundo a agência reguladora, a análise de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida passou a ser priorizada em agosto de 2025, após solicitação do Ministério da Saúde.
A iniciativa está relacionada ao fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), à ampliação das opções terapêuticas e à necessidade de abastecimento do mercado nacional.
A entrada de novos fabricantes pode contribuir para diversificar a oferta e estimular a concorrência. Entretanto, os efeitos sobre os preços e o acesso aos tratamentos só poderão ser avaliados com a chegada efetiva dos produtos ao mercado.
A medida ocorre em um cenário de crescente procura por medicamentos para diabetes e obesidade, duas condições que exigem acompanhamento contínuo e estratégias de tratamento individualizadas.
Quais são os efeitos colaterais e os cuidados necessários?
Medicamentos à base de liraglutida e semaglutida podem provocar efeitos adversos, especialmente gastrointestinais. Entre os sintomas possíveis estão náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desconforto abdominal.
Dependendo do medicamento e das condições clínicas do paciente, também podem ocorrer complicações que exigem avaliação médica. A desidratação causada por vômitos ou diarreia persistentes, por exemplo, pode comprometer a função dos rins.
O uso deve considerar as contraindicações e advertências específicas de cada produto. Pessoas com outras doenças, que utilizam diversos medicamentos ou que apresentam sintomas persistentes, precisam de avaliação individualizada.
As canetas não devem ser utilizadas por conta própria para emagrecimento. A indicação, a dose e o acompanhamento devem ser definidos por profissional habilitado, com base na bula aprovada e nas necessidades do paciente.
A compra também deve ocorrer por canais regulares, com atenção à procedência, ao armazenamento e às exigências de prescrição e dispensação aplicáveis.

O que muda para pacientes com diabetes e obesidade?
A aprovação de cinco novas canetas amplia o número de opções registradas no Brasil, mas não significa que todas sejam adequadas para qualquer paciente.
Para pessoas com diabetes tipo 2, a escolha do tratamento depende do controle da glicemia, das demais condições de saúde e da avaliação médica. Para pacientes com obesidade, é necessário considerar a indicação aprovada, os critérios clínicos, os benefícios esperados e a possibilidade de manter o tratamento de forma segura.
O preço também pode influenciar a continuidade da terapia. Por isso, a entrada de novos produtos será acompanhada de perto por pacientes e profissionais de saúde, especialmente para avaliar se a concorrência resultará em opções mais acessíveis.
A orientação é não interromper, iniciar ou substituir medicamentos sem avaliação profissional.
O que saber sobre a decisão da Anvisa
A aprovação de Aribet, Lyrza, Wylovol, Embeltah e Sevema representa uma ampliação dos registros de medicamentos à base de GLP-1 no país.
Três produtos são indicados para diabetes e dois para obesidade. Os medicamentos utilizam liraglutida ou semaglutida, mas têm indicações específicas e não devem ser considerados equivalentes apenas pela semelhança entre suas substâncias.
A chegada às farmácias depende das etapas regulatórias e comerciais seguintes. Até lá, pacientes devem continuar seguindo as orientações de seus profissionais de saúde e não utilizar medicamentos sem prescrição e acompanhamento adequados.
A decisão amplia as alternativas terapêuticas disponíveis no Brasil, mas o impacto sobre os preços, o acesso e a oferta dos produtos dependerá dos próximos passos após a aprovação sanitária.










