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UE suspende carne brasileira

Bloqueio atinge carnes bovina e de aves e também inclui ovos e mel; UE cobra garantias sobre cumprimento de regras sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos.

A União Europeia vai suspender, a partir desta quinta-feira (3), a importação de carne bovina e de aves produzidas no Brasil. A decisão foi confirmada nesta segunda-feira (31) pela Comissão Europeia, que afirma não ter recebido garantias consideradas suficientes sobre o cumprimento das normas sanitárias do bloco relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.

A suspensão também alcança ovos e mel brasileiros. A União Europeia ainda não estabeleceu uma data definitiva para a retomada das compras.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil foi retirado em maio da lista de países considerados aptos a cumprir as regras europeias sobre o uso de antibióticos e outros antimicrobianos na pecuária. A decisão havia sido formalizada em junho e passa a produzir efeitos a partir de 3 de setembro.

UE cobra garantias sanitárias do Brasil

A principal justificativa apresentada pelo bloco europeu está relacionada às regras de controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

As normas da União Europeia proíbem a utilização de determinados antibióticos para estimular o crescimento dos animais e também restringem o uso de antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções em seres humanos.

A política faz parte da estratégia europeia de combate à resistência antimicrobiana, fenômeno que reduz a eficácia de medicamentos contra infecções.

A Comissão Europeia afirmou que o Brasil é um parceiro importante e que as exportações poderão ser retomadas quando o país demonstrar conformidade com as exigências.

Brasil já adotou novas regras

O governo brasileiro vem adotando medidas para tentar atender às exigências europeias.

Em julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estabeleceu novos procedimentos para a certificação de produtos de origem animal destinados ao mercado europeu.

As regras passaram a exigir controles auditáveis, rastreabilidade e comprovação do atendimento aos requisitos europeus sobre o uso de antimicrobianos nos produtos destinados ao bloco.

O Mapa informou anteriormente que as tratativas técnicas com a União Europeia continuavam em andamento e que o Brasil não buscava flexibilizar as normas sanitárias europeias, mas demonstrar que consegue cumprir integralmente os requisitos estabelecidos.

Carne de aves pode ter retomada mais rápida

A suspensão não necessariamente terá a mesma duração para todos os produtos.

No caso das aves e do mel, uma auditoria europeia está em andamento e deverá ser concluída na sexta-feira (4).

Se o resultado for considerado satisfatório e os países do bloco aprovarem a retomada, as exportações desses produtos poderão voltar a ser autorizadas nas semanas seguintes.

Para a carne bovina, porém, o processo pode ser mais demorado. A Comissão Europeia afirma que os prazos dependem dos ciclos de produção e das condições necessárias para que o Brasil demonstre conformidade com as exigências.

Brasil é um importante fornecedor para a Europa

O impacto da decisão é relevante porque a União Europeia é um mercado importante para as proteínas brasileiras.

Em 2025, o Brasil foi o segundo maior exportador de carne bovina para o bloco, com mais de 92 mil toneladas comercializadas, avaliadas em mais de 713 milhões de euros, cerca de R$ 4,29 bilhões na conversão mencionada pela imprensa.

A suspensão, portanto, atinge um mercado que possui importância não apenas pelo volume, mas também pelo valor dos produtos comercializados.

Rio Grande do Sul pode sentir impacto

O Rio Grande do Sul também está entre os Estados que podem ser afetados pela suspensão europeia.

Um levantamento com base em dados do Ministério da Agricultura e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontou que as vendas de produtos de origem animal do Estado para a União Europeia movimentaram cerca de US$ 120 milhões em 2025, o equivalente a aproximadamente R$ 600 milhões.

O principal impacto para o Estado estaria relacionado à carne de frango.

Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou quase 27 mil toneladas de frango para a União Europeia, gerando aproximadamente US$ 102 milhões em receita.

A carne bovina aparece em seguida. Foram cerca de 2,1 mil toneladas exportadas pelo Estado para o bloco, com faturamento de aproximadamente US$ 13,5 milhões em 2025.

O Estado também vendeu à União Europeia carne de equinos e suínos no ano passado.

União Europeia responde por parcela das exportações gaúchas

Em termos financeiros, a União Europeia representou aproximadamente 8% das vendas internacionais de produtos de origem animal do Rio Grande do Sul no recorte analisado em 2025.

Apesar da suspensão, representantes do setor avaliam que parte das vendas pode ser redirecionada para outros mercados.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) demonstrou expectativa de reversão da medida e argumenta que o Brasil possui capacidade de direcionar sua produção para outros destinos caso a restrição europeia seja mantida.

Carne bovina pode enfrentar maior demora

Entre os produtos afetados, a carne bovina pode ter um processo de retomada mais lento.

A União Europeia afirma que os prazos dependem dos ciclos de produção e das condições necessárias para certificar a conformidade brasileira.

Além disso, o mercado europeu é considerado estratégico para determinados cortes bovinos de maior valor.

No Rio Grande do Sul, os cortes de traseiro estão entre os produtos comercializados com os europeus, incluindo contrafilé, coxão, alcatra, filé e picanha.

Suspensão ocorre após meses de negociação

A decisão desta segunda-feira não surgiu de forma repentina.

O Brasil foi retirado em maio da lista europeia de países autorizados a exportar produtos de origem animal que atendam às regras específicas sobre antimicrobianos.

Desde então, governo brasileiro e autoridades europeias mantiveram negociações técnicas para tentar solucionar o impasse.

Em julho, o Mapa informou que as tratativas continuavam e que a documentação brasileira ainda estava sendo analisada pelas autoridades europeias.

Mesmo com a adoção de novos procedimentos de controle no Brasil, a Comissão Europeia manteve a decisão de suspender as importações a partir de 3 de setembro.

Medida não significa que carne brasileira esteja contaminada

Um ponto importante é que a decisão europeia não foi apresentada como uma identificação de carne brasileira contaminada.

A discussão está relacionada às garantias e aos mecanismos de controle utilizados para comprovar o cumprimento das regras europeias sobre antimicrobianos.

Ou seja, o questionamento do bloco está concentrado na capacidade de o sistema brasileiro demonstrar, de maneira considerada suficiente pela União Europeia, que os produtos destinados ao mercado europeu cumprem as exigências estabelecidas.

Acordo Mercosul-UE também entra no contexto

A suspensão ocorre meses depois da entrada em vigor provisória do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

O acordo entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026.

A Comissão Europeia, porém, sustenta que a restrição sanitária está relacionada às regras sobre antimicrobianos e não a uma mudança provocada pelo acordo comercial.

O que acontece agora

A partir de quinta-feira (3 de setembro), as novas remessas brasileiras dos produtos atingidos pela decisão deixarão de ser autorizadas conforme as regras estabelecidas pelo bloco.

Para aves e mel, a auditoria que está em andamento poderá abrir caminho para uma retomada mais rápida caso o resultado seja considerado satisfatório.

Na carne bovina, o processo pode levar mais tempo.

O governo brasileiro continuará negociando com as autoridades europeias para tentar apresentar as garantias exigidas e recuperar o acesso ao mercado.

A Comissão Europeia afirma que, uma vez demonstrado o cumprimento das exigências, as exportações poderão ser retomadas.

Produtos afetados

A suspensão anunciada pela União Europeia envolve:

  • Carne bovina;
  • Carne de aves;
  • Ovos;
  • Mel.

Informações anteriores sobre a medida também apontam restrições envolvendo outras categorias de produtos de origem animal, como equídeos, aquicultura e tripas, conforme a regulamentação europeia publicada anteriormente.

Impacto no Rio Grande do Sul

  • Cerca de US$ 120 milhões em produtos de origem animal foram exportados pelo RS à UE em 2025;
  • Valor equivalente a aproximadamente R$ 600 milhões;
  • Quase 27 mil toneladas de frango foram exportadas ao bloco;
  • Receita de aproximadamente US$ 102 milhões com frango;
  • Cerca de 2,1 mil toneladas de carne bovina foram exportadas;
  • Receita de aproximadamente US$ 13,5 milhões com carne bovina.

A suspensão começa em 3 de setembro e permanecerá em vigor enquanto o Brasil não apresentar garantias consideradas suficientes pela União Europeia sobre o cumprimento das normas sanitárias.

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